Diminuição de efetivos Serra da Estrela e subvalorização dos produtos DOP preocupam ANCOSE em dia de concurso nacional

Menos ovelhas Serra da Estrela e venda de leite, queijo e borrego ao preço de há 10 anos. A situação preocupa a Ancose que apela à mudança de políticas nacionais destinadas a apoiar os criadores que “são cada vez menos”.

São 28 os criadores que, hoje e amanhã, participam em mais uma edição dos concursos nacional e regional de ovinos Serra da Estrela que se realiza nas instalações da Ancose, em Oliveira do Hospital. Um evento que deveria acontecer anualmente em cada um dos 18 concelhos que compõem a região demarcada da Serra da Estrela, mas que tem vindo a ler lugar na Ancose devido à sistemática diminuição de efetivos.

“Contamos com cerca de 70 mil ovinos nos 18 concelhos, mas há 10 anos falávamos em 115 mil”, afirmou ao correiodabeiraserra.com o diretor executivo da Ancose, dando conta de uma “grande diminuição” de ovelhas decorrente do abandono da terra, envelhecimento dos criadores- a média de idades situa-se entre os 55 e 60 anos – e a falta de jovens interessados em abraçar a atividade.

“Contam-se pelos dedos das mãos os jovens dedicados à criação de ovinos nesta vasta região”, lamentou Rui Dinis que no arranque dos concurso nacional e regonal de ovinos falou da necessidade urgente de uma “mudança de paradigma político” nomeadamente no que respeita às ajudas que devem ser canalizadas para os criadores, que hoje são cada vez menos, ainda que apostem num encabeçamento maior das explorações .

“Isto bateu no fundo”, alertou o responsável que, ainda assim, não se resigna ao mau momento que se abate sobre o setor e deixa a garantia que, da parte da ANCOSE, associação que presta apoio aos produtores, não vai haver “um baixar de braços”, porque continua a acreditar que “vale a pena” criar ovinos Serra da Estrela. E, referiu, “é esta mensagem que amanhã vamos transmitir ao secretário de Estado”, para que sejam adotadas novas políticas nacionais e que vão além dos apoios vindos dos quadros comunitários de apoio que não são continuados, impossibilitando, por isso, os criadores de saber com aquilo que realmente podem contar.

Rui Dinis fala da necessidade de “respostas rápidas” que devem ser dadas aos criadores que se vêem a braços com problemas de “pressões” no escoamento do leite, vendo-se obrigados a vender o litro de elite ao preço de há 10 anos. “Vende-se o litro do leite a 1,08 Euros para a indústria e a 1,15 para a produção de queijo DOP. Há 20 anos vendia-se o litro do leite a 230 escudos”, contou o técnico da Ancose, considerando tratar-se de uma situação incomportável numa altura em que se assiste à constante subida dos fatores de produção e do custo de vida.

“Tudo aumentou”, refere Rui Dinis, lamentando que produtos DOP como o leie, queijo e borrego sejam vendidos a baixo custo, verificando uma nítida “subvalorização” dos mesmos. No que ao leite diz respeito, Rui Dinis alerta para o facto de o criador não estar vocacionado para a venda de leite, pelo que a aposta deverá ter que passar pela concentração de oferta para a valorização dos produtos. “É nisso que estamos a trabalhar”, referiu o técnico vendo vantagem na “negociação coletiva” que “poderá ter outro peso”.

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