Até parece que foi de repente, mas entrou em depressão o sistema capitalista–imperialista com o colapso das finanças internacionais (e nacionais) que giram ...

“Crise”, as mistificações e outras patranhas…

… à volta da especulação bancária e bolsista. A “coisa” começou a estoirar nos Estados Unidos da América e, devido a esta “globalização” que tanto nos apregoam, a “coisa” estoira também pelo mundo fora e já começamos a ouvir “estoiros” cá dentro do nosso País…

Um pouco por todo o lado, vários bancos e seguradoras entram em falência depois andaram pelo menos 30 anos a sugarem o sangue de milhões e milhões de Pessoas com as hipotecas e as taxas de juro especulativas.

A propósito, que é feito dos milhares de milhões de Euros dos lucros que, até há um ano atrás, os Bancos se gabavam de obter em Portugal ? Será que esses lucros fabulosos se esfumaram ? Ou passaram para os paraísos fiscais dos tais “off-shore” ? Ou para onde é que foram ?…

A CRISE É FRUTO DESTE SISTEMA CAPITALISTA-IMPERIALISTA

A especulação financeira global agudizou-se muito de há trinta anos para cá e, curiosamente até, através de um processo que se poderá classificar como de “democratização” do acesso ao crédito bancário e ao jogo da Bolsa. Simultaneamente, as políticas neoliberais e de direita sempre impõem a redução dos salários dos Trabalhadores enquanto estimulam o recurso ao crédito até para suprir as necessidades mais elementares. Ora, as Pessoas – que reagem aos estímulos que lhes são fornecidos – foram assim induzidas a criar necessidades, consumismos e alguns “vícios”…

Só que o motor dessa “democratização” trabalha para obter o lucro máximo (para a Banca..) de qualquer forma ou feitio, ou seja, a qualquer custo social. Portanto, este sistema capitalista-imperialista foi gerando dinâmicas e acumulando tensões nas finanças e na Sociedade. Dinâmicas e tensões de exploração máxima dos Povos que só poderiam ter dado naquilo que agora está a acontecer. Ou seja, esta crise é um fruto deste sistema. Por assim dizer, é uma “indigestão” da Banca…

Aliás, o contexto desta crise também radica nas decisões tomadas pelos Estados de desligar, por completo, o valor do dinheiro-moeda cunhado do valor das reservas em ouro e do chamado “capital fiduciário”, aquele capital que tem directa correspondência entre o total do dinheiro–moeda cunhado e o valor das mercadorias produzidas por cada país ou grupo de países. Claro que as novas tecnologias aceleraram e alargaram muito o alcance do processo com as transacções ( e as vigarices..) a passarem por cima das fronteiras dos Estados à velocidade da luz e sem controlo .

Aliás, crise semelhante já acontecera nos finais de 1920 e inícios de 1930, sobretudo nos EUA. Então, o sistema capitalista–imperialista da época “resolveu” o problema com a II Guerra Mundial o que, obviamente, não foi “solução” para nada sendo que, hoje, não pode haver uma III Guerra Mundial pois essa seria “simplesmente” a última…

AS MISTIFICAÇÕES

Como é sabido, nos últimos 30 anos, ganharam espaço as teorias liberais da “livre concorrência”, da “globalização”, do mercado como entidade “inteligente” e “auto-regulável”, etc, etc, como se tudo isso existisse e funcionasse apesar de e para além da Civilização, logo à margem da interferência e da acção humanas em geral e dos (des)governantes em particular. É a patranha global ao serviço da exploração global dos Povos !

No contexto, os bancos, os banqueiros e todos os grandes especuladores capitalistas eram e (ainda) são propagandeados como se fossem os tais “competitivos”, os expoentes máximos da “eficiência”, da “agressividade” e da sacrossanta “iniciativa privada”. Eles são, precisamente, dos tais que muito gostam de apregoar a conhecida máxima:- “quanto menos Estado, melhor”… Aliás, tal é a doutrina ideológica dominante que as “vozes do dono” – por cá, as do PS, do PSD e do CDS/PP – papagueiam sem cessar.

Ao mesmo tempo, todos os outros – quase todos nós – eram considerados, pelo sistema, como uns incapazes, uns acomodados, logo, “gentalha” não-competitiva e justamente penalizada pelo mesmo sistema.

Olhando para a (triste) experiência do nosso País, veremos que dos Bancos saíram quadros gestores para serem ministros dos sucessivos (des) governos. Depois, acabado o trabalhinho nesses (des)governos, os ex-ministros regressavam ao trabalhinho nos Bancos… A conhecida promiscuidade, aliás alargada às maiores empresas, àquelas que também mais “mamam” no erário público…

Ano após ano, com as políticas de direita, com a entrega de Bancos e Seguradoras aos grandes capitalistas e com a sua passagem para maiorias de capitais estrangeiros e especulativos, assim se foi criando uma economia “de casino” – à base da especulação – portanto em prejuízo da economia real e produtiva mas em favor da economia virtual, da especulação e do “papel”.

PARA OS BANQUEIROS, AFINAL, É “QUANTO MAIS ESTADO, MELHOR”…

De repente, os Estados – os mesmos Estados que recusavam constantemente verbas públicas para a Saúde, para a Educação, etc – começaram a injectar “mares” de dinheiro público no sistema bancário e bolsista. Porém, note-se, não o estão a fazer para nacionalizarem os Bancos subsidiados mas apenas para lhes pagarem os respectivos prejuízos !

Por cá, este (des)governo PS, aliás pressurosamente “assessorado” pelo (des)presidente da República (PSD), arranjou logo 20 mil milhões de Euros para garantir os empréstimos que os “nossos” banqueiros vão fazer agora (à Banca…), sem se saber como vão pagar depois !…

Mas, afinal como é, “senhores” competitivos, “senhores” expoentes máximos da “iniciativa privada” ? Então, para os “senhores” banqueiros e outros grandes especuladores, afinal é “quanto mais Estado, melhor”…desde que seja para lhes dar o nosso dinheirinho público, depois de lhes tere dado as maiores isenções fiscais durante anos a fio…

Entretanto, soube-se agora, este (des)governo PS também andou a investir o nosso dinheirinho da Segurança Social nas Bolsas dos Estados Unidos, e está a perder mais de 200 milhões de Euros desse nosso chorado dinheirinho público da Segurança Social…

Tudo isto é uma escandalosa vergonha ! Um crime económico e social !

João Dinis
Autarca da CDU – Oliveira do Hospital

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