“Depois de tanta polémica, ninguém diz qual a marca e as especificações dos benditos geradores [da BLC3]”

O eleito à Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital António Lopes continua empenhado em esclarecer a polémica que rodeia a Plataforma para o Desenvolvimento da Região Interior Centro (BLC3) esclarecida. Lopes voltou, na última Assembleia Municipal a levantar, entre outros problemas ligados à instituição, a controversa aquisição dos geradores por parte daquela entidade que, no seu entender, foram comprados por preços muito superiores àqueles que são praticados no mercado. Aquele eleito questionou ainda a razão da BLC3 não divulgar publicamente a marca e características dos geradores para se poder aferir de uma vez por todas qual o seu valor no mercado. E, ao terminar uma das suas intervenções, aproveitou para entregar ao presidente da Assembleia Municipal, Rodrigues Gonçalves, uma vela de aquecimento para o líder da AM questionar o presidente da BLC3, João Nunes, se foi aquela peça que inflacionou os preços “em 27 mil euros”.

“Essa pecinha custou-me apenas 19,60 euros”, referiu António Lopes que fez questão de trazer aquele exemplar recentemente avariado num dos geradores de uma das suas unidades indústrias de Cabo Verde. Esta foi mais uma forma de tentar contrariar o presidente da Plataforma, para quem, segundo António Lopes, um dos aspectos que justificou o elevado valor das máquinas que foram adquiridas pela instituição tem a ver com uma das suas características que lhe permitem trabalhar sem problemas a temperaturas negativas. “Continuo sem compreender como é que, depois de tanta polémica, ninguém diz qual a marcas e as especificações dos benditos geradores para podermos junto de um fornecedor aferir os preços”, lamentou António Lopes, aproveitando para mostrar algum espanto por a autarquia referir no processo que foi colocado em tribunal que não facultava os documentos ao eleito porque o “senhor presidente da BLC3 não lhos entregou”. “Mas [a autarquia] continua a mandar para lá dinheiro. Já lá colocou mais de um milhão de euros. São coisas extraordinárias”, referiu.

Estes subsídios concedidos pela autarquia, segundo António Lopes, também contrariam a lei das empresas participadas. E a título de exemplo, daquilo que considera ser “uma ilegalidade de uma ponta à outra”, recordou um parecer do Tribunal Constitucional que não autorizou a abertura de uma empresa do género da BLC3 por parte da Câmara Municipal de Guimarães, apesar de esta ter sido aprovada em Assembleia Municipal. “Leia a lei 50 de 2012”, referiu, ao mesmo tempo que deixava a promessa de não deixar cair este tema e procurar travar aquilo que considera uma ilegalidade.

“Como se cederam 22 por cento de borla?”

Há ainda outros pontos que preocupam António Lopes. Um deles é o facto de a Câmara Municipal ter vindo a perder percentagem do capital da BLC3, “sem que ninguém explique cabalmente como”. E lembrou que na discussão da AM de Abril estava na informação disponibilizada para discussão que a autarquia detinha 44 por cento, quando na documentação que recebeu através da decisão judicial verificou que já só detinha uma percentagem bem inferior. “Está lá na página 40 [dos documentos discutidos na AM de Abril] que a Câmara Municipal tem 44 por cento da BLC3 e o senhor presidente, que era presidente da Assembleia Geral [da BLC3] sabia que nesse dia e nesse ano o município, vá lá saber-se porquê, só já tinha 31,8 por cento. Como é que são apresentados estes números em documentos oficiais? Como se cederam 22 por cento de borla?”, atirou António Lopes, enfatizando que a autarquia é o único sócio da Plataforma que continua a colocar lá dinheiro, ao mesmo tempo que vai perdendo percentagem no capital social. “Como é possível? Pergunto aos elementos desta AM se isto não os incomoda”, rematou.

