“Com algum investimento, eu poderia dar aqui alguma reviravolta neste edifício”

Para o docente de Engenharia Civil, a solução poderá passar pela remodelação do antigo quartel de bombeiros. Contra a deslocalização para Lagares da Beira, Almeida posiciona-se pela continuidade da ESTGOH no centro urbano da cidade.

Correio da Beira Serra (CBS) – É conhecido como o professor que deu a primeira aula na ESTGOH. O que é que o levou a avançar com um projecto para a presidência da escola?
Jorge Almeida (JA) –
Houve muitas razões que me levaram a avançar. O grande estímulo é porque sinto que há muito por fazer e acho que esta escola pode ser um eixo de desenvolvimento, como aliás tem sido.

Sempre gostei muito deste projecto. Obviamente que há aqui muito de trabalho e empenho pessoal. Sinto um carinho muito especial e, às vezes, a escola até se cruza com a minha vida pessoal. Já sou professor do ensino superior há 15 anos. Já passei por várias escolas do Instituto Politécnico de Coimbra (IPC), estive seis anos no Politécnico de Beja, já passei pela Universidade de Aveiro e pelo Politécnico de Viseu. Tenho experiência como professor do ensino superior. Obviamente que me agrada, trata-se de um desafio muito grande e parto para isto sem nada, mas apenas com convicção, empenho e entusiasmo. Ninguém me disse que tinha um cheque de 12 milhões de Euros à minha espera para fazer instalações. É tudo difícil, é tudo complicado, mas nem por isso desisto.

Candidatei-me nos prazos e fui para a frente. Sinto-me muito orgulhoso, porque gosto muito desta casa. Isto vai ser o que nós quisermos que seja e, eu quero que isto seja um projecto muito aliciante. A região e Oliveira do Hospital merecem. Obviamente, que há dificuldades. O QREN para nós está a zero, não há nada inscrito em PIDDAC. Mesmo que eu tivesse o melhor projecto do mundo, demoraria alguns anos a entrar em QREN. Mas, nós não desistimos. Aqui na escola somos muito assertivos e temos consciência do trabalho que fazemos, embora não seja conhecido aqui na região. É uma falha que eu assumo, mas vamo-nos pôr em contacto com a região.

CBS – Acompanhou cada um dos principais momentos da ESTGOH. Como é que avalia o caminho percorrido até aqui?
JA –
Acho que se trata de um percurso positivo, mas muito difícil. No início houve de facto muitas dificuldades. Oliveira do Hospital não é uma capital de distrito, não tem a visibilidade que têm outras instituições. Tem sido também um percurso crescente e os meus antecessores muito trabalharam para isso. Chegou agora a minha vez. Eu fui o primeiro eleito e vejo isto como uma vasta equipa, onde me sinto como um estafeta que acaba de receber o testemunho e começa agora a correr. Tenho pela frente quatro anos de muito trabalho e depois passarei o testemunho a outra pessoa.

CBS – Mas já equaciona não se recandidatar?
JA –
Não quero dizer isso. Por agora tenho quatro anos pela frente, depois logo se vê. A lei é clara e permite dois mandatos e proíbe um terceiro. Neste momento estou comprometido com este projecto e vou levar os quatro anos até ao fim. Vejo isto como uma equipa. Candidatei-me e chegou a minha vez. Não apareceu mais nenhuma candidatura…

CBS – Como olha para o facto de não ter aparecido mais nenhuma candidatura?
JA
– Eu tento julgar-me a mim próprio. Eu sei exactamente o que quero da escola hoje, daqui por um ano e daqui por quatro. Estou a par das dificuldades e para se estar num lugar destes é preciso alguma experiência ao nível do governo de instituições do Ensino Superior. Repare que eu já fui, por duas vezes, presidente do Conselho Científico, fui o presidente da Assembleia Estatutária, fui eleito para representar a ESTGOH na Assembleia Estatutária do IPC e já estive seis anos no Conselho Geral. Portanto, já tive tantos cargos aqui dentro, que acho que seria à partida uma pessoa com condições de experiência e de conhecimento interno da instituição. Obviamente, também tenho disponibilidade pessoal. Também pela idade média dos meus colegas – eu tenho 43 anos e eles são mais novos – talvez eles não tenham passado por tantos cargos e não disponham de um capital de experiência como eu.

