No dia em que prestou homenagem à benfeitora fundadora da instituição – foi colocado um busto em bronze à entrada da instituição – a direcção da Obra D. Josefina da Fonseca, com sede em Oliveira do Hospital, tornou públicos os projectos que pretende pôr em marcha.

“Casa da Obra” quer alargar intervenção a idosos e à protecção ambiental

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A remodelação da casa da mãe, a prestação de novos serviços destinados a idosos – Centro de Dia e Noite – a criação de uma empresa de inserção na área agrícola e de uma central foto voltaica, foram esta tarde apresentados como objectivos a que a actual direcção, liderada por Clara Caçador se propõe atingir.

“É um dos nossos objectivos criar autonomia institucional”, referiu a responsável pela Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) que tem a seu cargo 170 crianças, contando para o efeito com os serviços de 30 funcionários. Numa visita pelas instalações da Instituição, que contou com a presença do Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto e do presidente do município de Oliveira do Hospital e ficou marcada pela ausência do director distrital da Segurança Social de Coimbra, Mário Ruivo, a direcção da instituição até agora dedicada à infância abriu as portas dos dois novos edifícios construídos recentemente e agora usados provisoriamente, para acolher as crianças, dado que a casa mãe vai sofrer obras de modernização e ampliação.

O edifício conhecido por “Casa da Obra” foi legado à Igreja, em 1945, por vontade expressa de Josefina Fonseca em testamento. Trinta e dois anos depois foi constituída uma instituição de utilidade pública, tendo em 1981 recebido o estatuto de Instituição Particular de Solidariedade Social. Em 1985 foram definidos os estatutos.

Representante local da igreja e, por conseguinte da IPSS, António Borges recordou todo o contexto que levou a benfeitora a doar a sua própria casa de habitação e terrenos envolventes à igreja, com o objectivo de aí ser criada “uma obra de protecção à criança e formação doméstica”. “D. Josefina deve alegrar-se pela peregrinação diária de 170 crianças pelos corredores da sua casa”, referiu o pároco de Oliveira do Hospital, deixando no ar o receio de a situação poder vir a mudar, tendo em conta as últimas notícias que poderão por em risco a sobrevivência dos ATL. “As IPSS têm reconhecida competência” considerou, questionando se “as instituições públicas são melhores e gastam menos do que as privadas?”. “Até quando os pais se verão impedidos de escolherem as escolas dos seus filhos?”, perguntou António Borges.

A ausência de Mário Ruivo na cerimónia não impediu que os “recados” que já lhe estavam preparados lhe fossem dirigidos. “Todos sabemos que uma casa residência com mais de 100 anos não tem condições para albergar 170 crianças. São instalações provisórias que durante 65 anos serviram com eventuais melhorias. A obra tem flagrante utilidade para se dispensar. Contamos com o contributo das entidades oficiais”, sustentou António Borges.

O bispo D. Albino Cleto também não poupou elogios à benfeitora que classificou de “grande mulher “ e deu  ênfase no “empenhamento da comunidade” que deu seguimento ao legado deixado por Josefina da Fonseca. Mas, alertou para o facto de esse empenhamento se estar a perder. Apelou à mobilização da comunidade, para que em Oliveira do Hospital se possa sentir – como frisou – “que isto é nosso, é vosso e não apenas de quem deu”.

“Há aqui uma visão”, considerou presidente da Câmara

“Tivemos oportunidade de verificar que há aqui uma visão”, afirmou o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, assemelhando-a “aos projectos de visão” candidatos a fundos comunitários. “É importante que assim seja”, acrescentou Mário Alves, notando que “vai agora haver uma oportunidade de a obra avançar porque vão haver apoios para as energias consideradas limpas (referência à central foto voltaica)”. Lembrou também que vão “existir disponibilidades financeiras para a reconversão da casa mãe e para a criação do projecto para idosos que é de capital importância para a cidade”. Na opinião de Alves – que voltou a frisar que no que diz respeito ao social, o município “está na linha da frente” – o concelho “não pode ficar acoitado a essa ideia”. “Temos que fazer mais e melhor”, realçou.

O presidente do município dirigiu “uma palavra de estímulo” à direcção da IPSS, com a garantia de que a Câmara Municipal que preside estará disponível para “o diálogo e concertação para que os projectos sejam uma realidade”, tendo em conta as candidaturas ao Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN).

Também o autarca se mostrou crítico face à ausência de representação do governo. É que, na opinião de Mário Alves, este tipo de projectos “deveriam ter uma contribuição tripartida – IPSS, governo e autarquia – para que possam ser uma realidade”. “Se não forem estas casas, estamos a contribuir para uma sociedade diferenciadora e nós trabalhamos e lutamos pela inclusão”, concluiu.

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