Comunidade educativa de Senhor das Almas protesta contra a saída de alunos da escola local

“Isto parece uma procissão”, disse Adelino Henriques, quando por volta das 20h00 de ontem se deparou com uma espécie de manifestação junto ao edifício da autarquia de Nogueira do Cravo.

No local, estavam muitos encarregados de educação e familiares das crianças que frequentam a decrépita Escola do 1º Ciclo de Ensino Básico (1º CEB) de Senhor das Almas.

Em causa, está um protesto que a comunidade educativa local decidiu fazer contra o Agrupamento de Escolas Brás Garcia de Mascarenhas (AEBGM) que, segundo afirmaram vários pais, terá manifestado a intenção de deslocalizar alguns dos alunos daquele estabelecimento de ensino para as EB 1 de Santa Ovaia e Nogueira do Cravo.

A população local, unida neste protesto, não quer sequer ouvir falar na hipotética solução, e recusa-se a que os alunos sejam transferidos para Santa Ovaia ou para a sede da freguesia, já que – conforme argumentam – a EB 1 de Nogueira do Cravo “está superlotada e a cantina não reúne condições”.

As assimetrias no ensino básico

Frequentada por mais de 20 alunos, a EB 1 de Senhor das Almas funciona em deficientes condições físicas e com apenas uma sala de aulas, onde as crianças passam praticamente cinco horas seguidas, umas no período da manhã e outras no da tarde.

Embora as turmas sejam pequenas, os dois professores daquele estabelecimento de ensino são responsáveis – sempre na mesma e única sala – pelas aulas com alunos de dois anos distintos. É uma situação cada vez menos usual e que vai contra as orientações definidas pelo Ministério da Educação.

Para impedir a saída de alunos da EB1 de Senhor das Almas, muitos dos pais presentes naquela reunião sugerem a construção de uma nova sala de aulas e não deixaram de atribuir responsabilidades à Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, pelo facto de a autarquia oliveirense “não se interessar” por aquela escola.

Na sala da Junta de Freguesia, houve inclusivamente quem defendesse que “se a câmara não quer fazer obras, fazemo-las nós”.

A questão da degradação do parque escolar da freguesia foi também abordada: “as nossas crianças têm direito às condições de ensino que existem noutras zonas do concelho. Em vez de andarem a gastar dinheiro em jardins e parques subterrâneos, olhem mas é para a educação”, sublinhou uma mãe, já fora das instalações da junta de freguesia. Também não faltou quem perguntasse as razões de se terem sido feitas obras na EB 1 de Aldeia de Nogueira, para encerrar pouco tempo depois.

Presidente da Junta diz-se solidário mas remete responsabilidades para o Agrupamento Brás Garcia de Mascarenhas 

O presidente da JF local, Adelino Henriques, manifestou-se “solidário” com as preocupações enumeradas pelos encarregados de educação, mas referiu que “as escolas não são da responsabilidade da freguesia. Isto é um caso do agrupamento”, sublinhou. 

Entretanto, o autarca local e cinco encarregados de educação de alunos da EB 1 de Senhor das Almas, saíram esta tarde de uma reunião com o presidente do Agrupamento.

Contactado pelo correiodabeiraserra.com, Luís Ângelo desdramatizou a situação e referiu  terem sido “encontradas algumas soluções”, que passam pela deslocalização de alguns alunos para um outro estabelecimento de ensino.

Sem querer revelar o nome da futura escola de acolhimento – o director daquele agrupamento assegurou ontem ao presidente da Junta que Santa Ovaia está fora de questão –, Luís Ângelo garantiu que a escola “não vai encerrar” e está aberta a novas matrículas.

Decidido em assegurar a “qualidade pedagógica e as boas condições” na EB1 do Senhor das Almas, o director do Brás Garcia de Mascarenhas adiantou a este jornal que, do rol de soluções, faz também parte a requalificação daquele edifício escolar.

O objectivo – como explicou – é que no próximo ano lectivo os alunos não tenham que se deslocar para frequentar o ATL, nem para almoçar.

 

Presidente do Agrupamento confiante na “sensibilidade” da Câmara Municipal 

Esclarecendo que não está em questão uma ampliação, mas uma simples intervenção, Luís Ângelo disse acreditar na “sensibilidade” da Câmara Municipal para resolver o problema.

“Penso que vai haver boa vontade da autarquia”, referiu, especificando que a solução final tem que ser encontrada, o mais tardar, até à próxima segunda-feira.

Ao correiodabeiraserra.com, Luís Ângelo lamentou contudo as más interpretações já resultantes deste processo.

Satisfeito com a reunião realizada esta tarde, o docente responsável pelo agrupamento disse estar sempre disponível para dar a cara e conversar com os pais e encarregados de educação.

Segundo adiantou, as mães vão também solicitar uma reunião com o presidente da Câmara Municipal. Este é um assunto que este diário digital continuará a acompanhar em próximos blocos informativos.

* Com Liliana Lopes

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