Eu sempre pensei na minha candidatura, respeitando obviamente as candidaturas que aparecessem. Cá dentro, eu já ganhei e já perdi eleições. Esta casa tem uma amplitude democrática muito grande.

Não apareceu mais nenhum colega. Talvez as pessoas se tenham posicionado de maneira a me darem apoio. É que, apesar de não haver mais nenhum candidato, as pessoas não são obrigadas a votar em mim, podiam votar em branco. Fiquei muito satisfeito com a votação. Senti que tinha o apoio da Assembleia de Representantes. Os cargos não são eternos e o importante é trabalhar.

CBS – No último ano lectivo, a ESTGOH assistiu à maior entrada de novos alunos nas suas licenciaturas. Este ano, apesar de disponibilizar mais um curso, a Escola deparou-se com uma redução na admissão de novos estudantes. A que é que acha que se deve esta realidade? A ESTGOH deixou de ser atractiva?
JA –
Eu não creio que a ESTGOH deixasse de ser atractiva. Este problema tem que ser visto de vários prismas. Tal como num jogo de futebol o resultado é no final, o acesso ao ensino superior também tem uma parte final, que se chama terceira fase. O concurso nacional está estruturado em três fases. A primeira fase não nos correu tão bem como nós gostaríamos, mas a verdade é que nas grandes universidades das capitais de distrito também não se verificou a ocupação de 100 por cento. Na segunda fase melhorámos e, na terceira fase conseguimos encher, inclusive, o curso novo.

Obviamente que tivemos essa dificuldade, mas os nossos alunos também se deparam com dificuldades económicas. Apesar de nós praticarmos aqui a propina mínima que se pratica no IPC, a verdade é que, mesmo assim, há alunos que têm dificuldades. Temos números que nos preocupam. Conhecemos o padrão sócio-económico dos nossos alunos e sabemos que esta região está a ser assolada por uma vaga brutal de desemprego. Depois são também os gastos com combustível e o facto de não haver transportes públicos. Um aluno sabe que para poder vir à Escola, à noite, precisa de ter carro próprio. Há muitos alunos a dizerem que gostariam de estudar, mas que dizem que só podem voltar no próximo ano. A crise económica também toca a na vida dos nossos alunos.

CBS – A inexistência de instalações condignas continua a ser entendida como o problema maior da ESTGOH. Por ocasião da sua tomada de posse disse estar disposto a “tudo fazer” para resolver o problema. Como espera ultrapassar esta situação?
JA
– Espero fazê-lo contactando para já o nosso parceiro prioritário que é a Câmara Municipal, na pessoa do professor José Carlos Alexandrino, que se tem mostrado uma pessoa muito sensível para com este problema. Agora, não nos podemos afastar da realidade do país. Temos uma situação sócio-económica muito complicada ao nível do país e, portanto, há dificuldades e a proibição pelo PEC de mais endividamento da nação. Sabemos que há um projecto, que até está ali e que foi feito para o terreno adquirido pela Câmara Municipal, mas que a nível de construção atinge facilmente os 10 milhões de Euros. Neste momento da vida económica do país, parece-me quase impossível conseguir ter um financiamento desse valor aqui para Oliveira do Hospital.

Nós não desistimos e acreditamos que juntamente com a Câmara e com a tutela haveremos de chegar a uma situação de compromisso. Estamos abertos a várias soluções. Pode ser, inclusivamente, a requalificação deste espaço que está bem situado, está numa zona nobre de Oliveira do Hospital. Obviamente que está degradado, foram feitas várias obras de melhoria. Mas, se calhar, com este edifício requalificado na sua totalidade, ou outro, teríamos aqui um horizonte de utilização de mais uns anos com conforto.

Acima de tudo, o que nos falta é espaço. Temos alguma dificuldade em sentar os nossos alunos. Não temos um auditório, a nossa sala de reuniões tem uma dimensão muito pequena.

