Diagnóstico precoce da escoliose assegura qualidade de vida das crianças. Autor: Pedro Fernandes

O diagnóstico de escoliose desde há longa data tem sido associado a uma deformidade incapacitante do tronco, a tratamentos prolongados e inestéticos e, por último, a cirurgias com riscos elevados. Não deixando de representar uma contrariedade no normal desenvolvimento das crianças, muito mudou nos últimos anos permitindo um tratamento conservador mais discreto e por outro lado uma cirurgia mais segura com um curto período de convalescença. Mediante um conhecimento mais aprofundado da História Natural da escoliose podemos hoje separar, de uma forma melhor, as crianças que não necessitam de qualquer tipo de tratamento daquelas que podem beneficiar de uma forma de intervenção, quer mediante a utilização de um colete, ou de uma cirurgia.

A coluna vertebral é constituída por 33 vértebras, dispostas linearmente do crânio à bacia. Observada de lado, a coluna apresenta várias curvaturas, que são responsáveis pela proeminência arredondada dos ombros e a depressão anterior lombar. Observando o tronco pela face posterior a coluna deve ser reta, os ombros e a bacia devem estar bem nivelados e os braços equidistantes em relação ao tronco, dando uma aparência de total simetria.

A coluna escoliótica apresenta um desvio no plano frontal, sofrendo uma torção nas suas vértebras, perdendo, assim, o seu normal alinhamento. Este desalinhamento é transmitido às costelas, perdendo‐se a simetria do corpo com elevação de um ombro, o aparecimento de uma proeminência torácica unilateral e possível desalinhamento da bacia.

As nossas medições da escoliose seguem o método de Cobb que utiliza como referencia as vértebras mais inclinadas para a curva, que pode ter uma forma de “C” ou ter duas curvas em forma de “S”. De acordo com a Scoliosis Research Society (www.srs.com), só devemos falar em escoliose quando este ângulo é superior a 10º, o que leva a que uma percentagem significativa da população tenha um desvio escoliótico inferior a 10º, não tendo qualquer significado clínico. Dois a 3% dos jovens com 16 anos apresentam escoliose, i.e, ângulo superior a 10 º e apenas 0,1 % destes apresentarão escolioses superiores a 40º necessitando ou não de uma cirurgia. E dizemos necessitando ou não porque não podemos fazer generalizações na abordagem desta patologia, dado haver várias etiologias, cada qual com a sua história natural e impacto na criança.

Dado que a incidência de dor nos adolescentes com escoliose idiopática é sobreponível à da população em geral e que o compromisso cardíaco e respiratório só surge em casos graves, encaramos esta patologia como uma deformidade cosmética, com maior ou menor impacto na auto-estima dos jovens, e não deverá, na maior parte dos casos, interferir na qualidade de vida das crianças.

Recentemente surgiu um dos principais estudos no campo da terapêutica conservadora da escoliose (Weinstein et al. NEJM 2013), demonstrando, finalmente e de forma categórica, a eficácia dos coletes na diminuição da progressão das deformidades. Assim, temos hoje evidência de que os coletes são eficazes na diminuição do número de crianças que virão a necessitar de uma cirurgia relançando o debate sobre a importância de um diagnóstico mais precoce.

No que diz respeito à cirurgia da escoliose, os seus princípios não mudaram muito desde a primeira artrodese, no início do século passado, assentando na correção parcial da deformidade e na colagem das vértebras envolvidas na deformidade mediante uma fusão óssea com enxerto de osso. Agora, o que mudou substancialmente nos últimos 30 anos foram as técnicas de libertação cirúrgica da coluna, tornando estas deformidades mais flexíveis, permitindo assim maiores correcções, e o extraordinário avanço nos instrumentais utilizados, descartando a necessidade de qualquer colete no pós-operatório, e um início precoce da marcha. Por último, paralelamente, verificou-se um avanço significativo nas técnicas anestésicas bem como na monitorização neurofisiológica intraoperatória, que vieram a contribuir decisivamente para uma cirurgia segura, e com excelentes resultados clínicos.

Infelizmente ainda não conhecemos totalmente a causa da escoliose mais frequente a que denominamos de idiopática. Seria ótimo conhecê‐la e poder de alguma forma prevenir o seu aparecimento. Até lá teremos de continuar a trabalhar no seu tratamento cabendo-nos ainda a responsabilidade de orientar as crianças e respetivas famílias na procura de aconselhamento junto de ortopedistas especializados nesta área. Desta forma, caberá aos médicos de família e pediatras estarem cada vez mais familiarizados com as diversas opções terapêuticas da escoliose por forma a orientarem corretamente estas crianças para uma opinião e orientação ortopédica especializada, quando necessária.

Recentemente foi lançada a campanha ““Josephine explica a escoliose”, uma iniciativa que pretende sensibilizar as pessoas para a escoliose, alertar para o impacto desta patologia na vida das crianças e adultos e educar sobre as formas de tratamento existentes.

 

assaoiaoaAutor: Pedro Fernandes, Coordenador Nacional da Campanha “Josephine explica a escoliose”

 

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