Casal da Sobreda engrossa lista de beneficiários do RSI

… há 117 pessoas nessas condições. Tome-se o exemplo do casal Campos que, nem com o RSI consegue fazer face às dificuldades e está, por isso, afastado dos dois filhos mais velhos.

Maria Adélia e Rui Campos, residentes na Sobreda, são uma das 43 famílias que na totalidade da freguesia de Seixo da Beira beneficiam do Rendimento Social de Inserção.

Na casa onde habitam, na rua das Carvalhas, as necessidades saltam à vista, com a agravante de apenas um dos três filhos permanecer com o casal, já que os outros dois foram encaminhados para colégios em Condeixa e Figueira da Foz por decisão do tribunal. A morar no espaço que em tempos era usado para guardar a burra e a carroça dos pai de Maria Adélia, o casal Campos dá sinais de uma vivência que não se compadece com o mínimo exigível numa era que se diz moderna, embora o cenário se vá repetindo um pouco por todo o concelho.

Aos 40 anos, Maria Adélia não sabe o que é trabalhar por conta de outrem, já que nunca esteve empregada e também não trabalha no campo porque – como confessou ao Correio da Beira Serra – “nuca foi habituada a isso”. Contou que sempre “foi muito fraquinha” e tem tido vários problemas de saúde, recordando que em pequena “nem sequer desenvolvia” e até chegou a estar internada no hospital. Na escola, o percurso também não foi famoso, porque confessa não saber ler, porque nem concluiu a primeira classe.

Conhecida na Sobreda como a filha do senhor Barreiras, Maria Adélia foi criada no Moinho do Buraco, onde a mãe ganhava sustento para a família – sete filhos no total – como moleira. Agora penalizada pelo afastamento do que o convívio popular tem de melhor – a socialização – Maria Adélia tem intenção de dar novo rumo à vida, porque quer reaver os filhos com quem se encontra apenas nas férias escolares. Contudo, confessa que precisa da ajuda da Segurança Social para poder realizar obras em casa e assim reatar a família. “Esperar” é a palavra de ordem de Maria Adélia que também quer que a família ponha em seu nome o sítio onde habita, porque caso contrário não poderão ser realizadas as melhorias.

“Quase que foram (os filhos) para a adopção”

À mulher que não consegue esconder os sinais de fragilidade física, tem valido o marido Rui, serralheiro de profissão na Sobreda. Mas – como contou – “ele teve um enfarte e tem estado de baixa médica”. Pesem embora as dificuldades, Maria Adélia garantiu ao CBS que a família nunca passou fome, sublinhando que para isso muito contribuiu o dinheiro que recebe do RSI, sem saber revelar a quantia exacta que lhe é atribuída.

Conformado com o dia-a-dia de que dispõe, o casal tem “atravessado no coração” o rosto dos filhos que – como disse a esposa – “quase que foram para adopção”. “Queriam-me levar os meus meninos”, lamentou, garantindo que “nunca passaram fome e andaram sempre bem tratados”. “O que haveria de ser de mim e dos meus filhinhos”, sustentou Maria Adélia que não vê a hora de a Segurança Social lhe mandar arranjar a casa para poder reunir de novo a família.

Na casa onde reside o casal Campos, faltam as condições mínimas de sobrevivência, como sejam uma casa-de-banho, bem como um tecto e paredes que impeçam a entrada da chuva e do vento. A humidade é visível por todo o lado e a única torneira da casa encontra-se logo à entrada do portão. Na casa – onde não faltam o frigorífico, nem a televisão – existe apenas um quarto dividido por um cortinado que separa a cama do casal, do beliche onde dorme o único filho, de seis anos, que têm à sua guarda. A filha de 14 anos frequenta um colégio na Figueira da Foz e o filho de 10, frequenta um outro em Condeixa. “Ainda no domingo o lá fomos ver de táxi e ele queria vir embora connosco”, disse desgostosa.

Liliana Lopes

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