O que queremos é chegar a um compromisso com a Câmara Municipal. Obviamente, não podemos esconder o ano em que estamos. Com todas as dificuldades, o tal projecto de 10 milhões de euros, que era a solução óptima, não me parece razoável neste momento.

Acredito que a solução pode passar pela requalificação destas instalações.

CBS – E como é que resolve o problema da falta de espaço?
JA –
É fácil. Este edifício está muito mal aproveitado. Não foi feito para uma escola, mas para um quartel de bombeiros e só está parcialmente construído. Há muitas pessoas que desconhecem que há um piso aqui por fazer, sem aumentar a volumetria. O edifício tem este piso (rés-do-chão) e tem outro aqui por cima e não tem segundo piso, tem apenas três gabinetes. Há um pé direito enorme entre o segundo piso e o último. Se aumentássemos esse piso, conseguíamos acrescentar mais seiscentos metros quadrados à escola para gabinetes, reuniões e mais salas de aulas.

CBS – Quantos alunos tem agora a escola?
JA
– Neste momento, temos 550 alunos. Espero, no final do próximo mês de Abril, ter mais 100, porque vamos abrir quatro Cursos de Especialização Tecnológica (CET) em cinco localidades. Vamos abrir fora, porque não temos onde sentar os nossos alunos. Os alunos não vão estar aqui, mas isso não é problemático porque uma das nossas missões é também dinamizar e trazer uma oferta de ensino superior a toda esta região. Estamos, de facto, na linha da frente para oferecer uma oferta formativa porque achamos que no século XXI o crescimento económico apenas se atinge com duas palavras: tecnologia e formação. Fazemos parte do motor de desenvolvimento da região.

CBS – Quando diz que uma solução para as instalações da ESTGOH poderá passar pela ampliação deste edifício, está a partilhar da opinião do presidente do Instituto Politécnico de Coimbra de que a solução poderá passar pela “criatividade”, encontrando-se “alternativas de instalação”?
JA
– Esse é um assunto que temos que tratar com o presidente da Câmara. Tem que haver uma estratégia entre a autarquia e a ESTGOH. Já tive algumas reuniões com o presidente da Câmara que se mostrou muito interessado em conhecer o problema das instalações.

Com algum investimento, eu poderia dar aqui alguma reviravolta neste edifício. As instalações não serão o principal atractivo de uma Escola do Ensino Superior, mas obviamente que o conforto do dia-a-dia e a dignidade também contam. Faz todo o sentido melhorar. Se não pudermos fazer o projecto de ampliação todo de uma vez, faremos por partes. Se as partes tiverem um orçamento avultado, faremos por partes mais pequenas. Temos é que fazer alguma coisa, porque o número de casas-de-banho é reduzido, os espaços comuns são reduzidos, os alunos enchem a biblioteca e são por vezes obrigados a ir para o bar, onde há sempre barulho.

No fundo, o problema de espaço para os próximos anos é possível de resolver através da requalificação deste edifício. Estamos completamente abertos a estudar uma solução.

CBS – Já transmitiu esta ideia ao presidente da CMOH?
JA
– Neste momento, estamos a estudar as opções todas. Irei brevemente conversar com o presidente da CMOH. Não sendo possível a construção do campus, temos que partir para outra solução. Estou ainda no alinhamento das ideias. O que sei é que todos nós temos que caminhar para uma solução. Somos ambiciosos e queremos crescer e gostaria de terminar o meu mandato com mais alunos do que aqueles que tive no início.

CBS – Qual é a sua meta?
JA
– Isto tem muito a ver com as dificuldades económicas, porque por vezes a nossa ambição esbarra na crueza dos números e da realidade. Mas, a crise não vai durar para sempre. Como o que não mata fortalece, a crise só nos fortaleceu. Temos que fazer mais com menos. Louvo os meus antecessores por aquilo que conseguiram fazer com muito pouco. Eu vou continuar exactamente com esse percurso. Para a dimensão da escola, temos um número de colaboradores não docentes muito reduzido, mas também não vamos aumentar.

