Coral de Sant’Ana a impressionar há 28 anos

… coralistas aliada à arte do maestro vingam a vontade de levar longe a produção coral de Oliveira do Hospital.

O ensaio não começou sem antes se recordar a actuação anterior. Foi num casamento na Sé de Bragança e as impressões eram as melhores. “…No final da cerimónia estavam lá a dizer que nunca ouviram nada assim, estavam impressionados…”, contava um coralista responsabilizando o maestro por tal feito. “Estamos todos de parabéns” retorquiu Carlos Lopes, o regente que ainda no último feriado municipal de Oliveira do Hospital recebeu a homenagem de mérito municipal, pela sua dedicação contínua nos últimos 25 anos ao Coral de Sant’Ana.

Com uma agenda preenchida de espectáculos e participações em outras cerimónias, o momento é de tensão entre os 45 coralistas que preparam a recepção ao coro italiano que visita Oliveira do Hospital nos dia 6 e 7 de Dezembro. “Temos pela frente um calendário puxado, é necessário manter a forma”, alertou o maestro que entre os acordes no órgão de apoio e a orientação com as mãos, fazia ainda uso da possante voz para encaminhar o tom dos mais desafinados. “Não está afinado!!!”, alertava o regente, impondo a repetição do ensaio que de imediato assumia o tom desejado. “Pronto”, sossegava Carlos Lopes, anunciando de seguida o ensaio de uma nova música, porque o intervalo fica para mais tarde.

“É preciso ter-se gosto e ter-se voz”, segredou ao Correio da Beira Serra António Alves, coralista que acompanha o grupo desde a sua constituição. Aos 73 anos, o tenor é ainda acompanhado no gosto musical pela esposa (soprano), o filho (baixo) e a nora (alto). Sem nunca desistir, António Alves tem bem presente na memória o percurso do Coral de Sant’Ana. “Já teve momentos bons, menos bons e quase bons”, recordou, lamentando que alguns coralistas “se baldem” aos ensaios e que haja poucos jovens a frequentar o grupo.

Cantar é o motivo maior, mas não o único a justificar a continuidade do Coral. “Podemos entrar aqui numa pilha de nervos, mas saímos a cantarolar”, frisou Maria Manuela Alves, partilhando da opinião de outros tantos coralistas que aproveitam os ensaios para descontrair e deixar de lado a azáfama do dia-a-dia. Com 45 anos, Dina Gonçalves é – desde há sete anos – uma das coralistas que, à semelhança de tantos outros, herdou o gosto pela participação nos grupos corais das localidades de residência. “Aconselho outros a virem e tenho pena de não haver mais jovens”, referiu.

No grupo desde a sua fundação, José Maria Jorge destaca cada uma das passagens do grupo Coral desde a sua constituição pela mão de António Simões Saraiva, aos primeiros ensaios com Amadeu Esteves Tavares, passando também pelas várias sedes provisórias que foram sendo disponibilizadas pelo poder político até à instalação num espaço liberto pelo edifício da Segurança Social. “No início éramos uns 10”, recordou o coralista que não escondeu o hábito de cantar na casa-de-banho.

Há cerca de sete anos no Coral e há meia dúzia de anos na direcção, Ana Maria Silva, confessa que o cargo que ocupa se deve à sua vontade de querer dar continuidade ao Coral de Sant’Ana. Eleita por maioria – “não por unanimidade”, como frisou – a responsável lamentou ao CBS que por ocasião da última eleição não tivessem surgido outras listas capazes de assegurar a direcção do corpo associativo. Com 55 anos, Ana Maria Silva admite o gosto pela música, e confessa-se também atraída pelo convívio gerado entre todos os coralistas. Convidada a fazer uma avaliação sobre a actual performance do grupo coral, a responsável pela direcção não deixou de destacar a contribuição do maestro na realização de ensaios “muito aturados”, bem como de todos os coralistas, com especial destaque para os que se mantêm no grupo desde a sua constituição. A responsável sublinhou ainda a importância do subsídio atribuído pela Câmara Municipal já que o grupo, para além de actuações que realiza esporadicamente em cerimónias de casamento, não tem outra fonte de rendimentos.

Carlos Lopes rege o Coral desde há 25 anos

Com actuações em vários pontos do país e estrangeiro, o Coral de Sant’Antana realiza ensaios gerais todas as sextas-feiras. O encontro dos coralistas começa pelas 21h00 e as vozes começam a toar com a chegada do regente. A lição está estudada, as regras definidas e a disciplina impera entre os coralistas que trocam os olhos entre a pauta de música e a figura do regente.

Não há margem para dúvidas, o sistema é o mesmo desde há 25 anos, altura em que Carlos Lopes – a convite de António Simões Saraiva – assumiu a orientação do grupo coral. “Gosto muito da música instrumental e coral e dediquei-me em pleno a este grupo”, afirmou ao CBS durante o intervalo do ensaio que não tardou em ser retomado. Com um passado ligado à música, o regente – advogado de profissão e natural do vizinho concelho de Seia – aposta num reportório de música clássica, desde o barrôco ao romântico, fados, música portuguesa, brasileira, América-latina e até francesa. Destaque ainda para a parte litúrgica e de canto destinada a missas e cerimónias matrimoniais. Marcado pela versatilidade das suas competências, Carlos Lopes é ainda autor de algumas composições e são da sua criação a maioria das harmonizações de peças portuguesas.

Cada ensaio é um desafio para regente e coralistas, pelo que o tempo de preparação de uma peça depende muito da sua complexidade. “Numa música simples, dois ensaios são suficientes para ficar no ouvido…mas daí até à perfeição”, notou Carlos Lopes, contando que a admissão de novos coralistas no grupo, exige à priori um teste de voz que permita fazer uma avaliação das capacidades de cada um. “Já apareceram elementos que queriam entrar e que eu percebi que não tinham boas condições”, referiu, desafiando contudo a camada jovem a aderir ao grupo coral.

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