Há dias, por força da nova legislação anti-tabágica, saí de um restaurante por breves instantes para “matar o vício”. Cá fora, três simpáticas professoras – também de cigarro entre os dedos – ter-se-ão esquecido da polémica ministra da Educação e entregaram-se a uma breve avaliação sobre Oliveira do Hospital. No relógio da capela da aldeia dos Fiais ainda não tinham soado as “24 badaladas”, mas já pouco faltava.

As professoras iniciaram a conversa sobre o tédio da cidade, enumeraram um ou outro espaço mais engraçado num dos concelhos vizinhos – será que ainda está aberto, perguntava uma! – e depressa chegaram ao IC 6.

Constantinos

 

“Quando o IC 6 estiver pronto, acho que prefiro ir e vir todos os dias do que ficar aqui nesta pasmaceira”, argumentava uma das docentes.

A conversa interessou-me – acendi mais um cigarro! –, e suscitou-me preocupação. De facto, hoje, Oliveira do Hospital está enquistada num labirinto de acessibilidades pouco convidativo a grandes andanças. Apesar de estarmos a cerca de 50 quilómetros da cidade de Viseu, a 100 de Coimbra e a poucos mais da fronteira de Vilar Formoso, os “caminhos” são sinuosos e, muitas vezes, acabamos por calçar as pantufas.

Mas o problema é que – segundo tudo leva a crer –, na próxima década, chegar a algumas das principais cidades do país, vai levar menos tempo do que assistir a uma novela da TVI. E esse fenómeno, poderá ter quase – numa linguagem figurada – o mesmo efeito que a queda do muro de Berlim. É que do outro lado do muro, há parques e jardins com transeuntes, cinema a toda a hora, lazer, cultura, mais oportunidades de emprego, capitais de consumo e toda uma panóplia de urbanidades que podem despertar os “Constantinos, Guardadores de Vacas e de Sonhos” em que estamos a ser transformados.

Henrique Barreto

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