Não posso aqui fixar um número. Creio que com mais CET a funcionar aqui dentro, conseguiremos aumentar o número de alunos. Há também a crise económica que afecta as famílias, porque os alunos que desistem vão trabalhar. É muito reduzido o número de alunos, na casa dos dois por cento, que desistiu daqui e se mudou para outras escolas.

CBS – Considera que a solução ao nível das instalações da ESTGOH possa acontecer durante o seu mandato e o mandato autárquico de José Carlos Alexandrino?
JA
– Não tenho a mínima dúvida disso. Tenho a certeza absoluta porque, nas várias conversas informais que tive com o presidente da Câmara, pude testemunhar que o presidente está a par das dificuldades e que tem todo o interesse em resolver o problema. Estamos os dois empenhados em resolver esta questão e estão conjugadas todas as condições para que possamos avançar. Se não for uma solução de 10 milhões de Euros, será de cinco, de um milhão ou de 500 mil. Nós estamos habituados a fazer muito com pouco e, acho que conseguiremos lavar a cara do edifício e acrescentar valências.

Queremos coisas tão simples como casas-de-banho e uma biblioteca maiores. Somos pessoas razoáveis e temos os pés no chão. Obviamente que somos ambiciosos e queremos mais, mas também aquele projecto que está na maqueta foi feito para uma meta de 1500 a 2000 alunos. Apesar da crise económica, estamos nos 550 alunos e vamos passar para os 650 daqui por um mês. Esta é a velocidade de cruzeiro para 2010/2011. Obviamente que, todos os anos, largamos alunos no mercado de trabalho e conquistamos novos alunos. Fazemos o nosso trabalho de divulgação, vamos a todas as escolas da região e vamos a todas as feiras nacionais. É óbvio que o nosso empenho na região é muito maior.

CBS – Como avalia o projecto da Plataforma para o Desenvolvimento da Região Interior, da qual o Instituto Politécnico de Coimbra já se assumiu como parceiro?
JA –
Ainda não conheço a totalidade do projecto. Conheço o que foi divulgado e parece-me que o projecto vai funcionar. A equipa tem nomes experientes, são pessoas que já deram provas em outros projectos. Confio plenamente no sucesso do projecto.

Nós cumpriremos a nossa parte e eu espero que, rapidamente, o projecto entre em fase de concretização. Cá estamos de portas abertas para colaborar. No âmbito dos cursos que ministramos, temos gente muito qualificada nesta casa. Conheço perfeitamente o presidente da Plataforma, o engenheiro Serra e Silva e os outros nomes da Universidade de Coimbra que são pessoas que já deram provas. Veja-se o caso de sucesso tremendo do Instituto Pedro Nunes (IPN), onde o IPC também está presente. Sobre o IPN apenas se discute se é a melhor Plataforma de Inovação e Incubadora de Empresas da Europa, ou se é a segunda melhor. As pessoas ligadas à plataforma têm grande experiência académica e empresarial e o sucesso do projecto está, à partida, garantido.

Neste momento, estamos de portas abertas para colaborar activamente com a Plataforma. Mas o sucesso é uma soma de parcelas. Basta uma coisa falhar e as coisas caiem. Por agora, temos um projecto que está no papel e vamos aguardar.

“Se a escola fosse para a ACIBEIRA prestaríamos um mau serviço à região”

CBS – É conhecida a intenção da CMOH de, progressivamente, poder instalar a Plataforma na ACIBEIRA. Concorda com a possibilidade de a ESTGOH também poder vir a ter lugar naquele espaço, ou, é antes adepto da continuidade da escola na cidade?
JA
– Temos hoje aqui 550 alunos e brevemente 650 ou mais alunos. Estes alunos moram aqui e não há mobilidade urbana ao nível de transportes públicos. Isto é, ao contrário das capitais de distrito, aqui não existem transportes. Temos que ver que os alunos estão instalados em Oliveira do Hospital e que a parte lectiva da escola tem que funcionar no centro da cidade. Seria um disparate pôr a escola fora, a menos que alguém arranje 10 ou 20 autocarros para transportar estes alunos, porque como é que se conseguem colocar 300 ou 400 pessoas em Lagares da Beira, já que nem todos os alunos têm carro.

