Centenas de pessoas dizem “presente” na hora de ajudar Gustavo Martins

Está a ser de total adesão a campanha que, desde as 09h00, está a decorrer no Hospital da Fundação Aurélio Amaro Diniz (FAAD) em Oliveira do Hospital, destinada a encontrar um dador de medula óssea compatível com o pequeno Gustavo Martins, de três anos, a quem foi diagnosticada aplasia medular.

O problema de saúde só ultrapassável com um transplante de medula óssea – nenhum familiar é compatível e as probabilidades de ser encontrado um dador compatível são de um em cem mil – está desde o início desta semana, em particular desde o final do jogo entre Portugal e a Bósnia, a gerar uma forte corrente de solidariedade, que já extravasou o domínio nacional, chegando até a ser mundial, com os principais apelos a partirem de atletas companheiros do futebolista Carlos Martins.

E do concelho de onde o jogador, que integra a seleção nacional, é natural parte um grande exemplo de solidariedade. O pedido de auxílio foi, inicialmente, lançado pela Fundação Aurélio Amaro Diniz, Arcial e Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, mas não tardou muito para que se multiplicassem as manifestações de apoio, que partem de todo o concelho e região.

Isto mesmo é, hoje, facilmente constatado junto da Arcial, onde é feita a inscrição, e no Hospital onde, em parceria com Centro de Histocompatibilidade do Centro, é efetuada a recolha de sangue.

“Com esta moldura humana visível no país e no mundo, rapidamente se conseguirá um dador compatível”

Tudo acontece sob o olhar cheio de esperança dos familiares do pequeno Gustavo, que fazem questão de marcar presença e assim manifestar gratidão pelo nobre gesto, numa altura de tamanha aflição para a família Martins.

“Estou estupefacto com a adesão, é muito gratificante e é um sentimento intimamente arrebatador”, afirmou António Martins, que perante tão grande manifestação, garantiu que toda a família “está concentrada na solução para tratar o menino”.

O irmão mais velho de Carlos Martins teve ainda a oportunidade de adiantar que o problema de saúde que afeta o Gustavo se encontra “controlado”, mas que é urgente a realização do transplante de medula óssea.

Ainda que as probabilidades de se encontrar um dador compatível sejam reduzidas, António Martins está confiante de que “com esta moldura humana visível no país e no mundo, rapidamente se conseguirá um dador compatível.

Sem idade para poder fazer parte da solução do problema que afeta o sobrinho, a tia de apenas nove anos de idade também marcou presença para apelar à maior mobilização possível, porque afinal participar não é mais do que tirar sangue para fazer análises de rotina.

Satisfeito, mas nada surpreendido com a adesão registada. Este era, ao final da manhã, o estado de espírito do presidente do Conselho de Administração da Fundação Aurélio Amaro Diniz que, desde a primeira hora, abraçou esta causa, para a qual mobilizou a equipa de enfermagem do hospital, na expectativa de que, até ao final do dia, sejam efetuadas 1500 recolhas de sangue.

Um número que Álvaro Herdade acredita que, hoje, venha a ser ultrapassado, bem como também no próximo dia 3 de dezembro, data em que decorrerá naquela unidade hospitalar, uma segunda campanha para a realização de testes de histocompatibilidade.

“É uma pessoa da terra e faríamos isto por qualquer pessoa”, continuou o clínico, lembrando que toda a mobilização, não visa apenas ajudar o filho do mediático jogador da seleção nacional, mas sim qualquer pessoa que necessite de um transplante de medula óssea. “Ninguém está livre destas situações”, avisou o clínico.

Segundo explicou, os resultados das colheitas hoje realizadas deverão estar prontos dentro de duas semanas, no entanto, deu como garantido todo sigilo que o processo envolve, ao ponto de nunca chegar a haver qualquer contacto entre o possível dador e o recetor. Quanto ao processo de doação de medula, Álvaro Herdade assegurou não estar em causa um procedimento invasivo nem doloroso.

Numa presença simbólica – por ter mais de 45 anos viu-se impedido de participar – o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, acompanhado pelo presidente da Assembleia Municipal, António Lopes e pela vereadora Graça Silva,  revelou-se orgulhoso pela manifestação de solidariedade do povo oliveirense que “respondeu de forma extremamente positiva”.

“Outra coisa não seria de esperar”, logo considerou José Carlos Alexandrino, que disse estar surpreendido com a dimensão nacional que o caso atingiu. Uma realidade que o autarca compreende porque “Carlos Martins é um homem de Oliveira do Hospital que representa o nosso país no mais alto patamar da competição desportiva”.

Conhecedor há já algum tempo do problema de saúde de Gustavo Martins e que no início desta semana ganhou contornos mais graves, Alexandrino garante estar ao lado do jogador oliveirense – “fui ao Porto ver Portugal-Islândia para lhe dar força e uma palavra de ânimo”, confidenciou – pelo que desde a primeira hora se associou a esta causa mobilizadora de massas.

Uma postura que garante também assumir em casos com menor mediatismo, dando o exemplo de uma jovem da Lajeosa, que já contou com a solidariedade da Câmara Municipal para poder realizar tratamentos médicos em França. “É obrigação do nosso município dar o nosso contributo”, frisou.



Ao lado da família Martins, o amigo Carlos Veloso tem sido um dos principais rostos da campanha movida em torno de Gustavo. Uma causa que, segundo o próprio, o deixa “muito feliz”, não apenas por ajudar “o amigo”, mas “todos os amigos anónimos” que podem vir a beneficiar desta ação.

Ricardo Alves, de Vila Verde no concelho de Seia, foi um dos que, esta manhã, se deslocou ao hospital da FAAD. O jovem de 27 anos, ainda sem filhos, não hesitou em querer fazer parte da solução porque tem “coração e sentimentos”.

Na longa fila que por várias vezes se vai formando na zona de entrada do hospital, Aida Espírito Santo, de Oliveira do Hospital, decidiu participar por entender que “todos devemos participar em ações de solidariedade”. “Hoje é o Gustavo, amanhã poderá ser um de nós”, observou confessando-se mais sensibilizada pelo facto de ser mãe de dois filhos. Um sentimento também partilhado por Cristina Silva, mãe de dois filhos e funcionária na creche de S. Paio de Gramaços, que há muito tempo tinha intenções de ser dadora. “Acabei por vir aqui”, contou, assegurando que não o faz apenas pelo Gustavo, mas por todos os que necessitam. “Hoje ele, amanhã nós”, frisou.

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