“Criámos um novo paradigma das feiras do queijo Serra da Estrela: este evento projecta-se por todo o território nacional”

A fanfarra dos bombeiros estava alinhada em frente aos Paços do Concelho. Tudo apostos para receber o Ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, que chegou acompanhado pelo presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, um autarca para quem o evento que estavam prestes a inaugurar, no caso a 26ª Festa do Queijo Serra da Estrela, cria um novo paradigma em termos de feiras e é um serviço prestado a toda a região demarcada. As afirmações do autarca ocorreram, depois de um beberete em frente à autarquia, na tenda que abrigava o palco Queijo Serra da Estrela e vários pontos de venda de vários produtos tradicionais. Entre eles, o queijo Serra da Estrela que, segundo José Carlos Alexandrino, era o rei do evento. E o edil não conseguiu disfarçar algum orgulho pelas personalidades que o rodeavam e pelo impacto que, no seu entender, o evento está a ter. Esta não é uma feira para o edil como as outras. Vai mais além.

_dcs0189-small“A Câmara Municipal de Oliveira do Hospital tem vindo a fazer uma defesa intransigente do queijo Serra da Estrela”, atirou José Carlos Alexandrino no início do seu discurso, chamando à estrutura que lidera um esforço que beneficia toda este espaço geográfico. “Temos prestado um serviço à região demarcada do Queijo Serra da Estrela. Somos capazes de inovar e criar um novo paradigma das feiras do queijo, fazendo um evento que se projecta por todo o território nacional”, frisou, enquanto muitos tinham um ouvido no discurso e a boca a saborear os vários produtos endógenos que eram oferecidos como prova.

José Carlos Alexandrino não tem grandes dúvidas que valorizar o interior passa pelos “produtos regionais que são do melhor”. E apelou à necessidade de apoiar os produtores a certificar os seus produtos e a atrair mais jovens para este sector. “Apelo a todas as entidades para se unirem em torno desta actividade económica para que este produto seja diferenciador e reconhecido por todos como um produto de qualidade. E os produtos de qualidade têm de se fazer pagar como tal. Que seja pago o sacrifício feito pelos nossos pastores, queijeiras que fazem uma vida de sol a sol”._dcs0202-small

O Ministro da Economia confessou que conhece bem a actividade, revelando que o seu avô tinha ovelhas e sabia bem os sacrifícios por que passam os produtores. “Acompanhei as dificuldades nesse caso e acompanho agora como Ministro da Economia as oportunidades que o sector agrícola e agro-industrial têm conseguido aproveitar”, referiu Manuel Caldeira Cabral, para quem nesta altura se vive um bom momento na economia portuguesa. “Está a crescer e é nos bons momentos que tem de se apostar na certificação, inovação, na actividade económica”, disse, antes de passar a elogiar José Carlos Alexandrino por apoiar a certificação do queijo Serra da Estrela [entregou mesmo aos produtores durante a cerimónia o subsídio que tinha aprovado em reunião de Câmara]. “É isto que o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital faz. É isto que estas feiras fazem. Promovem o encontro entre quem produz um produto de excelência, como é o queijo Serra da Estrela e os consumidores”, disse.

_dcs0205-smallManuel Caldeira Cabral lembrou ainda que, no seu entender, é o trabalho do autarca e dos empresários que fazem com que o desemprego no concelho [7,5 por cento] seja mais baixo que a média nacional. “São também municípios como o de Oliveira do Hospital que fazem com que Portugal tenha uma balança comercial positiva. Só em 2016 melhorou 900 milhões de euros”, rematou o governante.

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  • António Lopes

    E se o Senhor Presidente continuar a pagar umas viagens e os almoços, até se torna Mundial..? Quem sabe, não vamos ter a visita dos extraterrestres na próxima edição.Talvez não, porque, nessa altura, já lá estará gente mais sensata e mais respeitadora da lei e dos dinheiros públicos.

  • joão Dinis, Jano

    João Dinis, Jano.

    Não, não é feira do queijo Serra de Estrela. É uma festa, a pretexto de queijo(s), e não é que eu tenha alguma coisa contra as festas e antes pelo contrário.

    Mas não mistifiquemos as coisas que, dessa forma, só se contribui para agravar problemas que já são muitos.