Uma coisa que os alunos me dizem é que é bom morar em Oliveira do Hospital, porque aqui há qualidade de vida e vêm a pé. Eles estão a cinco minutos a pé. Nada tenho contra Lagares da Beira. Gosto de Lagares da Beira, como gosto de qualquer local do concelho. Mas, a questão é que a nível de mobilidade urbana, ela não existe. Não há ninguém que me consiga convencer como é que consegue pôr às 08h30 ou às 22h00, 500 pessoas em Lagares da Beira. Onde é que há transportes?

A Escola tem que ficar ou aqui neste edifício, ou na rua ao lado, num terreno…em sítios a que se possa aceder a pé. Esta é a matriz de vida dos nossos alunos que estão habituados a arrendar quartos e a irem a pé para a escola. Seria penoso para eles também se organizarem para ir de carro. Não há aqui nenhuma carreira que de 10 em 10 minutos ligue Oliveira do Hospital a Lagares da Beira.

Se houver um pavilhão na ACIBEIRA, que nos possam disponibilizar para pormos lá equipamento dos nossos laboratórios de Engenharia Civil que fazem um barulho tremendo, seria o ideal. Temos aqui máquinas que fazem um ruído elevado e que poderiam ser colocadas na ACIBEIRA, para onde os alunos se deslocariam três ou quatros vezes por ano. Nesse caso, poderíamos organizar um transporte para levar os alunos para um espaço onde poderiam fazer ensaios destrutivos.

A nível de aulas a opção é claríssima: só faz sentido a ESTGOH estar no centro urbano de Oliveira do Hospital. Agora, para grandes equipamentos, pórticos, semi-pórticos, ensaios e laboratórios de Engenharia Civil que ocupam muito espaço, se calhar fazia sentido ter lá um espaço na ACIBEIRA. Por vezes, para ensaios destrutivos precisamos de pilares e vigas e, um camião TIR não consegue entrar para me entregar os materiais. Nós nem sequer temos grua. Se a CMOH nos disponibilizar um pavilhão, aceitaremos.

Se olhar para o PDM e para o Oliveira do Hospital verificamos que até temos um número de pessoas interessante, mas que está muito disperso pelas freguesias. Se contribuirmos para a dispersão, estamos a esvaziar mais Oliveira do Hospital.

Acho que se a escola fosse para a ACIBEIRA prestaríamos um mau serviço à região. Digo o contrário ao nível de equipamentos e laboratórios.

CBS – Como olha para o facto de a ESTGOH ainda não estar ligada a uma incubadora de empresas?
JA –
Com muita preocupação. O modelo do ensino superior mudou e cabe à instituição ajudar o aluno a fazer a ponte para o mercado de trabalho. O aluno precisa de algum apoio para entrar na vida activa.

Um dos compromissos do meu mandato é criar um gabinete de estágios e entrada na vida activa, em que o aluno vem ter connosco e nós potenciamos o estágio para esse aluno. O aluno não sai daqui desamparado, sai daqui com o apoio da escola. Esse gabinete estará criado até Junho.

Esta é uma questão muito importante para mim, porque uma das bandeiras desta escola é de ter níveis de empregabilidade extremos. A empregabilidade dos cursos da ESTGOH ronda os 100 por cento, o que significa que o mercado absorve os nossos alunos. Acho que uma instituição do ensino superior público tem que justificar todos os dias a sua existência. Uma das maiores alegrias que tenho, é estar num projecto em que os alunos saem daqui e, têm entrada praticamente assegurada na vida activa. Basta olhar para os bancos e companhias de seguros aqui à nossa volta e ver que muita gente que lá está a trabalhar passou aqui pela nossa escola. E muitos deles manifestam vontade em continuar a estudar. Há alunos que, pelo facto de ainda não termos o mestrado na área, foram para outra escola do Politécnico e com os quais me voltei a cruzar. É que a escola também não pode ter oferta para tudo.

Neste momento, temos cinco cursos de licenciatura, quatro mestrados – dois aprovados e em fase de acreditação, um aprovado e outro em apreciação de candidatura – e cinco Cursos de Educação Tecnológica. Temos uma oferta de 14 cursos diferentes.

