Hoje, tenho um consolo: o CBS – com todos os seus defeitos, mas também com as suas muitas virtudes – provocou uma grande discussão na sociedade oliveirense.

Dias de reflexão

A imprensa é a alavanca do progresso, e uma sociedade sem acesso à informação, é inevitavelmente muito mais pobre. Uma das nossas principais causas foi desafiar os oliveirenses a reflectirem sobre o pequeno mundo que os rodeia, e que por vezes só é descoberto em véspera de eleições autárquicas.

Como o jornalismo não se faz só no conforto das redacções, saímos para a rua e conseguimos mostrar aquilo que de pior existe: varrer para debaixo da alcatifa.

Encontrámos esgotos a céu aberto por todo o concelho, aldeias sem água ao domicílio e muitas famílias a viverem no limiar da pobreza. Numa frase, deparámo-nos com situações de verdadeiro sub-desenvolvimento. Fizemos a agenda de muitos políticos que nem sempre conhecem devidamente a realidade que os envolve. Acompanhámos inaugurações, fotografámos espampanantes rotundas e escrutinámos constantemente o poder local.

Nas colunas deste jornal, que foram amplificadas por uma edição on-line que chega a todo o mundo, lançámos uma pedrada no charco.

Fomos boicotados pelo poder local que, de uma forma verdadeiramente anti-democrática, tentou silenciar-nos.

É preciso que se diga que o actual executivo camarário nunca gastou um cêntimo de publicidade municipal nas páginas deste jornal. Tentou, inclusivamente, restringir-nos o acesso à informação, retirando o Correio da Beira Serra da lista de órgãos de comunicação social da base de dados camarária.

Pensavam que nos amordaçavam e nos deitavam “pelo cano abaixo”. Enganaram-se, porque o Correio da Beira Serra sempre encontrou nessas adversidades uma espécie de suplemento de alma.

Não estamos a cobrar nada em véspera de eleições autárquicas. Apenas escrevemos a verdade dos factos, porque a linha editorial do Correio da Beira Serra sempre se guiou, desassombradamente, por um farol: o farol do desenvolvimento e da causa pública.

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