    Mas vá lá por partes:

    — O Queijo Serra de Estrela ou queijo tipo Serra, é património ancestral de Pastores-Produtores desses queijos e tudo se encaminha, na actual situação geral, para espoliar, oficialmente, os nossos Pastores desse património COLECTIVO pois há alguns “artistas”, poucos, que se estão a apropriar dele e em proveito próprio. Por exemplo, um senhor chamado Jorge Coelho (ex-ministro; ex.dep PE, ex muitas coisas) que instalou em Mangualde uma “fábrica” de Queijo Serra de Estrela – certificado – diz ele, e que, paralelamente, montou uma visível “engenharia” empresarial (…) com uma Cooperativa Agrícola de Mangualde.. Mas com Leite de Bordaleira (ou Mondegueira) vindo de onde ? Em que condições de Produção ? A isto devia responder cabalmente a ASAE mas não responde podem crer… E também não me venham cá com a conversa de que ele proporciona o aumento de preço do leite que compra a Pastores. Sendo até verdade, é-o apenas circunstancialmente que, em breve, após ter arruinado outros pequenos produtores de queijo e de requeijão, lá veremos o que acontece – vai baixar – ao preço do leite aos Pastores…

    — Em Oliveira do Hospital, quantos Pastores-Produtores há a certificarem regularmente Queijo “Serra de Estrela”? Meia dúzia, se tanto. Há muitos mais Pastores a produzirem Leite de Ovelha para quem faça queijos. E estes Pastores, como estão eles a ser apoiados ? Não estão e antes pelo contrário. A consequência é a dramática redução do efectivo pecuário de Bordaleiras nos últimos anos e a redução do número de Pastores mais tradicionais. E, todavia, o negócio dos queijos tem estado com escoamento e a preços altos no consumidor. Altos, se comparados com os baixos preços pagos ao Leite aos Pastores…
    Mas subsistem outros e graves problemas como, os altos custos da “certificação”, da sanidade animal, das palhas e ervas para alimentação das Bordaleiras genuínas, e das rações para as outras ovelhas, das parcas ajudas da PAC e da política agrícola nacional para os menores rebanhos, da falta de fiscalização das traficâncias com leites e queijos, etc.

    — E se os Presidentes de Câmara de Oliveira do Hospital e da Câmara de Seia, até de Celorico da Beira, se preocupam mesmo a sério com os Pastores e Produtores de Queijo e de Requeijão ( e de manteiga de ovelha que era tão boa !…), então que, de entre outras coisas, sejam capazes de construir uma ETAR- colectiva – para tratamento dos efluentes das Queijarias desta nossa Terra-Chã ! Esta é, aliás, uma obra que até já deveriam ter sido capazes de fazer !

    — O “resto” é muita parra para pouca uva;é muita conversa e pouco leite ! Faz-se “festas” a pretexto de queijos e um dia destes não há Pastores !…

    João Dinis, Jano

    • António Lopes

      O que me chateia é que, tu, até sabes da coisa.Só que, de vez em quando, dá ideia que te distrais..De vez em quando vejo-te aos “beijinhos” ao Alexandrino.Será que lhe estás a explicar essas coisas? Espero que sim.Mas, tens que repetir muito.Ele, é duro de ouvido e tem o complexo que é informado..! Mas não te preocupes…é só complexo..! Da maneira como organiza as festas do queijo, dá para perceber que não percebe patavina da coisa..! O grave é que nós e especialmente os pastores, é que levam com a factura…

  • joão dinis, jano

    João Dinis, Jano

    Houve menos negócios…

    De facto, divulgação da Festa dos queijos, até a houve.

    O problema é que perdeu a Feira. Vários testemunhos directos que eu obtive, indicam que baixaram as vendas de Queijos e de outros produtos. Ou seja, com tantas festas a pretexto de Queijos, em que cada Presidente de Câmara entra em competição bacoca com o vizinho, o problema é que baixam os rendimentos dos que vivem do trabalho de pastor ou de pequeno e médio produtor de queijos…

    Ou seja ainda, um dia destes, em vez de uma festa, deve é fazer-se um “velório” da nossa produção tradicional de leite, de ovelhas e de queijos.

    Já disse e repito: se os Presidentes de Câmara, de Seia, Oliveira do Hospital e até de Celorico da Beira, de facto se preocupam assim tanto com os Pastores e os queijeiros do Queijo da Serra, então que façam construir uma ETAR colectiva para tratar os efluentes das pequenas e médias queijarias da região.

    O “resto”, já não passa de “folclore”…

    João Dinis, Jano