Henrique Barreto, no seu último editorial, afirma que o CDS está a desaparecer do espectro político local. Diz ainda que tal acontecimento “é uma má notícia para a política local, que cada vez mais precisa de pluralidade”.

CDS

Quero dizer ao Henrique que, como militante do CDS, lhe agradeço o comentário, que tomo como sincero e preocupado, e que aproveito para lhe apresentar a razão de tal definhamento. O CDS definha porque não tem poder e toda a gente sabe que ninguém se aproxima de partidos sem poder.

O CDS definha porque não pode oferecer nada a ninguém e, hoje, as pessoas querem "tacho". Aliás, a maioria do votante português, o oliveirense não é excepção, é um mercenário político, vota em quem mais lhe der ou prometer dar para seu benefício pessoal. O benefício público, num país onde a maioria das pessoas foge aos impostos, dificilmente será considerado na hora do voto, digo eu. Mais, toda esta história dos "tachos" só tende a agravar-se quando falamos de política local, fruto da proximidade do eleito com o eleitor.

O CDS definha porque as pessoas do CDS não querem saber do partido para nada. A maioria tem carreiras profissionais bem sucedidas e afirmação social suficiente. Os que não têm, também não têm inteligência e capacidade para pegar no partido.

O CDS definha porque sendo um partido fora do poder no concelho também é um partido sem influência no país. Não é como o PS local que não conta para nada em Oliveira do Hospital, mas conta para tudo no país.

O CDS definha porque não tem militantes que vistam a camisola do partido e que em nome dela espalhem benesses e rebuçados por instituições e associações concelhias em nome de um virtuosismo sem contrapartidas. O CDS definha porque tendo, no passado, conquistado juntas de freguesia no concelho, nunca se empenhou colectivamente em fazer um trabalho de excepção, como fez e continua a fazer, dentro do seu modelo político de que discordo profundamente, o Presidente de Junta de Meruge.

O CDS definha porque não pode nomear para os empregos públicos locais, não pode mandar fazer o alcatroamento e a abertura do caminho e quando pôde nunca o fez em seu nome, mas, como deveria ser sempre, em nome da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital.

O CDS definha porque se fartou de apresentar candidatos que considerava os melhores e mais bem preparadas para o exercício dos cargos autárquicos e que consecutivamente perdiam eleições pelo partido. Os mesmos candidatos que as passaram a ganhar quando se candidataram com outras siglas partidárias.

O CDS definha porque as pessoas se estão a borrifar para os projectos políticos, para os projectos dos partidos para o concelho, para as ideias em suma, basta reparar que o partido que ganhou as últimas eleições autárquicas nem programa eleitoral apresentou. As pessoas, insisto, querem, o que é humano, reconheço, o melhor para si no imediato, não pensam no interesse público e no que o seu mau trato pode, à posteriori, vir a prejudicar os seus interesses pessoais.

O CDS definha porque não tem público, nem maneira de chegar ao público. Enfim, não tem jornal, nem lugar na Assembleia Municipal.

Luís Lagos
Conselheiro Nacional do CDS

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