Ninguém esclareceu as dúvidas levantadas por António Lopes. Alguns eleitos do PS optaram por mostrar notícias que dão conta que a BLC3 tem reconhecimento internacional. Que está entre as melhores da Europa. O presidente da Assembleia Municipal, Rodrigues Gonçalves, fez igualmente saber que o processo que António Lopes interpôs no Tribunal Administrativo apenas lhe deu parcialmente razão e que a Plataforma cumpriu escrupulosamente as ordens do tribunal. José Carlos Alexandrino, também procurou enaltecer a BLC3, e divulgou que foi convidado para se deslocar a Bruxelas a convite da Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Centro a fim de participar no evento dos prémios RegioStars, promovido pela Comissão Europeia e onde a BLC3 é a única entidade portuguesa entre os finalistas, com o projecto o projecto “Centro BIO: Bioindústrias, Biorrefinarias e Bioprodutos”. António Lopes limitou-se a referir que o projecto da biorrefinaria era para ser “apresentado em 2012 e hoje a mata ainda continua a arder”.

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  • João Albuquerque

    Não basta somente estar preocupado com os geradores, o problema estende-se a todos os fornecimentos, por exemplo:
    A “Ifunghealth- Fungi Innovation Solutions for Health, Lda”, que em finais de 2013 teve um incentivo do IAPMEI de €296.889 num investimento elegível de €410.793 referente ao projecto QREN nº34076, fornece à BLC3 em 18 de junho de 2015 por 35 mil euros um “SISTEMA DE MEMBRANA PARA EFLUENTES, PARA A COMPONENTE PILOTO DE BIORREFINARIA INTEGRADA DE 2º E 3º GERAÇÃO: COMPONENTES/MATERIAIS, DO PROJETO CENTRO BIO”. No mesmo dia e curiosamente pelo mesmo dinheiro fornece também ao mesmo cliente um “SISTEMA DE SEPARAÇÃO E EXTRAÇÃO DE ÓLEOS DAS MICROALGAS, PARA A COMPONENTE PILOTO DE BIORREFINARIA INTEGRADA DE 2º E 3º GERAÇÃO: COMPONENTES/MATERIAIS, DO PROJETO CENTRO BIO”.
    Para além de ser mais uma empresa sediada ou incubada na BLC3, neste dia 18/06/2015, a Ifunghealth, Lda, não tinha CAE para poder fazer este fornecimento. Nesta data o objectivo da empresa era: “Atividades de estudo, investigação científica e tecnológica, de formação e de desenvolvimento de produtos inovadores na área da toxicologia clínica e analítica associada a fungos. Prestação de serviços especializados em toxicologia”.
    Como começou a haver este alerta e estes pedidos de esclarecimentos, a Ifunghealth, Lda, altera a objectivo da empresa em 07/07/2015 para:”Actividades de estudo, investigação científica e tecnológica, de formação e de desenvolvimento de produtos inovadores na área da toxicologia clínica e analítica associada a fungos. Prestação de serviços especializados em toxicologia. Fabrico e Comércio de produtos eléctricos, electrónicos e outros equipamentos”.
    No entanto a verdade é esta: A Ifunghealth, Lda, e muitas das empresas fornecedoras da BLC3 e lá incubadas, não tinham CAE nem Objectivo empresarial para poder cumprir os fornecimentos que fizeram.

    João Albuquerque

    • António Lopes

      O que a mim me admira é como ninguém é preso..! Por enquanto…

      • João Albuquerque

        Repare, a “Voz da Natureza, Lda” também sediada ou incubada na BLC3 que tal como “Ifunghealth, Lda” tem a CAE 72190 (Outra investigação e desenvolvimento das ciências físicas e naturais), quando recebeu de incentivo €234.738 de um investimento elegível de €323.806 também do IAPMEI referente ao projecto QREN nº 24845 propuseram-se a investigação, não era ao fabrico de equipamento eléctrico.
        Agora reparem no objectivo inicial e no que alteraram para parecerem legais quando firmaram seis contratos com a BLC3 no valor de €73810,22 para fornecimento de equipamentos.
        Objectivo inicial: “Actividades de investigação científica e tecnológica para o desenvolvimento de produtos inovadores em micologia e biotecnologia. Prestação de serviços especializados em micologia aplicada.”
        Objectivo actual; “Actividade de Investigação científica e tecnológica para o desenvolvimento de produtos inovadores em micologia e biotecnologia.Prestação de serviços especializados em micologia aplicada.Fabrico e comércio de produtos elétricos, elétronicos e outros equipamentos.Cultura, preparação e conservação de produtos hortícolas, assim como a sua comercialização.”
        Reparem, tal como a “Ifunghealth, Lda”, a “Voz da Natureza, Lda” aumentou ao objectivo o fabrico e comercialização de produtos eléctricos e electrónicos, no entanto, não alterou a CAE, o que torna os fornecimentos à BLC3 ilegais.

