CCAM encerra 2010 com prejuízo de 963 mil Euros e pedido de demissão de 41 sócios

Naquela que deverá ser uma das mais participadas Assembleias Gerais, marcada para as 19h00 de 28 de março, os sócios da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo (CCAM) de Oliveira do Hospital vão ser confrontados com aquele que já é entendido como o pior resultado obtido por aquela instituição financeira desde que iniciou a sua atividade, há 25 anos.

Em causa, está um prejuízo de 963 mil Euros relativo ao exercício de 2010, ano em que a CCAM oliveirense começou a ser intervencionada pela Caixa Central, em particular pela mão dos administradores Armando Alves e Jorge Machado.

O cenário tende, ainda, a ser mais grave se àquele prejuízo se adicionarem os 122 445 Euros relativos à proposta de demissão de 41 associados e à redução de capital de outros seis. A ser aprovada, tal proposta representa um agravamento de mais três por cento no prejuízo obtido pela CCAM no ano transato.

Ainda que a saída de sócios seja uma realidade prevista por aquele estabelecimento bancário, a mesma sempre foi colmatada pela entrada de novos associados, pelo que nunca a saída de sócios implicou tamanha perda de capital social para a CCAM. Sublinhe-se, a termos de exemplo, que em 2009 a saída de 24 sócios foi facilmente sanada com a admissão de 79 associados.

Para além de emitir sinais de reduzida atratividade no universo de potenciais sócios e clientes, a CCAM está também a seguir uma política de aplicação de spreads que, além de não ser atrativa é ainda sinónimo de repulsa.

Tendo já motivado – de acordo com informação apurada pelo correiodabeiraserra.com – a apresentação de queixas junto do Banco de Portugal, a política seguida pela equipa de dois administradores primou pelo aumento da taxa de crédito e diminuição das taxas de depósitos.

Créditos são mais caros para os clientes de Oliveira do Hospital

Para além de aumentarem a média da taxa de crédito de 4, 17 por cento (em 2009) para 4,53 por cento (em 2010), os administradores provisórios da CCAM chegam a confrontar os clientes – de acordo com o relatório e contas do exercício de 2010 – com uma taxa que se situa muito acima das taxas médias praticadas pelas outras caixas do Sistema Integrado do Crédito Agrícola Mútuo (SICAM) e que se situam nos 4,28 por cento.

Na prática, os clientes da Caixa de Crédito de Oliveira do Hospital estão a pagar mais pelos mesmos créditos que outros clientes do SICAM. Irreversivelmente, e de acordo com o que este diário digital apurou, tal facto está a obrigar muitos clientes a procurarem crédito junto de outros bancos.

Com esta medida, a equipa de Armando Alves agrava ainda a situação do crédito vencido que já afetava clientes que, à data de 2009, já manifestavam grandes dificuldades em assegurar os seus compromissos junto da CCAM. Sem condições para recorrerem aos créditos de outros bancos, os referidos clientes agravam a situação pessoal, bem como os resultados do exercício da Caixa de Crédito.

Indissociável do aumento da taxa de crédito está também a descida da taxa de depósito. De acordo com o mesmo relatório, neste momento, a CCAM paga menos pelos depósitos dos seus clientes (0.94 por cento) do que a média das caixas afetas ao SICAM (1.10 por cento). Tal situação levou à já detetada diminuição de 3 227 256 euros de depósitos efetuados em 2010.

Reportando-se ao ano que ficou marcado pelo polémico ato eleitoral que opôs os dois homens fortes da CCAM – Carlos Mendes e Carlos Oliveira –, pelo processo de intervenção, venda das antigas instalações e pelo episódio de quebra de sigilo bancário, os números que vão ser apresentados em Assembleia Geral são reveladores da débil situação que afeta a instituição bancária que, no final de 2009, era responsável por 26 por cento da quota de mercado oliveirense, traduzidos num total de 7500 clientes particulares e 400 clientes empresas. Atualmente, a quota de mercado situa-se nos 21 por cento.

Já distribuído pelos cerca de três mil sócios, o relatório e contas do exercício de 2010 já está a ser gerador de preocupação, havendo até quem receie o pior para o futuro da instituição. “Nenhuma empresa resiste a prejuízos de cerca de um milhão de Euros e à saída substancial de sócios”, referiu ao correiodabeiraserra.com um sócio da CCAM que, enquanto conhecedor de todo os processo, não tem dúvidas de que tal situação “levará a CCAM, a curto prazo, a ser insolvente”.

Responsáveis: conjuntura e o aumento do crédito vencido

Na apresentação que fazem aos sócios, os administradores provisórios Armando Alves e Jorge Machado justificam a política seguida com a conjuntura que é transversal aos mercados financeiros. “A CCAM tem vindo a desenvolver a sua atividade vendo-se forçada, por um lado, a manter a sua base de recursos a taxas muito acima do expectável e, por outro lado, com tal esforço poder ocorrer às necessidades de financiamento dos industriais, comerciantes e particulares”, adiantam na página 15 do relatório, onde identificam ainda a “evolução fortemente negativa do Crédito Vencido” como “outra forte condicionante da atividade da Caixa Agrícola”.

A regressão no montante de crédito a clientes é ainda justificada com a “liquidação de responsabilidades no montante de cinco milhões de euros, de um único cliente, que se encontrava compensado com aplicações a prazo”.

Conhecedora da realidade da CCAM de Oliveira do Hospital – Armando Alves acompanha a instituição desde há 20 anos com visitas semanais – a administração provisória justifica a entrada em vigor de taxas de crédito mais elevadas com a necessidade de ajustar os “spreads ao risco das operações ativas”. Do mesmo modo, revela o cuidado tido pela administração na “oferta de taxas assustadoramente incomportáveis” no que respeita a operações passivas. Neste domínio, a equipa de Armando Alves sublinha o facto de a CCAM não poder “ombrear com todos os bancos estabelecidos nesta praça, que lhe moveram e continuam a mover uma guerra bastante acesa, sequiosos que estão de liquidez”.

A equipa de Armando Alves traça ainda, para o corrente ano, um cenário pouco animador para alguns dos clientes da Caixa, chegando a prever que “se a economia nacional não trilhar rumo mais favorável”, aqueles “não terão outra saída que não seja por fim às atividades que desenvolvem e interromperem a satisfação dos seus compromissos”.

Através de um parecer onde dá como certo os valores apresentados pela administração provisória, o Conselho Fiscal (CF) presidido por Vitorino Carvalho regista, ainda, a preocupação da equipa de Armando Alves em “dotar esta Caixa de regras de funcionamento e de negócio bem definidas” e de “praticar uma gestão que vá de encontro às expectativas dos sócios e demais clientes”. O CF destaca ainda a criação de “bom ambiente de trabalho entre os colaboradores, e a melhoria e rentabilização dos espaços físicos de trabalho e de atendimento, particularizando o caso da delegação de Ervedal da Beira.

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