CAULE denuncia “acto condenável” praticado contra uma tília e três castanheiros

O episódio remonta ao passado mês de Fevereiro e, segundo denúncia comunicada ao correiodabeiraserra.com, teve como protagonistas os “funcionários da Junta de Freguesia de Santa Ovaia” que “resolveram decepar barbaramente uma tília e três castanheiros”.

O caso não passou incólume aos olhos da CAULE – Associação Florestal da Beira Serra que, não encontrando razões para tal atentado, chega a equacionar que “se tratou pura e simplesmente de um acto de ignorância”.

“A Tília, com 60/70 anos estava em bom estado vegetativo, não apresentando quaisquer sinais de declínio”, assegura a Associação Florestal, garantindo que a respectiva copa estava “bem formada” e “não dificultava, nem causava nenhum transtorno”.

Tomando por base o sucedido na Ponte das Três Entradas, a CAULE disponibiliza-se para desempenhar o papel de consultor das Juntas de Freguesia e outros interessados, “para que actos desta natureza não se repitam na nossa região”. É objectivo da Associação Florestal possibilitar que todos usufruam “com qualidade deste espaço que a todos pertence”.

Sobre esta matéria, a CAULE remete para o parecer emitido por Francisco Coimbra, consultor em arboricultura ornamental e antigo vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Arboricultura. O especialista esclarece dos malefícios provocados pelas “podas radicais” e “rolagens” que, como assegura, “não” rejuvenescem, nem fortalecem as árvores.

“A poda radical é um acto debilitante, uma porta aberta às enfermidades. As pernadas duma árvore massacrada têm, pelo seu grande diâmetro, dificuldade em “cicatrizar”, e os cortes nestas condições são muito vulneráveis a ataques de insectos e fungos que causam podridões”, esclarece Francisco Coimbra, garantindo que, os cortes radicais também não tornam as árvores menos perigosas, nem são a melhor solução para as controlar em altura.

De acordo com o especialista, a poda radical também não é a mais barata, porque – como explica, “a economia de curto prazo”, conduz à desvalorização das árvores e à oneração do futuro.

“A redução drástica da esperança de vida das árvores implementa custos acrescidos para sua remoção e substituição”, refere Francisco Coimbra, aconselhando uma gestão do património arbóreo pensada a médio e longo prazo, com investimento na formação do pessoal ou recorrendo a profissionais especializados nas situações mais complexas.

O correiodabeiraserra.com tentou entrar em contacto com a Junta de Freguesia de Santa Ovaia para apurar das razões que estiveram na origem do acto denunciado, mas até ao momento as tentativas revelaram-se infrutíferas.

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