“Cultivo” de Nemátodo na Cordinha… Autor: João Dinis

A floresta da zona da Cordinha — União das Freguesias de Ervedal e Vila Franca da Beira e Freguesia de Seixo da Beira — está muito atacada pela doença do Nemátodo que dizima o pinheiro bravo de forma bastante evidente. Os prejuízos económicos e ambientais são enormes! Empobrecem a Região e empobrecem-nos a nós.
Entretanto, dezenas ou mesmo centenas de milhar de euros do nosso dinheiro público, têm sido gastas (através de entidades privadas que, assim, andam na engorda…) em acções supostamente destinadas a controlar a doença. Porém, os resultados não são animadores… Quem vem, agora, pedir responsabilidades públicas pelo “fracasso” das várias e convergentes campanhas que tanto dinheiro está a custar?

Estaleiros para recolha e retirada de sobrantes de pinheiro bravo que mais parece serem “ninhos” de Nemátodo…

Durante bastante tempo, de facto, vimos dois locais distintos onde “alguém” acumulava, e fazia transportar, por camiões, troncos e ramadas de pinheiros que tinham sido retirados da Mata das imediações por equipas digamos que especiais. Um desses locais situa-se à beira da EN 231 – 2 – frente à Zona Industrial da Cordinha (Aldeia Formosa – Seixo da Beira).  Outro local é junto da Rotunda, na mesma Estrada, entre Ervedal e Vila Franca da Beira. Tanto quanto julgamos saber, a CAULE, entidade supostamente especializada e que fez aprovar projectos – pagos por dinheiros
públicos – de sinalização e retirada de pinheiros secos – muitos destes mortos pelo Nemátodo – a CAULE era suposto pelo menos supervisionar esta intervenção.
Hoje constata-se que ou não o fez ou, se o fez, fê-lo muito mal.

Portanto, por acção ou omissão, que entidades respondem agora pelo que está a acontecer? E que está a acontecer? Pois, agora, há pinheiros bravos SECOS nesses estaleiros! E há sinais de murchidão em outros pinheiros próximos desses dois locais. No estaleiro, frente à Zona Industrial da Cordinha, ainda há ( 4 Dezembro) dois grandes montes de estilhas provenientes dos sobrantes florestais (mortos por doença ou praga) que ali estiveram acumulados. Quer dizer, os “estaleiros” que serviram para acumular, estilhaçar e retirar pinheiros MORTOS – muitos destes mortos pela doença do Nemátodo – estão, agora, a fomentar a morte de mais árvores, provavelmente pelo Nemátodo!  Quer dizer, o nosso dinheiro público está a servir para a “produção” de Nemátodo ou outro mal da Floresta! No mínimo, no mínimo, tem por ali reinado grave negligência! E quantos estaleiros mais (exactamente aonde) há no nosso Município e na Região toda? E, que entidades respondem agora pelo sucedido? E quem lhes virá assacar responsabilidades públicas pela negligência que indicia ser criminosa?

Ministério da Agricultura e Câmara Municipal têm que apurar
responsabilidades e pedir contas.

Em primeiro lugar, compete ao Ministério da Agricultura apurar responsabilidades em concreto. Foi o Ministério da Agricultura – hegemonizado pelo CDS /PP e pela CAP  –  que aprovou o(s) projecto(s)
de combate ao Nemátodo na zona e, por isso, é a entidade da tutela.

Mas a Câmara Municipal de Oliveira do Hospital não pode assobiar para o lado. No Município também é suposto haver a “Comissão Municipal de Defesa e Protecção da Floresta” da qual o Presidente da Câmara é Presidente por inerência. Pois, desde já se exige à Câmara Municipal uma intervenção enérgica e rigorosa, também com o objectivo de apurar responsabilidades e de se pedir contas a quem negligenciou e, assim, provocou esta preocupante situação.

Da nossa parte, já demos conhecimento formal do assunto. Até para que ninguém possa dizer que não sabia…Espera-se então por providências urgentes.

janoentrev1Autor: João Dinis, (CDU – Oliveira do Hospital)

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  • João Dinis (Jano)

    Após publicação do nosso artigo supra, fizeram-nos saber que a CAULE
    (eventualmente…) não tem responsabilidades naquilo que aconteceu e
    acontece nos dois “estaleiros” na Cordinha onde foi acumulada madeira
    de pinho. Madeira retirada da mata das redondezas pelo menos desde o
    início deste ano. Madeira de pinho bravo, no essencial, muito do qual
    certamente morto pelo Nemátodo que agora, mais do que provavelmente,
    continua a infestar mais pinheiros, nas imediações e nas redondezas. E
    quantos mais “estaleiros” destes estiveram a funcionar ?

    Pois se a CAULE não tiver responsabilidades pela grave negligência aí
    cometida, tanto melhor para a CAULE e tanto melhor para nós que
    estamos numa ZIF – Zona de Intervenção Florestal, supostamente
    acompanhada e gerida pela CAULE… Seja como for, a CAULE não pode
    “simplesmente” querer ignorar aquilo que se passa na floresta, nessa
    mesma ZIF, durante meses a fio…

    Sim ! Perante aquilo que lá aconteceu e continua a acontecer, exige-se
    que Ministério da Agricultura e Câmara Municipal abram de imediato
    rigorosos e céleres inquéritos, exactamente, para apurar que entidades
    são responsáveis por essa – repete-se – grave negligência, para, a
    seguir, serem criminalmente responsabilizadas por isso. Se tais
    inquéritos não forem de imediato, repete-se, de imediato abertos, será
    mais negligência a juntar à anterior negligência, enquanto o Nemátodo
    continua a “trabalhar-nos” a floresta. ! Não ! A culpa não pode morrer
    solteira !

    E quanto aos cortes – aparentemente exagerados – das árvores
    características das margens do Seia ( e de outros) ??

    Sim, através de um projecto feito aprovar e adjudicado para execução
    pela Câmara Municipal, foram cortadas muitas – demasiadas – árvores
    nas margens do Seia, pelo menos, que não fomos espreitar a outros rios
    ou ribeiros. Depois, não foram logo retiradas as ramadas dessas
    árvores que ficaram “à balda” nas margens e até dentro do leito !

    Ora aí temos mais negligência ! Portanto, outro e “independente”
    inquérito se exige para se apurar responsabilidades. Também aqui a
    culpa não pode morrer solteira !

    João Dinis, Jano