Agressão e abuso na escola causam alarmismo em Oliveira do Hospital

Pelas várias escolas do Agrupamento de Escolas do concelho sucedem-se episódios de violência entre os alunos. O alerta partiu do seio da Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital onde foi tornado público um caso de sodomia.

“São atos alarmantes e graves demais para ficarem pelo silêncio”, assim referiu sexta feira à noite o presidente da Junta de Freguesia de Oliveira do Hospital numa altura em que tornava público um conjunto de situações reveladoras do estado da escola pública no concelho, decorrentes de alegadas falhas na vigilância dos alunos.

Em particular, Nuno Oliveira – que teve o cuidado de não concretizar casos e falar de uma modo abrangente – denunciou “atos de violência entre alunos”, em que os “portadores de deficiência e mais pequenos são as maiores vitimas”, bem como casos de “bullying, racismo, xenofobia e atos de mutilação”. Situações que o autarca entende serem “reflexo do ensino após a constituição do mega agrupamento” que classifica de “atentado ao ensino público”.

“É esta a escola atual que temos”, referiu sem reservas Nuno Oliveira que, conhecedor desta realidade, decidiu “tornar esta situação pública para não ficar com peso na consciência”.

Acabou, porém, por ser o deputado socialista Rodrigues Gonçalves a provocar agitação maior no seio da Assembleia ao denunciar a existência de um caso de sodomia numa escola do concelho “que se deve à falta de vigilância”.

Uma denúncia que a juntar à primeira, criou verdadeiro mal estar entre os vereadores da Câmara Municipal. A vereador do PSD que é também delegada regional dos estabelecimentos escolares chegou mesmo a trocar impressões no exterior da sala onde decorriam os trabalhos com o deputado do PS e elemento da Comissão Administrativa Provisória (CAP) do Agrupamento de Escolas de Oliveira do Hospital. À primeira oportunidade, Carlos Carvalheira assumiu voz na Assembleia para apelar à “contenção verbal” quando o assunto é a educação e a desaprovar o facto de os problemas da escola estarem a ser expostos na Assembleia. “Os assuntos da escola são da inteira responsabilidade da escola e os problemas são de resolução interna”, frisou o eleito socialista.

“Bastante triste com o momento que foi retratado”, a vereadora da Educação Graça Silva comungou das palavras de Carvalheira, defendendo a resolução interna das situações que estão “a seguir os trâmites legais”. Num momento de evidentes dificuldades para a escola pública, Graça Silva fez questão de se “solidarizar com o trabalho do CAP que tem sido bastante meritório face àquilo que é o maior agrupamento do país”. Não poupou, por isso, a vereadora do PSD, Cristina Oliveira, pela “anuência” que assumiu no processo de constituição do mega agrupamento – “o maior do país, com quase três mil alunos, 300 professores 110 funcionários”, frisou – levado a cabo pelo Ministério de Educação e Ciência. “Aumentaram os problemas”, disse Graça Silva.

“Há famílias, mães e pais a sofrer com isto”

“Este assunto é sério de mais para ficar dentro da escola”, insistiu o presidente da Junta de Freguesia de Oliveira do Hospital, preocupado que está com o facto de “estes atos” que “afetam famílias no seu todo” não terem fim. “Escolas onde não há liderança estão a sentir efeitos de desgraça. Pode criar danos irreversíveis em seres humano. Para que não se alastre, espero que isto tenha servido. Há famílias, mães e pais a sofrer com isto”, referiu Nuno Oliveira.

Do mesmo modo, também Rodrigues Gonçalves não se mostrou disponível para seguir o exemplo da avestruz.. “Não foi por acaso que levantei o problema (sodomia). A mãe de um aluno chamou atenção da escola, de que a criança andava desestabilizada emocionalmente e só quando a coisa rebentou e a GNR apareceu é que deitaram as mãos à cabeça”, pormenorizou o deputado socialista.

Numa reunião, onde a responsável regional da Educação preferiu reservar-se ao silêncio, foi o deputado do PSD que saiu em defesa da vereadora, acusando os socialistas de estarem a “usar a Drª Cristina Oliveira”. Dando o seu testemunho enquanto diretor de uma escola com 500 alunos, Luís Correia disse que “não se conseguem evitar estas situações”. “Não acontecem por falta de vigilância”, assegurou o social-democrata, apelando aos socialistas para que “não façam política com os alunos, deixem os alunos em paz”.

