Capela de S. José ameaça ruir em Gavinhos de Cima

 

Datada da segunda metade do século XVII e ornamentada com uma pedra de armas na fachada, a Capela de S. José, em Gavinhos de Cima pode ter os dias contados a comprovar pelo elevado estado de abandono a que tem estado sujeita há mais de três décadas.

Localizada em pleno centro da localidade de Gavinhos de Cima, freguesia de Oliveira do Hospital, a Capela de São José ameaça ruir a qualquer momento.

Sem grande parte do telhado, o monumento religioso encontra-se sem o seu espólio e está invadido por um denso matagal.

O caso que não passa ao lado da população, continua contudo sem resolução à vista, já que se trata de uma capela do domínio privado que, na década de 60 fora pertença da família do general Santos Costa e que, nos anos 80, teve intenções de transferir a capela para a rua 5 de Outubro, na cidade de Oliveira do Hospital.

Tal pretensão que tinha associada a doação daquele terreno para a localidade, acabou contudo por não ter efeito prático devido à oposição de alguns populares. Desde essa data, as pedras da capela encontram-se numeradas.

“A população de Gavinhos de Cima ficaria mais pobre se visse perder a capela”, afirmou ao correiodabeiraserra.com, José Maria Azevedo que, preocupado com o estado a que a capela chegou, decidiu dar uma maior dimensão ao caso, chegando a expô-lo na blogosfera. Residente em Lisboa, mas com raízes em Oliveira do Hospital, José Maria Azevedo não se conforma com a “incúria dos privados e poder autárquico” que nos últimos anos conduziu a capela ao estado em que atualmente se encontra.

A este diário digital, José Maria Azevedo garante já ter batido a várias portas no sentido de colocar travão à degradação da capela, mas segundo disse, deparou-se com uma enorme falta de informação. “Falei há uns anos com um responsável da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital que me disse que a capela estava em processo de classificação municipal”, contou, garantindo que o que move é apenas o interesse que tem pela preservação do património religioso da localidade, garantindo nem sequer conhecer os atuais proprietários da capela e terreno envolvente.

Consciente dos custos que poderão estar associados ao restauro do imóvel de culto religioso, José Maria Azevedo apela a que, pelo menos no imediato, seja aplicada uma cobertura na capela e reforçada a sua estrutura, porque “quando ruir já não há nada a fazer”. “E não falta muito para cair”, avisou.

“A capela está em boas mãos e irá ser recuperada com calma e rigor”

Responsável pelo espaço nos últimos dois anos, António Duarte – adquiriu a propriedade e capela com Fernando Brito – revelou ao correiodabeiraserra.com a intenção de recuperar a capela logo que “houver disponibilidade e interesse de outras entidades”.

“Somos sensíveis ao património religioso, mas estas coisas envolvem muito dinheiro”, referiu António Duarte, sem contudo deixar de lamentar que, ao fim de tantos anos de abandono, só agora tenha sido levantada esta preocupação.

Duarte lembra que o imóvel e espaço envolvente só se encontra na sua posse e de Fernando Brito há cerca de dois anos e que, desde essa altura, já foi feita a limpeza do terreno. “Estas coisas têm o teu timing”, alertou, informando porém nunca ter sido contactado pela Câmara Municipal e IGESPAR no sentido de dar uma solução ao problema.

Aberto a “propostas concretas”, António Duarte avisa ainda que não funciona “sob pressão” e alerta para “casos gritantes” que existem no concelho, no que respeita ao estado de abandono em que se encontra “muito património natural e religioso” da responsabilidade da Câmara Municipal.

Ainda no que à capela de S. José diz respeito, António Duarte assegura que “está em boas mãos e irá ser recuperada com calma e rigor”.

Não deixa ainda de lamentar que tal como agora, os populares não se tenham oposto à retirada do espólio da capela para outra congénere localizada no concelho oliveirense.

O restauro da capela é também uma pretensão partilhada pela população local que, todos os dias dá de caras com um “espaço morto” e “à espera de ruir”. “As pessoas gostavam que a capela fosse restaurada”, afirmou Paulo Alexandre Brito ao correiodabeiraserra.com, lamentando porém que a intenção de transferência para a cidade não se tenha concretizado, porque se assim fosse “hoje podíamos ter ali uma boa associação”. Afastada a possibilidade, o popular espera que a capela seja dignificada. “Se tem dono deveria ser recuperada”, frisou.

A par da situação, também o presidente da Junta de Freguesia de Oliveira do Hospital espera que seja dada uma resposta atempada à capela que ameaça ruir. “É do interesse da Junta de Freguesia que a capela seja restaurada, mas é algo que nos ultrapassa”, afirmou Nuno Oliveira.

Contactada pelo correiodabeiraserra.com, a vereadora do pelouro da Cultura da Câmara Municipal informou que a capela consta de uma listagem de património que se encontra em fase de estudo para possível classificação de interesse municipal.

Graça Silva lembrou, porém, que a Capela de S. José é do domínio privado e que caberá sempre aos seus proprietários contactar a autarquia caso haja pretensão de classificação do imóvel a património municipal.

“Só depois desse contacto é que poderemos analisar a situação”, afirmou, dando conta da “total disponibilidade” da autarquia para colaborar no necessário restauro da capela. Advertiu porém que “até ao momento não foi feito qualquer contacto por parte dos proprietários”.

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