Gosto de desafiar os leitores deste jornal, e sobretudo os actores da cena política local.

Cinco desafios

A vida é isso mesmo: um desafio. O resto, são regras que terão de conduzir esse mesmo desafio.

As regras são simples e objectivas. E objectivo, é o que eu pretendo ser ao lançar uma reflexão sobre cinco desafios que nós – amantes da democracia, do desenvolvimento, do progresso e da qualidade de vida –, temos o direito exigir, numa altura em que se avizinha mais um período eleitoral.

Primeiro desafio: de 2009 em diante é estritamente proibido a qualquer presidente da câmara de Oliveira do Hospital – seja ele de que partido for – aproveitar-se de um lugar pago pelo erário público para distribuir benesses e favores políticos. Os Paços do Município não são um albergue de clientelas partidárias. No concelho de Oliveira do Hospital, somos todos diferentes… mas todos iguais!

Segundo desafio: um município não é propriamente uma banca de ensaio, e, portanto, deve gerir-se de acordo com um programa de acção, produzido em consequência do diagnóstico, e com objectivos temporais determinados. Dito de outro modo: é propaganda enganosa alguém vir falar, por exemplo, nas novas instalações da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital sem dados concretos. Todos sabemos que os projectos do Pólo Industrial da Cordinha, da Central de Camionagem, e da Biblioteca Municipal de Oliveira do Hospital – propagandeados desde 1993, se a memória me não falha – não passaram, afinal, de um enorme engodo eleitoral.

Terceiro desafio: nos anos que aí vêm – oxalá eu estivesse enganado –, o desemprego tende a ser um dos principais flagelos de Oliveira do Hospital, um município onde o seu tecido industrial continua a repousar excessivamente numa indústria de mão-de-obra intensiva – as confecções. Todos os gigantes da economia mundial estão a lançar, diariamente, milhares e milhares de trabalhadores no desemprego. Como há pouco tempo disse numa conferência pública o director da ESTGOH, Nuno Fortes, os empresários de Oliveira do Hospital estão a resistir estoicamente aos ventos da crise. É um facto! Mas o problema é que a tempestade promete durar. A receita para este desafio não é fácil. Mas, antecipar e prever os novos tempos que aí vêm, é o desafio de todos nós, com o impulso dos timoneiros políticos. Obama – espero que não me desiluda –, está a conseguir incutir no mundo que é possível dar a volta. Mas uma coisa é certa: “não há bons ventos para quem não sabe para onde vai…”

Quarto desafio: Oliveira do Hospital é um concelho – à semelhança de tantos outros municípios do país –, que padece de um atraso cultural verdadeiramente atrofiante. Vivemos num mundo onde o conhecimento e a informação são o maior património do ser humano. A ESTGOH pode ser um dos principais motores de desenvolvimento de uma região com baixos índices de formação académica. Tal como há muitos anos – com o prestigiado colégio Brás Garcia de Mascarenhas –, Oliveira do Hospital tem novamente todas as condições para se constituir como um importante pólo de ensino na região.

Quinto e último desafio: Oliveira do Hospital tem alfobres que precisam de ser muito cuidados. Há várias centenas de crianças e adolescentes que já são bons – e até excelentes – naquilo que fazem. O associativismo, o voluntariado e a abnegação são exemplares. É um ponto forte deste município, que exige a nossa maior atenção. Um concelho constrói-se com todos e para todos.

Henrique Barreto
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