Celebrações jubilares arrancaram em Lourosa com lamento à ausência do governo

…  e da celebração da eucaristia foi notória a ausência de “alguém de nível nacional”.

“Hoje esqueceram-se de vir a Lourosa quando se comemoram 1100 anos”, afirmou esta manhã o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital momentos antes do hastear da bandeira que serviu de abertura às comemorações que vão decorrer na freguesia até 2 de setembro como forma de assinalar a imponente data.

José Carlos Alexandrino falava-se assim no espaço envolvente ao templo sagrado datado de 912 e que há muito tempo aguarda pela necessária requalificação e preservação. Um projeto estimado em 170 mil Euros e que tarda em sair da gaveta por falta de financiamento comunitário. “Temos um projeto para a requalificação, mas esperamos pelo QREN cujo financiamento já estava combinado com o anterior diretor regional da cultura”, contou José Carlos Alexandrino, lamentando ainda não ter obtido luz verde por parte do atual governo.

Governo que primou pela ausência no arranque das comemorações de 11 séculos volvidos desde a construção do templo moçárabe, único em Portugal e considerado mais antigo em território luso.

Uma ausência que o presidente da Câmara não quis deixar de notar por entender que a igreja de São Pedro de Lourosa “merecia que alguém de nível nacional, pessoas com responsabilidade governativa estivessem aqui presentes”.

“Se fosse em Coimbra ou em qualquer outra cidade teríamos lá os maiores representantes da cultura e da área governativa”, criticou.

A participar no arranque das comemorações dos 1100 anos do templo, monumento nacional desde 1916, que peca por não se fazer acompanhar pela desejada requalificação do espaço, Alexandrino disse acreditar que os trabalhos sejam uma realidade em 2013 porque “da parte do município está tudo pronto para avançar com a obra”.

Satisfeito por a efeméride coincidir com o seu mandato autárquico – “quis o acaso”, frisou – o presidente da Câmara destacou o programa de atividades que vai vigorar até 2 de setembro com vista à divulgação do que encara como “uma jóia do património”. “2012 é o ano de descobrir Lourosa e a sua história”, concluiu.

“Jóia” foi também o termo usado pelo bispo da diocese de Coimbra que momentos antes de presidir à eucaristia jubilar destacou a importância da igreja na promoção da própria freguesia.

“Esta jóia pode levar o nome desta freguesia até muito mais alto e mais longe”, afirmou o bispo Virgílio Antunes que fazendo questão de dar os parabéns à população sublinhou também a raridade do monumento. “

Não são muitos os monumentos em Portugal e no mundo que podem orgulhar-se da fundação tão recuada na história e de se manterem conservados até aos dias de hoje”, referiu.

No arranque das comemorações dos “1100 anos de história e de fé” do templo religioso, o pároco Higino Tchakala destacou a importância da “fé” na boa preservação do templo.

 “Celebramos o jubileu de 1100 anos com esta consciência de que celebramos a fé que ao longo de 11 séculos cresceu e deu frutos”, frisou, notando estar perante “um monumento histórico e importante para a nossa vida cristã”.

O pároco não deixou também de prestar reconhecimento aos “heróis da fé” e todos os que “serviram esta igreja” e que permitiram a sua continuidade. Da mesma forma Higino Tchakala revelou-se confiante na “valorização deste espaço comum”. “Nem tudo depende de vós, mas o que defendem será feito”, assegurou.

No dia em que Lourosa se engalanou para comemorar os 11 séculos da sua igreja matriz, o presidente da Junta de Freguesia lamentou que o templo ainda seja desconhecido por muitos portugueses, mas revelou-se convencido de que as celebrações jubilares se afigurem como “um ponto de viragem para que o monumento passe a ter o devido reconhecimento”.

“Temos o dever de preservar este legado”, continuou Américo Figueiredo, notando tratar-se de uma “tarefa coletiva”e onde é necessário o contributo de todos.

As comemorações dos 1100 anos da igreja moçárabe de Lourosa vão decorrer até ao próximo dia 2 de Setembro, com um conjunto vasto de atividades religiosas e culturais preparado por uma comissão organizadora da qual faz parte a igreja, a autarquia e populares.

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