Candidatos queimaram “últimos cartuchos”

“Domingo à tarde terei comigo não dois, mas três vereadores”

No último comício da campanha, o candidato independente à presidência da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital reiterou a confiança na vitória e na conquista da maioria absoluta.

“Domingo à tarde terei comigo não dois, mas três vereadores”, sustentou José Carlos Mendes perante uma imensa plateia que se reuniu nas antigas instalações da Infinitum.

“Sinto, sinceramente, que a vitória será grandiosa”, insistiu o candidato, opondo-se à ideia anteriormente transmitida por Nuno Freixinho que disse não acreditar que a maioria absoluta fosse conquistada por qualquer uma das candidaturas.

Efusivamente aplaudido e de olhos postos no resultado favorável de 11 de Outubro, José Carlos Mendes justificou a sua confiança com o apoio que tem recebido dos oliveirenses e não com base em “sondagens”.

“Nós não temos dinheiro para sondagens, mas há muitos que tiveram dinheiro para sondagens, e que as fizeram, mas não as trouxeram cá para fora, porque não eram favoráveis”, referiu o candidato independente à autarquia oliveirense que colocou os sentimentos à frente “do poder e do dinheiro”.

“É preciso sentir no coração que temos capacidade para fazer muito por este concelho”, sublinhou, confiante de que na próxima segunda-feira, os seus alunos – “estão todos aqui comigo”, frisou – “vão ter aulas com o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital”.

Mendes usou ainda o último discurso para destacar as qualidades das equipas que o acompanham no projecto independente.

 “Não fui eu que estive quatro anos na Câmara com o professor Mário Alves”

O candidato do PS encerrou  a campanha na principal sala de visitas de Oliveira do Hospital – o largo Ribeiro do Amaral –, e foi brindado com um banho de multidão.

Sublinhando que a sua candidatura foi a única a ser “capaz” de fazer um comício ao ar livre – “as outras meteram-se em salas pequenas para dizerem que tinham muita gente”, afirmou –, José Carlos Alexandrino dirigiu o seu discurso, principalmente, contra o actual presidente da Câmara, mas também não poupou a candidatura independente de José Carlos Mendes.

Sobre Mário Alves, Alexandrino disse que “o concelho está mal entregue”, e sublinhou que as pessoas querem a mudança “pela incompetência e pela forma” de o actual presidente da Câmara se “relacionar com as pessoas”.

O candidato do PS dirigiu ainda “uma palavra aos funcionários da Câmara”, e criticou o facto de a autarquia oliveirense ter actualmente um estaleiro na zona industrial “sem o mínimo de condições”. “São uns barracões que envergonham Oliveira do Hospital”, frisou Alexandrino, sem deixar de prometer que, caso seja eleito, fará “um estaleiro em condições”.

Já sobre a candidatura do movimento de eleitores independentes “Oliveira do Hospital, Sempre”, Alexandrino quebrou aquilo que parecia ser um pacto de não agressão, e reagiu a algumas farpas que José Carlos Mendes lhe enviou através de uma carta dirigida aos oliveirenses, e onde terá afirmado que a candidatura de Alexandrino se movimentava por “interesses político-partidários”.

“Eu nunca falei dos independentes, mas hoje vou falar (…) não fui eu que estive quatro anos na Câmara com o professor Mário Alves. Eu não estive nesse passado e faço é parte do futuro”, afirmou o candidato socialista, numa referência directa ao tempo em que Mendes foi vice-presidente de Mário Alves.

Invocando o nome de César Oliveira como um autarca que “fez mais em quatro anos do que eles em dezasseis”, Alexandrino disparou novamente contra o actual poder local com uma célebre frase que Humberto Delgado pronunciou na sua campanha eleitoral contra o Estado Novo. “Estamos fartos. Cansaram-nos. Vão-se embora”.

De resto, o cabeça-de-lista do PS voltou a assumir o desenvolvimento empresarial como uma das principais bandeiras da sua candidatura, a necessidade da criação de emprego para os jovens, e insistiu que consigo à frente da Câmara Municipal não haverá “munícipes do PS, do PSD ou do CDS… haverá munícipes de Oliveira do Hospital que têm que ser tratados como munícipes”, disse.

Alexandrino sustentou também que “os indicadores e os sinais são de clara vitória”, mas advertiu os seus apoiantes de que “só no final do jogo é que se ganha”.

“Sim, entregavam as chaves de vossa casa a Mário Alves”

Com um comício centrado na obra feita, nos apoios à educação e no “baixo” endividamento camarário, o candidato do PSD à Câmara Municipal acabou por dar resposta à última manchete do Correio da Beira Serra – “A quem entregavam a chaves da vossa casa?” – para apelar à confiança dos oliveirenses.

“Sim, entregavam as chaves da vossa casa a Mário Alves, porque sabem que é um homem honesto e de trabalho e não vira a cara à luta”, respondeu o candidato social-democrata, que se considera como um homem “disponível e que resiste a tudo”.

Com o salão polivalente do Agrupamento de Escolas Brás Garcia de Mascarenhas lotado, Mário Alves insistiu na crítica às políticas do governo e não poupou os seus adversários na corrida de 11 de Outubro.

Desafiando os oliveirenses a comparar cada um dos candidatos à presidência da Câmara – com base na “honestidade, seriedade, trabalho, disponibilidade e empenhamento” – , Mário Alves endureceu o discurso quando se referiu – sem nunca pronunciar o nome – a José Carlos Mendes.

“Anda aí esse senhor caído do céu, que quer chegar ao céu, sem passar no purgatório e, que quando esteve na Câmara não teve energia para fazer nada e agora tem energia para tudo”, sustentou Mário Alves, ao mesmo tempo que também disparou na direcção dos que querem construir grandes obras – piscinas, centros escolares e pavilhões multiusos – porque querem “criar elefantes brancos que amanhã não irão servir ninguém”.

O candidato social-democrata fez ainda eco do “baixo” endividamento camarário e mostrou-se orgulhoso por o município ocupar “o 5º lugar no ranking dos 308 municípios com menor endividamento per capita”.

Sublinhando que os projectos adversários “não são para o concelho”, mas sim para “correrem com o Mário Alves da Câmara Municipal”, o candidato apelou ao voto, para poder continuar à frente dos destinos do município numa luta contra os lobbies e a comunicação social.

“Vocês não vêem o Mário Alves a jantar e a almoçar com directores de jornais”, frisou.

 

Henrique Barreto/Liliana Lopes

N.R: A publicação das breves reportagens dos comícios de encerramento da campanha eleitoral e as respectivas imagens, obedece ao critério da ordem com que as três candidaturas aparecem nos boletins de voto.

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