Centenas de peregrinos aguardados no local de apoio do Senhor das Almas

Foi exactamente no local indicado, no terreiro que envolve a Capela do Senhor das Almas, que o correiodabeiraserra.com encontrou a equipa de voluntários, que entre 4 e 9 de Maio, presta apoio às centenas de peregrinos que, por esta altura se fazem ao alcatrão rumo ao Santuário de Fátima.

Populares, enfermeiros, religiosas, bombeiros e uma médica constituem o grupo de apoio que, dentro das possibilidades, presta auxílio a quem já percorreu, a pé, dezenas e centenas de quilómetros e tem ainda pela frente uma longa caminhada.

De forma voluntária, socorrem-se de medicamentos, alimentos e outros géneros e serviços que outras tantas pessoas e entidades disponibilizaram também sem exigência de qualquer contrapartida.

As palavras são de apoio e de ânimo. E uma vez chegados ao local, nada falta aos peregrinos que, apesar dos problemas de saúde, que vão evidenciando não recuam na decisão de chegar a Fátima pelo próprio pé.

O momento da chegada dos peregrinos é de emoção. Visivelmente cansados pelo esforço a que a distância obriga e pelo calor que se tem feito sentir, rapidamente são encaminhados para um banho quente. As refeições e a dormida também estão garantidas. Para os peregrinos que já não são novos nestas andanças, o local já é conhecido.

O apoio no Senhor das Almas é prestado há já cinco anos, motivado pelo número elevado de peregrinos que passava no local. “No primeiro ano tivemos à volta de 700 pessoas e no ano passado apoiámos 470 peregrinos”, referiu ao correiodabeiraserra.com, José Agostinho, um dos mentores do projecto, recordando que a ideia surgiu quando o padre Rodolfo era o pároco da freguesia.

Aflições motivam promessas à Virgem

Com o aproximar do dia 13 de Maio, aumenta também o número de peregrinos a pedir apoio no Senhor das Almas. Para o final do dia de hoje, a equipa espera pela chegada de algumas centenas de peregrinos.

Quem já seguiu caminho foi o grupo, que cerca das 20h00 de ontem, não resistiu ao apoio prestado no terreiro localizado à beira da EN17. Para trás ficava Mogrão, Macedo de Cavaleiros.

A partida aconteceu na passada sexta-feira e, pela frente ainda se encontra um longo caminho. Num misto de cansaço e satisfação, os peregrinos não davam ares de desânimo.

Com os pés cosidos, braços e pernas queimados pelo sol intenso, Maria Miguel de 67 anos, nem queria ouvir falar em desistir. A receber cuidados médicos, sob o olhar atento de dois bombeiros, três enfermeiras e da médica Isidora Lobo, a peregrina contou a este diário digital que, foi a primeira vez que decidiu ir a Fátima a pé, motivada por uma promessa que não quis contar.

Também com os pés bastante magoados, Maria Adelaide Herdeiro, 56 anos, disse que a sua peregrinação se devia a uma promessa que fez, quando se deparou com o cancro que afectou o marido e com alguns problemas de saúde que o neto teve logo à nascença. “Vi-me muito aflita”, contou, mostrando-se agradecida por a Virgem ter atendido os seus pedidos.

Com 58 anos, Maria Joaquina Borges decidiu integrar o grupo de peregrinos, pela emoção que a chegada ao Santuário de Fátima lhe provoca. “Já vim um ano por promessa. Este ano vim por gosto”, contou com as pernas ligadas, lamentando as dores que as varizes lhe estavam a provocar.

Na sala de tratamentos improvisada não falta o necessário para os cuidados médicos. Isidora Lobo é a única médica voluntária que desde 2006 presta apoio no Senhor das Almas. Contou que por ali passam casos muito graves. “Ainda hoje (ontem) de manhã estava aqui uma senhora com uma flebite que insistiu em continuar”, referiu, dando conta do risco que corria em sofrer uma embolia pulmonar.

A quem vai passando, Isidora Lobo dá recomendações para uma boa marcha, como o recurso a meias elásticas. A médica não escondeu o desânimo de ser a única especialista a prestar apoio no local. “Os colegas daqui é que deveriam tomar a iniciativa de vir”, frisou, sublinhando que a própria nem sequer exerce a profissão em Oliveira do Hospital.

Os problemas ao nível dos membros inferiores e os escaldões de pele são os mais frequentes entre os peregrinos.

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