Deputados do PS na Assembleia da República não aceitam “cortes no essencial, que é a saúde”

 

… quer impor ao hospital. Manifestamente contra a medida, os socialistas comprometeram-se a solicitar audiência ao secretário de Estado da Saúde.

Notícias recentes de que o normal funcionamento do hospital da Fundação Aurélio Amaro Diniz (FAAD) estava a ser comprometido, deram o sinal de alerta aos deputados do PS na Assembleia da República eleitos pelo círculo de Coimbra que, esta manhã, se deslocaram a Oliveira do Hospital para reunir com o Conselho de Administração da FAAD.

À saída do encontro que sentou à mesma mesa o presidente do CA da instituição, deputados e o líder concelhio do PS e vice-presidente da Câmara Municipal oliveirense, os deputados revelaram-se solidários para com a instituição que gere o hospital e comprometeram-se a discutir o assunto com o secretário de Estado da Saúde, numa audiência que esperam venha a acontecer no decorrer desta semana.

Para Mário Ruivo, a imposição que a Administração Regional de Saúde (ARS) está a fazer ao hospital da FAAD vai “prejudicar um serviço de retaguarda e de complementaridade com custos muito abaixo dos praticados pelos hospitais públicos”. “Estão a ser penalizados e prejudicados, não havendo nenhuma racionalidade financeira e qualquer benefício”, concluiu o deputado da Assembleia da República, notando estar em causa uma “questão ética”, já que “não se pode corrigir o défice com aquilo que já está contratualizado e cuja despesa já está realizada”.

Mário Ruivo considera que é importante “alertar” a ARS Centro para que “se façam ajustes em concertação com o CA da FAAD”, porque “num país moderno e europeu” não se pode aceitar que “quem não tem condições não tenha acesso à saúde”. “Que se façam cortes, mas não no essencial que é a saúde”, defendeu o deputado, que apelou à “coerência” do governo no que respeita à necessidade de redução do défice.

A acompanhar os deputados na deslocação à FAAD, o líder concelhio do PS e vice-presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital disse acreditar no “bom senso, razoabilidade e possibilidade de se minorar esta drástica redução da atividade cirúrgica e medicina de qualidade prestada no interior da região centro”.

“A ARS Centro tem que perceber que cortar uns quilómetros de alcatrão, não é a mesma coisa que cortar apoios financeiros para a prestação de cuidados de saúde que são assegurados a baixo custo e com elevados níveis de qualidade”, referiu José Francisco Rolo aludindo também aos postos de trabalho que a imposição da estrutura regional chega a colocar em causa, numa altura em que a taxa nacional de desemprego se situa nos 15,9 por cento.

Num processo que acredita tenha solução à vista – “estamos disponíveis para alcançar uma plataforma de entendimento equilibrada”, disse – Rolo regista o “bom senso” do CA da FAAD que já se mostrou disponível para aceitar o corte da atividade cirúrgica. “Não pode é ser reduzida ao nível zero”, avisou, considerando “impensável que se queira secar a FAAD”.

Cortes da ARS obrigam a atividade “residual”

“Tem que haver esse consenso e equilíbrio”, avisou o presidente do CA da FAAD , que manifestamente contra “os cortes cegos que não beneficiam os utentes e o erário público”, se voltou a opor a uma imposição que beneficia entidades privadas.

“Devem dar possibilidade às pessoas de escolher onde querem ser tratadas, este é o ponto de honra”, defendeu Álvaro Herdade que, do mesmo modo, também não concorda que após oito meses queiram impor retroatividade à FAAD”.

O responsável diz estar em causa “uma prestação muito alta” e que vai obrigar a que a atividade dos últimos três meses “seja residual e não vá ao encontro das necessidades das pessoas distanciadas a 80 quilómetros do hospital distrital”.

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