“Vou continuar a responsabilizá-lo por isso. O senhor entende que o desenvolvimento é alcatroar estradas, fazer rotundas e gastar muitos milhares de contos nessas obras…

Carlos Maia considera presidente da Câmara de “incapaz”

…o senhor está a falhar… continuam a vir empresas para concelhos vizinhos, a criarem-se centenas de postos de trabalho e Oliveira do Hospital continua a definhar”.

Foi neste termos – naquela que foi a intervenção mais inflamada da noite –, que o deputado municipal do PS, Carlos Maia, se dirigiu ao presidente da Câmara de Oliveira do Hospital na Assembleia Municipal (AM) de sexta-feira, dia 27 de Junho.

Aquele que é considerado como um dos principais “pontas de lança” do PS na AM, foi o protagonista do maior ataque político feito ao presidente da Câmara e, na bancada do PSD – de onde não proveio nenhuma intervenção durante toda a sessão da assembleia –, ouviam-se algumas manifestações de desagrado. Mas de dedo em riste e de semblante carregado, Maia continuou a elevar o tomo de voz e a desferir um longo rosário de duras críticas a Mário Alves. “O senhor não está cumprir as suas funções… alcatroar é fácil… nada de novo vem para Oliveira do Hospital para criar riqueza e gerar postos de trabalho. Não venha dizer que a culpa é do Governo, porque essa já não pega”, prosseguiu aquele membro da AM, que chegou ao ponto de classificar Alves como um “incapaz”.

“O senhor quer é colher votos fáceis com obras de encher olho, mas os oliveirenses já estão a começar a abrir os olhos”. Referindo que lhe chegou “aos ouvidos” que “houve pequenas empresas a querem instalar-se no Pólo Industrial da Cordinha” e que a Câmara “não deixou instalar”, Maia insurgiu-se ainda contra a ausência do autarca social-democrata “em reuniões de alto nível com membros do Governo”, nomedamente com o secretário de Estado Paulo Campos. “O senhor está a marimbar-se… manda o seu vice-presidente. O senhor está a demitir-se de servir o concelho. Um bom oliveirense que o senhor não é, jamais faltava a reuniões desse teor. O senhor não é um bom oliveirense “, concluiu o antigo colega de vereação de Mário Alves nos executivos de Carlos Portugal.

Presidente de Meruge põe água na fervura

Para o autarca de Meruge, que, antes de começar a sua intervenção, sublinhou ironicamente que a bancada do PS iria porventura interpretar “mais uma vez” as suas palavras como uma posição “de defesa” de Mário Alves, é saudável que a política seja feita com “acutilância”, mas também deixou no ar a ideia de que não se podem ter dois pesos e duas medidas.

João Abreu serviu-se do facto de o deputado do PS, Rodrigues Gonçalves, ter feito uma alocução elogiosa sobre as obras rodoviárias que o Governo vem anunciado para a região, para referir que “o alcatrão é mau” se for a Câmara a fazer alcatroamentos “enquanto que “o alcatrão é bom mas se vier do Governo”.

Elogiando a actividade do executivo camarário de Mário Alves em vários domínios, o autarca da CDU disse por exemplo que dos vários concelhos do país que conhece “não há nenhum com tanta actividade” em termos de exposições e lançamento de livros que vêm acontecendo na Casa da Cultura César Oliveira. Abreu destacou ainda a importância do apoio financeiro que a autarquia oliveirense vem concedendo ao desporto concelhio e frisou que “não há aqui à volta nenhum concelho que tenha uma equipa com a pujança do Sampaense ou das equipas de hóquei em patins”.

Em matéria de “alcatrão”, o presidente da Junta da CDU congratulou-se com a adjudicação da estrada entre “Meruge e Lagares da Beira”. “É uma estrada que responde a uma carência latente destas populações, porque – conforme sublinhou aquele autarca – “as pessoas que utilizam aquela estrada diariamente têm vários prejuízos para a sua economia” ao nível do desgaste dos automóveis.

Presidente da Câmara diz que não consegue criar empresários

Num tom aparentemente sereno, Mário Alves reagiu às acusações de Carlos Maia, começando por afirmar que “o Governo com o presidente da Câmara de Oliveira do Hospital para folclore não conta… para reuniões de trabalho lá está”. Dando conta de que, à semelhança do que aconteceu com os restantes autarcas da região, também ele esteve recentemente em Coimbra numa reunião de trabalho com o Primeiro-Ministro e alguns membros do seu governo, Alves salientou que contrariamente a outros autarcas que “elogiaram o Governo”, ele não tinha razões para o fazer. “Disse ao senhor Primeiro-Ministro que ainda não tinha sentido a acção do Governo em Oliveira do Hospital”.

Especificando que “sobre as tão apregoadas acessibilidades até ao final de 2009 não vai haver qualquer obra física no concelho de Oliveira do Hospital, a não ser os caminhos” de que a Câmara é acusada de andar a alcatroar, Alves elencou um conjunto de questões sobre as quais disse ter manifestado a sua preocupação naquela reunião, como por exemplo a indefinição que continua a pairar em torno do SAP do Centro de Saúde de Oliveira do Hospital, o mapa judiciário e, ainda, o processo relacionado com a Escola Superior de Tecnologia e Gestão.

Num tom irónico – e referindo-se implicitamente a algumas afirmações proferidas na comunicação social pelos socialistas António Campos e José Francisco Rolo –, Alves também deu a entender que tanto é preso por ter cão como por não ter. “Ouço aí a dizer a uns que ando a colocar lâmpadas nos caminhos e nos becos… e a outros ouço dizer que o concelho está transformado num estaleiro de obras. Afinal em que é que ficamos?, perguntou o edil oliveirense.

Já sobre a questão do desenvolvimento, Alves levantou a bandeira da Educação para considerar o sector como um dos principais “factores” de desenvolvimento, sustentando que pede “meças a qualquer outro concelho aqui da região em termos de educação”.

Direccionando a maior parte do seu discurso a Carlos Maia, Alves enumerou ainda várias iniciativas que a Câmara tem vindo a promover em termos empresariais – como, por exemplo, o Programa “Empreender +”, o “Oliveira Finicia” –, e deixou uma explicação quanto ao facto de Oliveira do Hospital ser um dos concelhos da região onde nos últimos anos não se tem assistido ao aparecimento de empresas com relevante capacidade empregadora.

“Há uma coisa que nós não criamos, é empresários. Podemos é agitar as águas”, observou o autarca, que na réplica às contundentes críticas lançadas por Maia, ainda arranjou tempo para deixar uma “piada” ao deputado socialista. “Disse aí que eu não era um bom oliveirense… cabe aos oliveirenses fazer esse julgamento e os oliveirenses têm feitos julgamentos positivos”.

Carlos Maia não ficou no entanto satisfeito com as explicações de Alves e voltou ao púlpito da AM, para desafiar o presidente da Câmara a fazer uma “comparação” com o que se passa “nos concelhos vizinhos”. Para mim, desenvolvimento não é só isso… o senhor presidente da Câmara tem mostrado ao longo dos anos a sua incapacidade”, sentenciou.

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