CBS – Como está a ser a experiência ao nível dos mestrados?
JA
– Os mestrados em Comércio Electrónico e Comunicação Empresarial, em parceria com o Instituto Superior de Engenharia de Coimbra e a Escola Superior de Educação de Coimbra foram aprovados, mas, estão a ser sujeitos a um processo de acreditação pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior. Eles não chegaram a entrar em funcionamento por uma questão muito simples. Porque quando tivemos autorização de funcionamento, já os alunos que concluíram as licenciaturas se tinham ido embora. Ou seja, os alunos formam-se em Julho ou em Setembro e procuram a sua oferta no Verão. Como a notificação de abertura dos mestrados veio à posteriori, os alunos já se tinham ido embora e perdemos a oportunidade. Quando reactivámos a oportunidade, tivemos em cada mestrado apenas cerca de 10 inscritos e encaminhámos alguns alunos para o ISEC e a ESEC para não perderem o ano. O nosso objectivo é juntar uma turma de 15 alunos, porque aí sim, valerá a pena pôr o mestrado em funcionamento, porque tem custos.

Hoje mesmo, fomos informados da aprovação do mestrado em Informática Aplicada, que é um mestrado que é só nosso e que é um orgulho para a ESTGOH e para Oliveira do Hospital. Contamos colocá-lo em funcionamento já no próximo ano lectivo.

Também em colaboração com a Escola de Tecnologias da Saúde de Coimbra estamos a aguardar pela aprovação do mestrado em Sustentabilidade Ambiental.

São mestrados em que temos pessoas muito qualificadas e temos todas as condições para os termos a funcionar. Esperamos é que os alunos que concluam a licenciatura se vão inscrever no respectivo mestrado para continuar os seus estudos.

CBS – Ao nível de licenciaturas, há alguma intenção para abertura de novos cursos?
JA
– Estamos a pensar nisso. Gostaríamos de ter aqui uma oferta ligada às energias renováveis. Obviamente que isto tem custos, porque a Escola já não está em regime de instalação. Até agora estávamos na dependência financeira do IPC, mas a partir de agora somos uma unidade orgânica como outra qualquer. A nível de gestão, há outra exigência e abrir um curso tem custos, porque é preciso contratar mais professores.

Agora, até faz sentido com esta plataforma de inovação e desenvolvimento abrir um curso na área das energias renováveis. Vamos trabalhar internamente. Por agora, ainda não foi feita qualquer candidatura. Já aconteceu no passado.

Neste momento, queremos é estabilizar e aumentar o número de alunos que temos, mas tudo o que fazemos é com os pés bem assentes na terra. Vamos estudar a oferta formativa que gostaríamos de ter para 2011 e, iremos fazer uma candidatura forte, pensada e estruturada com o apoio dos vários parceiros com quem lidamos. Inclino-me para a área do conhecimento ligada às energias renováveis. Mas, vamos ver o que é que internamente a escola diz. Porque até poderá valer mais a pena, aumentar o número de alunos nos cursos que já temos. Repare ter mais alunos, implica ter mais custos e mais laboratórios. E a questão é a mesma de sempre: onde é que os vamos sentar? Se neste momento, o ministro da tutela me desse autorização de funcionamento de mais três ou quatro cursos, eu não saberia onde é que ia sentar os alunos.

CBS – Acha que o novo presidente do IPC, Rui Antunes, está verdadeiramente sensibilizado para os problemas da ESTGOH, nomeadamente ao nível das instalações?
JA
– Está. O presidente do IPC é uma pessoa que conhece a fundo os problemas da instituição. Mas, obviamente que ele tem uma dificuldade. As despesas aumentaram muito e a dotação do politécnico não se alterou. O que significa que, com a mesma receita e com mais despesa, temos aqui uma equação desfavorável. Ele está empenhado em ajudar a resolver o problema das instalações, mas obviamente que há ali dificuldades. Antigamente, todas as despesas de saúde eram pagas a nível central e hoje são assumidas pelas instituições. Mas, eu acho que são as dificuldades que nos fazem trabalhar melhor e que nos motivam.

