DE SEDENTÁRIO A ATLETA……..NUM AI !!! Autor: Luís Marques

Do 8 ao 80, é este o comportamento da maior parte das novas adesões ao processo “exercício físico”.
Várias têm sido as minhas intervenções acerca das adaptações ao exercício físico regular, da importância do acompanhamento orientado, e da visão natural do processo, em que se privilegie o bem estar e a saúde em prol dos tempos, velocidades, classificações, pódios, etc…

Assiste-se a um “atletatizar” dos praticantes nas diferentes áreas do exercício físico, em que o resultado do exercício é mais importante que o realizar o exercício. O espírito competitivo é bom, é determinante no ganho de capacidades, contudo desprovido de realidade quando contextualizado numa grelha de classificações. Claro está que me refiro ao desporto amador, em que dezenas/centenas de praticantes se inscrevem de forma individual, desprovida de clubismo, com o objetivo de participar e que não envolva qualquer tipo de federação desportiva, que mesmo essas também propõem provas de promoção desencontradas com os atletas propriamente ditos. Ou seja, qualquer tipo de prova que permita inscrições a praticantes (não atletas) amadores, amantes do exercício físico e dos seus benefícios, sabe que vai haver uma classificação geral, contexto este que tende a comparar pessoas normais, com gosto por determinado desporto, e que desvirtualiza a essência destas pessoas……PARTICIPAR.

Por ser recente e ficar chocado com o que ouvi ontem, hoje tive a necessidade de partilhar com os leitores dos meus textos o contexto que vivi e me chocou. Participei ontem, dia 12 de agosto, num trail na povoação de Benfeita, distrito de Coimbra, concelho de Arganil, em que participaram cerca de 250 pessoas. Foram propostos dois percursos, um longo de 28kms e um curto de 19kms. Acedi ao desafio do trail longo e comigo mais cerca de 20 pessoas. Por ser a minha primeira vez num percurso tão longo tentei procurar alguém que também fosse realizar o mesmo percurso. Conheci um jovem de 60 anos, natural de Lisboa e com uma experiência de trails ilimitada, algo que enriqueceu o meu dia. A meio do percurso separei-me deste jovem, o ritmo do senhor era muito lento, em relação ao meu, principalmente a subir, e quando terminei avisei a organização que tinha um senhor atrás de mim que teria ainda uma hora para terminar. Tomei banho, alimentei-me e quando me preparava para terminar e regressar a casa ouço o diretor de prova, já depois de entregar as medalhas aos “prós”, comentar para um colega da organização “Este gajo é doido, com 60 anos e vai ao trail longo!!”.

É pobre o espírito, é pobre a cultura, é mesquinho pensar que quem apenas quer tirar proveito do tempo em que está em prova é alguém desajustado ao contexto de quem quer estar no pódio. A prova apresentou locais únicos, aldeias bonitas, trilhos de xisto fantásticos, e porque não poder aproveitar isto, esta riqueza da natureza? Porquê estar preocupado em chegar rápido?

Não só quem acede ao fenómeno do exercício físico necessita de se adaptar e dar tempo para que tudo flua, também quem promove e propõe o exercício físico tem que se adaptar à realidade, todos diferentes todos iguais, condições para quem quer ganhar e tempo para quem quer participar.

Não seja sedentário, mas também não queira ser atleta, respire e aproveite o momento, esforçando-se claro está!!!

Bons treinos.

Autor: Luís Marques

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