Oliveira do Hospital, cidade e concelho, têm, na minha opinião, três grandes desafios a concretizar/ ultrapassar no próximo mandato autárquico. São três pontos que podem fazer a diferença e catapultar a cidade e o concelho para uma nova estrada de sucesso e desenvolvimento.

Desafios

São três premissas que o próximo Presidente da autarquia deve ter sempre presentes e para os quais deve diariamente ter arte e engenho. Tudo o resto, sem deixar de ser importante, não será marcante na história da cidade e do concelho, como o serão, certamente, os três desafios.

Em primeiro lugar e obviamente, a construção do IC6 e de outras estradas que permitam a ligação da cidade e do concelho, com maior celeridade e conforto, aos principais centros de decisão do país e da região. Sem isso, nada mais interessa! Sem isso, ficamos reduzidos a um isolamento castrador e asfixiante. Sem isso não há jovens a fixarem-se, não há empresas a florescerem, não há turismo em crescimento, não há nada. Sem isso, a prazo, estaremos reduzidos a pó.

Contudo, parece que o problema da estrada está resolvido. É pura perda de tempo estar para aqui a colocá-lo como o primeiro grande desafio para o próximo mandato autárquico. Todos sabemos que o Secretário de Estado Paulo Campos já prometeu que o governo vai construir a estrada até ao final da presente legislatura (2009), pelo que o problema já nem se colocará no próximo mandato.

Mas, como “gato escaldado de água fria tem medo” e como tem sido feita muita politiquice à volta da estrada, esperamos inquietos o cumprimento da promessa. O segundo desafio é a manutenção, dinamização e entrelaçamento da ESTGOH com a sociedade empresarial do concelho. A existência de uma escola superior no concelho é importante e distintiva porque, entre outras tantas coisas, oferece prestígio, funciona como factor de atracção de investimento e empresta vida e juventude a uma cidade que dela tanto carece.

A sua manutenção e dinamização tem de estar acima de todas e quaisquer quezílias ou disputas partidárias. A escola deve ser encarada como a parte fundamental da cidade e toda a nova cidade deve ser projectada em função dela. Só pensando assim podemos manter a ambição legitima de por aqui termos ensino superior e de com ele potenciarmos o crescimento da nossa indústria, do nosso comércio e do nosso concelho.

O terceiro desafio consiste no centrar do investimento quando estamos perante mais um Quadro Comunitário de Apoio, o último, a última oportunidade para o sucesso. Sou favorável a uma política de investimento que aposte tudo no desenvolvimento industrial/empresarial de áreas próximas da capital concelhia e tudo no desenvolvimento turístico das áreas rurais do concelho. É inglório, como já percebemos no caso da zona industrial do Seixo da Beira, procurar atrair indústria para áreas que distam algumas dezenas de quilómetros da sede concelhia.

As facilidades logísticas e as rentabilidades que se geram pela proximidade à capital concelhia, bem como o mais rápido acesso a todo o tipo de serviços públicos e privados faz com que as empresas procurem áreas junto à sede concelhia. No dia em que a Câmara Municipal começar a dispensar terrenos para indústria em áreas próximas da cidade e se as condições económicas do país o permitirem aparecerão, com toda a certeza, novas empresas, mais postos de trabalho, novas dinâmicas e mais prosperidade.

É fundamental e prioritário, numa lógica de boa política de investimento que o próximo executivo municipal crie e dinamize novas áreas de localização empresarial próximas da sede concelhia, ao mesmo tempo que as dote de um conjunto de serviços de atracção de investimento como por exemplo: – disponibilização de Internet gratuita durante 5 anos para todas as empresas que aí se instalem; – ajuda financeira por cada posto de trabalho criado; – criação de um edifício que possa funcionar como Espaço do Empresário onde serão facultados às empresas um conjunto de serviços como sejam a disponibilização de espaços para conferências, reuniões, formação e onde funcionará o Programa Exporta OHP, serviço criado e gerido pela Câmara Municipal e que tem como objectivo ajudar à internacionalização das empresas oliveirenses mediante assessoria na parte de contacto internacional, eliminando a barreira linguística que tanto atrapalha a internacionalização da empresa portuguesa, e de assessoria financeira, fornecendo indicações sobre os instrumentos financeiros internacionais que podem facilitar o negócio.

Esse Espaço Exportação, mediante o contacto que vai adquirindo com vários sectores no exterior pode, num segundo momento, passar a funcionar também como angariador de investimento estrangeiro e nacional para o concelho. O outro investimento estruturante é a aposta no desenvolvimento turístico de certas áreas rurais do concelho. Umas com turismo religioso, outras com turismo histórico e outras com turismo de lazer. Para iniciar o trabalho é preciso começar pela criação de uma marca turística, pois, temos de nos convencer que o nome Oliveira do Hospital turisticamente não vende.

É preciso criar uma marca turística para o concelho aliada à imagem da Serra da Estrela – Vale do Alva. Depois é preciso registar essa marca e começar a trabalhá-la mediante a criação de espaços turísticos, de promoção de actividades culturais apostadas na atracção e dinamização turística como tem feito Meruge com a Feira do Enchido, por exemplo. Fundamental é ainda que o próximo Presidente da Câmara se dirija aos grandes grupos hoteleiros e lhes apresente o nosso espaço turístico, as suas vantagens e a riqueza da sua história, ao mesmo tempo que lhes oferece uma via verde de investimento no concelho.

Se isso for feito e bem feito podemos ter uma oportunidade de nos tornarmos um espaço de referência no turismo na região da Serra da Estrela. Agora, nunca nos podemos esquecer que temos de ser 100 vezes mais competentes que os nossos vizinhos de Seia ou Gouveia por razões que a natureza explica melhor do que eu.

 

Luís Lagos (Jurista)

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