Abordado pelo correiodabeiraserra.com, o presidente da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens não escondeu preocupação em tornos dos episódios de violência e do caso de sodomia verificados no Agrupamento de Escolas de Oliveira do Hospital. José Francisco Rolo assegurou, porém que os mesmos estão a seguir os trâmites legais. Sobre o caso de sodomia, este diário digital sabe que o mesmo já foi reportado ao Tribunal de Oliveira do Hospital. Segundo foi possível apurar, o caso terá ocorrido num ex agrupamento, que não o da cidade, sendo o suposto abusador/ agressor um jovem estudante já sinalizado pela CPCJ.

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  • Papa oliveirense

    Como é óbvio há conclusões a tirar de uma situação destas e muitas mais que andam escondidas.
    1.º- Responsabilizar politica e civilmente a pessoa que criou este absurdo de agrupamento, a Dr.a Cristina Oliveira. Demita-se do cargo de delegada regional e sr. Encarregada de Educação do menino supostamente sodomizado coloque a Sr. em tribunal e peça elevada indemnização, a ela e ao secretário de estado.
    2.º – Tratando-se de um caso de justiça e que envolve menores façam todos os favor de preservar a identidade das crianças e deixem a justiça provar o que ainda não está provado. O Sr. Rodrigues Gonçalves deve ter especial cuidado devido à proximidade dos factos e não fazer o sacrifício do aluno, supostamente agressor, que não passa de um jovem adolescente com muitos problemas (mentais inclusive).
    3.º – Sr. membros da CAP deixem de se preocupar com os favorecimentos pessoais no que toca a colocação de professores dentro do mega. Todos os membros da comunidade educativa sabiam que a situação destes miúdos era uma das mais problemáticas do mega. A vossa decisão foi, como fica longe, deixem-nos estar sozinhos. Vamos antes colocar os poucos professores que temos do EE aqui em Oliveira, mesmo que seja para apoiar alunos com necessidades educativas especiais. Sim a culpa é também vossa. Uma só palavra demitam-se e acabem com esta suposta normalidade de agrupamento. É impossível ou humano conseguir gerir este agrupamento. Ponto Final.
    4.º – Devolvam o problema a quem o criou, a demissão em bloco da CAP teria o efeito de alertar os governantes para a gravidade da situação criada por rancor/ oportunismo político de alguém supostamente ligado a Oliveira. A eleição do futuro diretor está eminente e nessa altura deixarão de continuar a mandar no vosso reino. Façam algo de útil por oliveira e acabem com esta megalomania.

    5.º- APOH tomem medidas pois nem só de aecs vive o concelho. Eu já tinha avisado e mais há pelo caminho basta ir ao antigo ABGM para verificar o que se passa a nível de indisciplina.

  • victoria

    Realmente é de lamentar que estas coisas aconteçam numa escola, onde não se pode apontar um culpado pois tratam-se de crianças se existe um culpado esse culpado é o nosso governo que pôs as escolas no estado em que se encontram
    é pena que isto que esta a acontecer não seja num dos filhos dos nossos governantes ( que estudam em escolas privadas com dinheiros públicos) que tem a lata de dizer que está tudo bem na educação, quando não há pessoal suficiente para se fazer vigilância e o trabalho nas escolas publicas.
    Sinto me solidaria com as familias e revoltada com esta situação.

  • João

    De escolas que nem se quer se preocupam com o futuro de certas e determinadas crianças com necessidades educativas especiais, já espero de tudo.

    Pois caros PROFESSORES, é da vossa responsabilidade que estas crianças tenham o mínimo necessário para uma inclusão social aceitável, tal como LER e ESCREVER coisas que nem se dignam a assegurar em crianças que á anos por ai andam e que pelos vistos são invisíveis aos vossos olhos.

    De salientar que este é já um problema antigo, mesmo anterior á formação do mega agrupamento.

    Conclui-se assim, que o problema está enraizado numa falta de sensibilidade global que por estas aldeias, vilas e cidades deste nosso país ainda reina.

    E ainda criticavam as avaliações dos professores….