Cárie dentária – o inimigo número um dos dentes a combater. Autor: Pedro Mesquita

A cárie dentária é, de todas as doenças que afetam o Ser Humano, a de maior prevalência (mais frequente). Pode surgir logo nos primeiros anos de vida e, em alguns países, representa um significativo problema de saúde pública. No nosso país, apesar de se terem vindo a observar melhorias nos últimos anos, ainda constitui um problema importante em determinadas zonas do país, em determinados grupos etários e em determinados grupos da população. Afeta, de uma forma geral, todas as populações e, se não for tratada, provoca a destruição dos tecidos duros do dente (esmalte, dentina e cemento), sendo uma das principais razões da perda dentária. É uma doença de etiologia multifatorial, causada por variados fatores, fatores esses que podem ser subdivididos em fatores primários ou essenciais, que são os fatores sem os quais a doença não se inicia nem se desenvolve, e em fatores secundários ou modificadores, que são os fatores que influenciam e condicionam a evolução das lesões de cárie.

Os fatores primários são o próprio dente, os microrganismos (bactérias) e o ambiente (entre outros a presença de nutrientes que podem ser utilizados pelos microrganismos e cuja decomposição leva à produção dos ácidos que destroem os dentes). Os fatores secundários são a higiene oral, a exposição ao flúor, o estado de saúde geral, os fatores socioeconómicos, a predisposição genética e os cuidados de saúde oral. A prevenção é a forma mais eficaz de abordar esta doença. Deve começar nas idades mais precoces com a instrução de hábitos corretos de higiene oral e de dieta alimentar não cariogénica, isto é, não favorável ao desenvolvimento da lesão.

Assim, devemos:

  • Lavar os dentes pelo menos 2 vezes ao dia com um dentífrico fluoretado e uma escova de dureza média, durante 1 a 2 minutos. Uma das escovagens deve ser, obrigatoriamente, à noite, antes de deitar.
  • A escovagem deve ser feita em todas as superfícies dentárias com movimentos circulares ou verticais e no dorso da língua (parte da língua voltada para a cavidade oral).
  • Utilizar, diariamente, o fio dentário ou um escovilhão interdentário.
  • Ter uma alimentação variada e equilibrada, privilegiando o consumo de frutas e legumes e evitando o consumo de alimentos e bebidas açucaradas sobretudo entre as refeições. Deve consumir-se, preferencialmente, água.
  • Visitar regularmente, uma a duas vezes por ano, o médico dentista/médico estomatologista.
  • Avaliar com o médico dentista/médico estomatologista a necessidade de utilização de suplementos de flúor e/ou a aplicação de selantes de fissuras para a prevenção da cárie. O flúor é um elemento que tem a capacidade de inibir a formação da cárie devendo, no entanto, ser usado com moderação devido à sua toxicidade.

Pedro Mesquita_SPEMDAutor:  Pedro Mesquita, presidente da Sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicina Dentária

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  • José Pinto

    Parabéns Dr.º Pedro
    Um grande Abraço

    José Pinto