DESILUSÃO, SATISFAÇÃO, ESPERANÇA

Em consequência disso, mantiveram-se as manifestações do seu agravamento: desemprego, falências, suicídios, assaltos, violência. Pouco ou nada foi feito no sentido de combater a especulação e a ganância financeira, que estiveram na origem da depressão. Ainda muito recentemente, na Escócia, na reunião dos ministros das Finanças e autoridades dos bancos centrais do G-20, as maiores economias do mundo, o Ministro das Finanças do Reino Unido, Sr. Alistair Darling, declarava: “O País vive ainda a sua pior recessão desde 1955….”e pedia a manutenção dos incentivos à actividade económica e das medidas excepcionais adoptadas pelos diversos países para combater a crise.

Defende, pois, que os Governos continuem a injectar dinheiro dos Bancos Centrais (nosso dinheiro) nos bancos privados (dos outros), como medida para: Relançar a economia (emprego, actividade económica); Corrigir os erros (mais controlo, mais ética). A Desilusão assola-me porque reparo que só estão mudando algumas moscas, pois tudo o resto ficou na mesma.

O que se constata é que os buracos dos Bancos, provocados pela sua escandalosa especulação, incompetência e ganância, lá continuam por tapar, enquanto nós, diligentes formiguinhas, continuamos,” mui respeitosamente”, a trabalhar e a aguentar! O Cartel continua a sugar-nos com comissões bancárias elevadíssimas, com exigências inacessíveis à maioria das “formigas”, com taxas imorais: se abrires uma conta, se não tens um saldo que lhes agrade, se pedes um extracto da tua conta…

Sei que tudo o que fazem “está a coberto da Lei”, ou seja, regulamentado e autorizado pelo Banco de Portugal, mas sei que as considero ilegais e imorais, nesta conjuntura.

SATISFAÇÃO pela presença de dois membros do governo natos no nosso Concelho. Qual a cidade do interior do País, com a nossa dimensão, que foi, alguma vez, bafejada por esta feliz coincidência? Conheço superficialmente os Políticos em causa. Mas conheci e conheço melhor os seus Pais. Recordo algumas conversas com o Sr. Joaquim Álvaro, no Café Colcorinho. Recordo-o sentado à mesa do café, com as pernas “bem afastadas”, numa posição que identificava bem a sua personalidade – pensamento aberto, seguro e transparência de carácter.

Apreciava ouvi-lo, mais do que falar, pois ele reflectia e transmitia um conhecimento do Mundo Real existente nas empresas e na vida do cidadão comum. Lembram-se daquela piada em que um capitalista era diariamente confrontado pelo seu filho, estudante universitário comunista, com a pergunta acusatória: “Porque não divide o seu dinheiro com os seus trabalhadores?” Uns tempos depois, o filho exibia, orgulhoso, a elevada nota obtida, enquanto o amigo, colega de curso mas reconhecido cábula, tinha tido nota negativa. O Pai devolveu-lhe, então, a acusação exclamando: “Filho, porque não dividiste o teu conhecimento com ele?” Ao que o filho, prontamente, retorquiu: “Como Pai? Eu esforcei-me, trabalhei…!”

Pois bem, esta piada releva o pragmatismo que eu reconhecia e apreciava no Pai da nossa estimada conterrânea, agora Ministra do Ambiente.

Conheço um pouco melhor o Pai do nosso actual Secretário de Estado, Dr. Paulo Campos. A Solidariedade está impregnada no carácter de António Carlos Campos, protegendo e defendendo todo o Oliveirense, independentemente da cor política, social ou religiosa. Sobra-lhe em dignidade o que a outros falta em gratidão.

Confundem o Homem com o Político, o Cidadão com o Governante. Desgraçadamente, a inveja e a crueldade inevitavelmente acompanham a fama, por menor que esta seja e não importa onde ela surja – seja no seio dos políticos, empresários, professores, médicos ou mesmo entre os comentadores do on-line do CBS. Mas, na verdade, é ela que impede os Oliveirenses de se manifestarem de “pernas afastadas”, numa atitude de pronto regozijo pela nomeação destes dois governantes e de reconhecimento por Cidadãos Oliveirenses de referência como é o caso de António Álvaro e de António Campos.

Congratulo-me, pois, pela presença governativa da Sra. Dra. Dulce Álvaro Pássaro e do Sr. Dr. Paulo Campos fazendo votos de que venham a ser, futuramente, reconhecidos pela Diferença, na senda dos seus progenitores.

ESPERANÇA pela remodelação governamental do nosso Concelho. Agora, tanto vencedores como vencidos, que tenham a humildade democrática que se impõe, em nome dos superiores interesses do Concelho, que todos prometeram abraçar e defender.

Todos serão precisos para resolver os difíceis desafios que este governo autárquico enfrenta: O DESEMPREGO atingiu tal número que se torna imperioso inverter a tendência.

O INVESTIMENTO privado e público tem de ser fomentado e incrementado para compensar o retrocesso das últimas décadas.

A CONVIVÊNCIA política atingiu tal desprestigio que muito tem que ser feito para elevar o confronto democrático.

O COMPADRIO atingiu as raias do absurdo, numa altura em que julgávamos que tal já não fosse possível. Vamos ter esperança que, no fim deste primeiro mandato, se possam constatar as mudanças necessárias e prometidas.

Carlos Brito 

Oliveira do Hospital, 24 Novembro 2009

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