Normalmente aquilo que eu conheço de ensino superior por todo o país, são excelentes escolas ao nível de condições e nós temos que resolver esse problema. O doutor Rui Antunes conhece o problema por inteiro e vamos trabalhar juntamente com a CMOH, IPC e todas as entidades.

As pessoas têm que perceber que a escola é da região e é um bem. Quantas e quantas cidades não gostariam de ter ensino superior. A Escola é um mecanismo de transferência de riqueza, porque hoje a riqueza maior, é a riqueza do conhecimento. Se eu pudesse optar por um poço de petróleo, uma mina de ouro ou formação, eu optava por formação, porque a riqueza gasta-se. Repare, a Finlândia tem 33 politécnicos e tem a NOKIA, exporta tecnologia e conhecimento. Temos que nos virar para o conhecimento. Temos aqui alunos que acabaram os cursos e que montaram empresas. O paradigma do ensino no século XXI é diferente daquele de quando eu me formei há 20 anos. Hoje em dia, as pessoas têm que ser empreendedoras, os alunos são estimulados a ter as suas próprias ideias de negócio, participam em certames internacionais como a Euroweek. Hoje, o aluno é estimulado a criar o seu próprio emprego e a ir mais longe sozinho. Aquele modelo de estudar e trabalhar por conta de outrem está terminado. Isso é normal, a Economia tem ciclos de desenvolvimento que vão mudando.

Enquanto instituições do ensino superior público, temos que estar na linha da frente, reorientar a oferta para as necessidades do mercado.

CBS – Como avalia a relação da ESTGOH com a comunidade exterior?
JA –
Por vezes, a comunidade não conhece a instituição. É uma falha com que nós nos confrontamos no dia-a-dia. Mas, nós vamos abrir portas aos empresários.

Vamos criar aqui um dia aberto que também é umas das promessas da minha candidatura, para estimular o contacto com a escola.

Esta região tem que ter uma capacidade lóbi – no bom sentido – porque hoje em dia tudo se consegue com lobies. Há que chamar cá as forças activas. Já cá estiveram alguns deputados e irão estar mais deputados. Qualquer representante partidário é bem-vindo a esta escola. Isto é uma questão supra-partidária. A ESTGOH é uma causa de todos. Todos temos que lutar, porque só todos unidos é que vamos resolver a questão das instalações. O meu objectivo é quando for feita essa requalificação, rapidamente se consiga esgotar.

CBS – Acha que é devido a esse desconhecimento que muitos alunos do concelho optam por ingressar em outras escolas superiores que não a ESTGOH?
JA
– Nós não temos todos os cursos. Há cinco mil cursos de ensino politécnico em Portugal. O que nós queremos é dar um sinal às famílias e à região de que podem confiar na ESTGOH.

A comunidade não sabe, por exemplo, que no curso de Administração e Finanças, temos aqui um conjunto de sete professores, em que três são docentes de mestrado da faculdade de Direito na Universidade de Coimbra (UC). Nos últimos anos, tivemos aqui dois prémios atribuídos pela faculdade de Direito a dois colegas nossos. Eu pergunto: quantas escolas em Portugal podem dizer isto?

No caso de Engenharia Civil, temos aqui três docentes que foram docentes na UC entre 10 a 15 anos, cada um. No caso da Matemática damo-nos ao luxo de ter um colega que está a preparar a agregação e colabora numa equipa de nível mundial. Temos aqui docentes que vêm de Lisboa, Porto, Aveiro, Viseu, Coimbra…temos uma equipa muito jovem, em que eu confio.

Temos 100 por cento de colegas docentes com mestrado, 100 por cento doutorandos ou já doutores. Seremos das escolas mais bem qualificadas dentro de muito pouco tempo. Aquilo que nos falta em aspecto e a nível de qualidade do edifício sobra-nos em experiência e qualidade do corpo docente.

Temos aqui um docente ligado à Informática que tem mais patentes que os institutos politécnicos de Coimbra, Guarda e Viseu juntos. É um investigador novo da UC, com 35 anos e cá da terra. Aqui na ESTGOH temos coisas que as pessoas desconhecem.

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