Construção da ETAR de Alvôco das Várzeas deverá ser retomada através de “solução melhorada”

A nova solução para a construção da estação de tratamento de águas residuais de Alvôco das Várzeas, cujas obras foram suspensas no mês passado em consequência dos protestos oriundos de um movimento que se opõe à localização daquela infraestrutura numa várzea na margem do rio Alvôco, foi ontem apresentada numa sessão pública, em Alvôco, que terminou por volta das 22h30.

Sensível aos protestos que se geraram, a empresa a quem foi entregue o projeto de alteração daquela ETAR, deu garantias de que a nova solução é tecnicamente mais evoluída – “os cheiros não se sentem e a água lançada no rio é desinfectada” – e tem outro enquadramento paisagístico, uma vez que os tanques vão ser “afundados”. Na zona vão também ser plantadas várias árvores por forma a diminuir o impacte paisagístico.

“Pretendemos enquadrar o edifício – com paredes de xisto e telhado em ardósia – na paisagem e fazer com que possa ser aceite pelas pessoas”, sublinhou a responsável por aquele projeto.

 Relativamente à deslocalização da ETAR para a Regada – era essa a pretensão do movimento “Salvem Alvôco das Várzeas –, a projetista incumbida de encontrar soluções, argumentou que aquela solução, comparativamente ao que estava inicialmente contratado, deverá custar mais 600 mil contos e, ainda assim, é necessário construir a estação elevatória no local onde está a nascer a nova ETAR de Alvôco das Várzeas.

O presidente da Câmara de Oliveira do Hospital, que fez questão de ir à reunião acompanhado pelo presidente da Águas do Zêzere e Coa (AdZC) e por alguns técnicos da empresa, congratulou-se por esta “nova forma de fazer política”, e lembrou que “seja qual for a decisão que vier a ser tomada é sempre melhor do que a que já estava tomada”.

“Eu também não gostaria que a ETAR ficasse ali, mas o problema foram os ‘timings’, afirmou também José Carlos Alexandrino, sublinhando ainda que não se pode “eternizar” a discussão, pelo que “terá que se tomar uma decisão que nunca agradará a todos”. “Mal é como está Alvôco atualmente. É insustentável, e uma das minhas prioridades para este mandato é resolver os problemas de saneamento no meu concelho”, advertiu também o autarca eleito pelo PS.

O responsável pelo Plano Diretor Municipal de Oliveira do Hospital, Lusitano dos Santos, defendeu a tese de que a preservação da paisagem nestas zonas com forte aptidão turística é a sua principal preocupação, falou noutro tipo de soluções – como tentar encostar a ETAR à estrada, por exemplo, para que não seja tão visível –, e concluiu que “valeu a pena o movimento” que “já gerou uma solução alternativa”.

“Quando eu defendo a mudança da estação é porque não quero vê-la nem quero que a vejam”, sublinhou.

Algo inconformado mostrou-se também Fernando Andrade, o líder do movimento criado no facebook com o título “Salvem Alvôco das Várzeas”. “Faço muitas reportagens em sítios onde as pessoas se queixam dos cheiros que lhes vêm bater à porta”, referiu aquele alvocense que é funcionário da RTP.

“Por ser um vale particularmente bonito merece este esforço. No final, o importante é que o equipamento esteja construído e a funcionar porque cada dia que a obra está parada é um mau dia para a AdZC”, afirmou entretanto o presidente daquela empresa, João Rodrigues, salientando que “não há desenvolvimento sem este tipo de infraestruturas, mas elas também não podem ser feitas contra as pessoas”.

Obrigado a mediar alguma exaltação de ânimos que se instalou na sala, José Carlos Alexandrino mostrou” pena” de não ter pegado no processo “inicialmente” porque – segundo frisou – “a ETAR não ficava ali”. Só que conforme também explicou o presidente do executivo, o processo inicial, incluindo a compra do terreno, foi todo desencadeado pelo seu antecessor.

De qualquer modo, Alexandrino, que depois desta ronda de negociações deverá anunciar a sua decisão até ao final desta semana – tudo indica que as obras venham a ser retomadas no mesmo local através da “solução melhorada” – deixou uma crítica à forma como o processo foi conduzido pelo anterior executivo, por não ter tido capacidade para dialogar com as pessoas. “Democracia não era o que havia no meu concelho”, disse.

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