        João Albuquerque

        • António Lopes

          Como sui dizer-se tudo tem pés e anda.Uns estão ao “sviço do desenvolvimento da nossa terra”..! Nós estamos ao “serviço do bota abaixo”..! Eles levam, os subsídios e os contratos.. e que contratos..! Nós ficamos por ser os mal dizentes. Nos pagamos os impostos.Eles pode ser que paguem um IVA recuperável e um IRCzito, Nós pagamos os impostos para aguentar aquilo.Outros levam altos ordenados, 49% a custo praticamente zero.Eles são cientistas.Nós somos burros.E, cá para mim, acho que somos mesmo.Afinal, nós pagamos e eles, gozam..! E acho que se não dizem pensam: “Os cães ladram(até citam Churchil) e a caravana vai trazendo o milho”..! Até quando? E ninguém é preso..! Por enquanto..!

          • João Albuquerque

            Resta saber até onde vai esta cumplicidade entre incubadores e incubados todos eles devidamente subsidiados. Quanto custa esta cumplicidade aos oliveirenses? Quem lucra com esta cumplicidade?
            Diz o Sr Presidente da Câmara que a BLC3 é uma referencia internacional, que até já foi convidado para ir ver a distribuição de prémios.
            O que é que a BLC3 já mostrou aos oliveirenses? Nada, um zero absoluto. Um vácuo total, no entanto, ainda nem conseguiu acabar as obras mesmo custando mais 500 mil euros do que o deviam custar.
            A BLC3 tem servido alguém, e bem, caso contrário seriam os primeiros a querer tudo esclarecido e mostrado aos oliveirenses.

            João Albuquerque

    • Olimpicum

      E a medalha de ouro vai para quem?
      A medalha de ouro vai para a ….ave. Cientificamente.
      Cumprimentos.

      • Guerra Junqueiro

        A medalha? De ouro? Essa não vai para “Justiça”, vai para os que estão acima da Lei.

        Cumprimentos
        Guerra Junqueiro

        • Olimpicum

          E se, acaso José Mourinho, alguma vez, mesmo por engano, tivesse cruzado o concelho de OH, e suas magníficas estradas, também teria direito a uma medalha de ouro? Desportivamente, acho que sim. Ou a selecção nacional de futebol, com todos os seus figurantes.
          O Carlos Lopes, ou a Rosa Mota, não.
          Ao que parece, esses, apenas vão ao concelho de Seia, e nunca receberam medalha nenhuma. Também, não precisam. Já a têm. Há muito..
          Quererá dizer , com essa observação, que por aqui, em actos municipais, se “entrega o ouro ao bandido”?
          “Jamais”?

          • Guerra Junqueiro

            Já trocaram uma bola por uma medalha, ele tinha a bola repetida.

            Cumprimentos
            Guerra Junqueiro

          • António Lopes

            Essa não..! O Professor Victor Frade é o pai da nova forma de treino e respeitado no Mundo inteiro, pese ser uma pessoa que não se propagandeia. Só mesmo os especialistas o conhecem… e respeitam..! Se ele fosse como “alguns” era a pessoa mais conhecida do Universo.Não acredito.Mas se tivesse oferecido uma cópia, e não tinha que fazê-lo, o simbolismo era o mesmo…

          • Olimpicum

            “Entregar o ouro ao bandido”, é uma expressão brasileira que já vingou, há muito, por cá, em Portugal. (Sem BPN, sem BES,etc,etc,etc…governos, deputados…terem ajudado à festa.)
            Essa de “bola por medalha, com bola repetida”, passa por imprecisa: necessita demonstração. Clara.

  • oculum

    oculum

    Focalizem…

    Eis o «monstro» de mais do que três cabeças…. Anda a gerar um elefante mais do que branco, com inseminação artificial, «made in Bruxelas». Será um verdadeiro «campus potestatem»-(campo de energias).

    Focalizem…

    A «bomba» já vem a caminho de Oliveira do Hospital… Pasmem então ! E depois, que fazer ?!

    Oculum