Comentário (em hipertexto): ‘JAMAIS’

Mais de vinte anos depois de se ter começado a falar no IC 6 e no IC 7 – recordo-me de no final dos anos 80 ter estado em Avô na apresentação pública de um estudo de impacte ambiental relativo ao troço do IC 6 entre a Catraia dos Poços/ Venda de Galizes/Covilhã –, eis que agora não sabemos quantos mais anos vão ser precisos para que o Governo ponha a mão na consciência e desperte para a triste realidade rodoviária que continua a envolver toda esta região.

No ano passado, foi com grande expectativa que todos lemos no Diário da República (DR) nº 168, de 31 de Agosto de 2009, o Despacho nº 19868-A/2009, que rezava assim: “Determina-se que a EP – Estradas de Portugal, S.A., prepare e promova o lançamento, para ocorrer até ao final do 1º semestre de 2010, dos concursos públicos internacionais”.

A ordem, dada pelo Governo que na altura já integrava o mesmo ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, referia-se à construção de “quatro novos empreendimentos PRIORITÁRIOS”, e onde figurava a concessão Serra da Estrela, com os IC 6, 7 e 37. Na alínea “f” daquele DR – o despacho foi assinado por Teixeira dos Santos e pelo anterior ministro das Obras Públicas, Mário Lino –, o Governa escreve que as concessões rodoviárias, agora suspensas, “são exclusivamente para impulsionar o desenvolvimento do interior do país”.

Todas as concessões suspensas faziam parte do Programa do Governo e foram inclusivamente inscritas na proposta do Orçamento de Estado para 2010. Porém, sobre este assunto, o ministro Teixeira dos Santos vem agora dizer o seguinte: “Entendemos que, do que havia a fazer o essencial está feito. Não vamos fazer mais”.

Depois, vem o novo ministro das Obras Públicas dar explicações sobre o que é inexplicável. António Mendonça fala das “restrições financeiras” e chega ao cúmulo de sustentar, nesta fase do campeonato, que o Governo terá de fazer uma “reavaliação de todo o processo ligado à execução do Plano Rodoviário Nacional”. Era melhor que o senhor ministro tivesse ficado calado porque acaba de deitar por terra todo um conjunto de expectativas de desenvolvimento que o anterior Governo criou a esta região e, ainda por cima, na véspera das últimas eleições legislativas.

Todos sabemos que o Ministério das Obras Públicas não quer deixar cair o projecto de Alta Velocidade chamado TGV por não estar interessado – entre outras razões – em arranjar problemas com os espanhóis. Pois, como disse o ministro as praias da linha do Estoril ainda vão passar a ser a praia de Madrid. O slogan associado à apresentação do projecto até é muito pragmático, já que “Vencer a Distância é Ganhar o Futuro”

Então e toda esta região? Quando é que vence a distância para conquistar o futuro? Se calhar, como diria o antigo responsável por aquele ministério, JAMAIS! Vamos continuar no deserto à espera da desertificação.Parece ser essa a nossa sina.

Depois de todo o “trabalho de campos” que foi necessário fazer para que a Concessão Serra da Estrela avançasse – em 2009 o secretário de Estado Paulo Campos, que também é uma vítima deste processo, anunciou o projecto como o maior investimento público feito nesta região, desde o tempo da monarquia, é de facto lamentável que o Governo de José Sócrates tenha suspendido – esperamos que não seja sine die – aquela que poderia ser uma das principais alavancas ao desenvolvimento desta parcela do interior do país.

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