“Desde o início que estou de consciência tranquila, mas aparentemente há gente desesperada pelo poder provavelmente para camuflar algo.”

O presidente da União de Freguesias de Santa Ovaia e Vila Pouca da Beira diz estar desde o início de consciência tranquila e pouco preocupado com a notícia avançada hoje por alguns meios de comunicação social oliveirenses que dão conta que o autarca foi condenado em Julho pelo Tribunal Administrativo e Fiscal (TAF) de Coimbra a perda de mandato. Bruno Amado, eleito por maioria absoluta nas listas do PSD, permanece em funções, dado que corre um recurso para o Tribunal Central, onde acredita a decisão de primeira instância “será revogada e será feita devida justiça!”.

Queixando-se de os meios de comunicação social não terem ouvido a sua versão antes de divulgar a notícia como se “a perda de mandato fosse um facto consumado”, o autarca acredita que este recurso irá “repor a verdade”, até porque, além de não acreditar que exista qualquer incompatibilidade na sua candidatura, alegadamente, na primeira decisão não foram levadas em conta alguns documentos apresentados pela defesa. “Desde sempre que estou de consciência tranquila, mas há quem esteja desesperado por voltar ao poder”, assegura, frisando que se trata de uma questão de perseguição política, à qual, acredita, não será alheia a Câmara Municipal. “É tudo político e há quem não se conforme com o facto de nós estarmos a trabalhar em prol da população e com um rigor a toda a prova”, sublinha.

Segundo notícia avançada por um jornal local e replicada noutros órgãos, o Tribunal de primeira instância considerou, em sentença datada do passado mês de Julho, que o jovem autarca, eleito pelo PSD, se encontrava em situação de “inelegibilidade”, aquando da sua eleição em Outubro de 2017. Em causa estaria o facto de “Bruno Amado ser sócio gerente de uma empresa de construção civil que tinha contrato de empreitada da Casa do Campo, em Santa Ovaia, quando foi eleito.

O Tribunal entendeu nesta fase que o jovem autarca “violou a lei da Eleição dos Titulares dos órgãos das Autarquias Locais”, segundo a qual “não são elegíveis para os órgãos das autarquias locais em causa os membros dos corpos sociais e os gerentes de sociedades, bem como os proprietários de empresas que tenham contrato com a autarquia não integralmente cumprido ou de execução continuada”.

Bruno Amado acredita que todo este caso vai ser esclarecido em breve. “Como é que poderia estar numa situação de inelegibilidade se a minha candidatura foi aceite pelo Tribunal Constitucional? Porque não procuraram logo impugnar a candidatura? A resposta é simples: nunca pensaram perder e agora procuram manobras dilatórias. Nunca estive em inelegibilidade, bem como em incompatibilidade para o cargo que todos os habitantes de Santa Ovaia e Vila Pouca da Beira me colocaram. Fui sim! Colocado em incompatibilidade desde logo da minha vitória nas eleições de 1 de Outubro de 2017”, acusa, enfatizando que não há qualquer incompatibilidade na sua candidatura, uma vez que o referido contrato da empreitada teve início a 18 de Abril de 2017, assinado na altura pelo gerente da CAA, (seu pai), tendo este contrato como objetivo ser integralmente executado no prazo de 120 dias, ou seja, conclusão em Setembro, portanto antes das eleições que se realizaram em Outubro”, explica Bruno Amado.

“Fruto do recurso ainda pendente, esta pequena explicação serve apenas para elucidar a realidade dos factos, sendo que assim que a decisão definitiva for proferida, oportunamente serão prestados todos os esclarecimentos sobre os detalhes desta infortuna situação”, sublinha.

Considerando tudo isto “um acto de perseguição política” e “uma certa vingança” política por parte de algumas pessoas que estão a contas com um documento em formato de queixa apresentado por nós, Junta de Freguesia no DIAP de Coimbra, em que no qual se encontra em investigação”, o autarca não esconde que há gente que não se conforma com a derrota. “Parecem desesperados para voltar ao poder, se calhar para poder camuflar alguma coisa, quem sabe? Mas mesmo, na hipótese remota de ser destituído pelo Tribunal Central, e ainda me resta o recurso para o Supremo, quem sobe à presidência é o segundo elemento da minha lista, nunca outros”, frisa.

O autarca estranha também que esta notícia tenha saído numa altura em que se vai realizar a 10ª edição do Festival das Sopas de Santa Ovaia no próximo fim-de-semana (15 e 16 de Setembro). Considera igualmente estranho o tratamento que tem sido dado, consecutivamente pela autarquia que, ao contrário de anos anteriores, sempre publicitou e interviu no referido evento da União de Freguesias.

O vereador do PSD na Câmara Municipal, João Paulo Albuquerque, também se mostrou indignado com o “timing” da notícia sair próximo do fim-de-semana do Festival das Sopas, quando a decisão foi proferida em Julho. “E sai nos meios de comunicação afectos à autarquia e da qual têm fontes de receita. Mas já estamos habituados a este tipo de coisas”, conta o social-democrata que considera todo este processo vergonhoso, dado que o “Bruno foi aceite como candidato e venceu com maioria absoluta”.

O vereador “laranja” acusa mesmo a autarquia oliveirense de estar a realizar o que designa por “descriminação por cores políticas”. “Como é que a Câmara não dá a mesma publicidade ao evento das sopas como oferece aos eventos das Freguesias socialistas? Fico ainda mais indignado quando nos restantes eventos os funcionários do município participam na montagem das estruturas e aqui deixaram tudo para a Junta de Freguesia. É uma vergonha”, conta.

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