“Como camarada que era do António Lopes, fiquei com aquela sensação de quando se perde uma namorada”, afirmou João Abreu

“Isto parece anedótico, mas eu cheguei a fazer uma aposta com uma determinada pessoa, em que eu garantia que o António Lopes nunca seria candidato por outro partido que não o PCP, quando muito seria candidato independente. Perdi”.

A revelação foi feita pelo próprio João Abreu numa entrevista em que o tema principal foi António Lopes e a sua decisão de abandonar o PCP e de se posicionar do lado do PS, protagonizando uma candidatura à Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital. “Fiquei com aquela sensação de quando se perde uma namorada, de desilusão”, verificou.

Sem esconder as várias discórdias mantidas entre ambos, Abreu contou que muitas discussões eram motivadas pelo posicionamento assumido pelo jornal de que é o principal proprietário, o Correio da Beira Serra.

 “Sendo um jornal de um comunista, assumiu desde o princípio, uma política declaradamente “anti” PCP, anti-estruturas do PCP”, sublinha João Abreu, que quando questionado sobre a falta de solidariedade que terá motivado a saída de Lopes do PCP refere: “…da minha parte, em consciência, nunca houve falta de solidariedade, nem de lealdade”.

Identificou ainda divergências ao nível da postura política assumida na Assembleia Municipal por cada um dos três eleitos pelo PCP. “Nós temos uma relação com a Câmara que não é propriamente a que tem um eleito directo”, explicou Abreu, notando que os presidentes de Junta “não podem chegar a uma Assembleia Municipal e desancar de alto a baixo o presidente da Câmara” com quem têm problemas para resolver.

Tocando no ponto sensível onde Lopes habitualmente identifica a falta de solidariedade por parte dos seus camaradas, o autarca de Meruge lembra que também o PS não votou favoravelmente à proposta de auditoria à Câmara Municipal, optando por se abster. “Teve uma boa demonstração das linhas por que se cosem”, considera Abreu, assegurando que o PS se aproximou de Lopes, porque “ele dizia aquilo que o PS não tinha coragem de dizer”.

“O António Lopes revelou-se na Assembleia Municipal e creio que na vida civil um homem muito combativo e assumia posições que o PS, por cobardia, por incapacidade política, nunca assumiu contra a Câmara”, considerou.

João Abreu deixou ainda transparecer o clima de ruptura que existe entre ambos, assegurando que nunca falou com Lopes sobre todo este processo. “Nunca mais falei com ele, não aconteceu, nunca mais nos encontrámos e neste momento também não há nenhum assunto que me leve a procurá-lo”, referiu, concluindo o assunto relativo ao seu ex-camarada com a afirmação: “o António Lopes que eu conheci era um homem generoso, mas não era um homem ingénuo”.

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