A Câmara Municipal de Oliveira do Hospital gasta anualmente muitos milhares de euros num Boletim Municipal que mais parece um instrumento de propaganda político-partidária.

Concepções

Como tenho boa memória, ainda me lembro dos tempos em que Mário Alves se mostrava “exaurido” com o dinheiro que César Oliveira gastava com os boletins municipais. Infelizmente, muitos dos nossos políticos são adeptos daquela velha máxima do futebol: “o que hoje é verdade, amanhã é mentira”. A concepção dos Boletins Municipais – um dos últimos a que tive acesso tinha 118 páginas a cores e distribuição gratuita –, é um trabalho árduo e que consome muitas energias e dinheiro público. Sei bem do que estou a falar porque nestes dois anos e meio da II série do Correio da Beira Serra já editámos quase 2 mil páginas de informação impressa.

Mas o que realmente me incomoda é que, durante todos estes anos, a mesma Câmara Municipal dê agora à estampa um chamado Roteiro Turístico que demorou quatro anos a conceber. O mísero desdobrável – é assim que se designa –, com menos de uma dúzia de páginas, ilustra bem a concepção que a autarquia oliveirense tem sobre uma área fundamental ao nosso desenvolvimento – o turismo.

Bem sei que este tipo de publicações poucos votos trarão, mas sou forçado a dar razão ao empresário holandês da Quinta da Geia que um dia – sem papas na língua – afirmou a este jornal que “esta Câmara não percebe nada de turismo”.

Num “panfleto” que demorou quatro anos a fazer, era exigível outro “savoir-faire”, muito mais profissionalismo e ambição. Mas não: é preferível esvaziar o cofre do erário público com publicações para consumo dos eleitores, que recebem o “antes e o depois” nas caixas de correio.

Bem sei que o senhor presidente da Câmara – conforme o próprio vem argumentando – “não consegue fazer empresários”. Qualquer dia, vamos ouvi-lo a dizer que também não consegue fabricar turistas. Já sabemos disso há muito tempo, mas também não ignoramos que fabricar clientelas políticas – infelizmente há muitos incautos, que se contentam com “tuta e meia” –, isso está-lhe na massa do sangue. São concepções…

Henrique Barreto

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