Diabetes num relance

O sofrimento humano causado pela Diabetes é inaceitável e insustentável para a nossa sociedade. Não nos podemos dar ao luxo de adiar muito mais a implementação de medidas realmente eficazes.

Todos os anos, cerca de 4,6 milhões de pessoas morrem devido à Diabetes e mais dezenas de milhões sofrem de complicações, como Enfarte Agudo do Miocárdio, Acidente Vascular Cerebral, Insuficiência Renal Crónica Terminal, Cegueira e Amputação, que implicam custos diretos (medicação, exames, hospitalizações), indiretos (absentismo) e intangíveis (perda de qualidade de vida) incalculáveis.

A Diabetes surge também associada a outras consequências negativas, como as doenças infecciosas e mentais.

Num contexto em que os recursos financeiros dos sistemas de saúde são cada vez mais limitados, urge atuar ao nível da prevenção e controlo da Diabetes, que permita uma gestão mais custo-efeiva da doença.

Segundo fonte do IDF, actualmente 366 milhões de pessoas sofrem de Diabetes e outras 280 milhões estão identificadas como população de alto risco de desenvolver Diabetes.

Se nada for feito atempadamente, estima-se que em 2030 este número aumentará para 552 milhões e 398 milhões, respetivamente.

Emerge assim a necessidade de um plano global, que incremente ganhos em saúde significativos na pessoa com Diabetes e que passa por agilizar o diagnóstico precoce, optar por tratamentos com melhor custo-eficácia e pela total acessibilidade à educação terapêutica, prevenindo as complicações associadas à patologia e salvando muitas vidas.

Por outro lado, urge também implementar programas de intervenção na população de alto risco, promovendo uma alimentação saudável e a prática regular de exercício físico. Neste sentido, é impreterível destacar o papel do Enfermeiro como actor principal na prevenção e gestão da Diabetes, nomeadamente na identificação de grupos de alto risco, intervenção comportamental, rastreio de complicações, aconselhamento nutricional, prescrição de exercício físico, abordagem psicossocial de viver com a Diabetes e o desenvolvimento de técnicas de educação terapêutica individual e em grupo.

Numa meta-análise, referida pela SBD, por cada 23,6 horas de educação terapêutica, ocorreu uma diminuição de 1% na hemoglobina glicada (uma média de menos 30 mg/dl de glicose no sangue).

Renato Assunção
Enfermeiro -Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo, HUC EPE
Enfermeiro Consultor – Associação dos Diabéticos da Zona Centro

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