Entrevista: ‘Já temos alunos a estudar nos corredores’

…das instalações para acolher cerca de 700 alunos. Com o número de alunos a aumentar, Nuno Fortes está céptico quanto ao futuro de um estabelecimento de ensino já a rebentar pelas costuras.

Correio da Beira Serra – Como é que avalia o percurso da ESTGOH desde a sua criação até ao momento actual?
Nuno Fortes –
A ESTGOH iniciou este ano o oitavo ano lectivo de funcionamento. Se nós avaliarmos alguns indicadores que no meu entender são fundamentais para perceber qual tem sido a performance de uma instituição desta natureza, creio que devemos desde logo olhar para a evolução do número de alunos. E quanto a isso, apesar de ainda não ter número finais relativamente ao presente ano lectivo porque ainda estão a decorrer as matrículas, o que posso dizer é que no primeiro ano a ESTGOH iniciou as suas actividades com cerca de 80 alunos, no ano lectivo anterior tinha 636 e creio que, a avaliar pela performance alcançada no último concurso nacional de acesso, esse número vai ser ligeiramente ultrapassado no presente ano lectivo. E estes números dizem apenas respeito a cursos de licenciatura, porque se incluirmos os cursos de especialização tecnológica seguramente que posso afirmar que neste momento a escola tem mais de 700 alunos inscritos.

Atendendo a este indicador, creio que a performance tem sido interessante porque tem sido uma trajectória de crescimento sustentado. Ao longo deste percurso houve alguns percalços sobejamente conhecidos de todos. Houve anos em que a taxa de preenchimento das vagas foi mais reduzida do que aquela registada actualmente e no ano passado.

CBS – Como é que se justifica esta súbita procura?
NF –
Creio que se deve a dois factores. Um primeiro bloco de justificações tem a ver com uma dinâmica de crescimento do ensino superior em Portugal, tendo-se verificado uma diminuição do número de candidatos durante muito tempo. Pela primeira vez, no ano passado essa tendência inverteu-se. Tendo por base dados estatísticos, acho que tal aconteceu porque há mais alunos a concluir o ensino secundário. Houve certamente um trabalho de base no que toca ao abandono escolar que já está a produzir efeitos porque, em regra, os alunos conseguem terminar o ensino secundário e a candidatarem-se ao ensino superior. É uma tendência que se iniciou no ano passado e que se veio a confirmar também este ano.

Por outro lado, eu quero acreditar que outra linha de justificação tem a ver com o próprio desempenho da escola. Nós somos uma escola muito recente e temos poucas gerações de licenciados no mercado de trabalho. As primeiras gerações de licenciados estão a trabalhar há três anos e os nossos números de empregabilidade são óptimos. Temos uma taxa de empregabilidade superior a 80 por cento, três meses após a conclusão da licenciatura. Significa que as instituições vão sendo reconhecidas no mercado pelos resultados à saída. Quero acreditar que outra justificação para os bons resultados tem a ver com o “passa palavra” gerado pelos nossos diplomados da taxa de empregabilidade dos nossos cursos. Creio também – e é uma convicção minha – que os nossos cursos têm relevância social, quer os do departamento de gestão, quer de tecnologia. Os nossos cursos têm alguma desejabilidade do ponto de vista social e em nosso entender estão perfeitamente adequados ao mercado de trabalho, às necessidades dos empregadores e às expectativas dos candidatos.

CBS – Na altura da criação, a expectativa para esta escola, a velocidade de cruzeiro seria de 1000 alunos. Estaremos a caminhar neste sentido, mas mantém-se a questão das instalações provisórias que são claramente insuficientes. Este ano a ESTGOH chegou até a fazer um acordo com a Caixa de Crédito Agrícola Mútuo da cidade para leccionarem algumas aulas no auditório…Que tipo de constrangimentos concretos é que esta situação está a criar à escola e ao seu futuro?
NF –
De facto, a questão da insuficiência do espaço está neste momento na ordem do dia. Não posso esconder isso, porque é uma questão com que nos temos debatido com particular incidência no início e preparação deste ano lectivo. Há uma insuficiência em termos de espaços lectivos. A escola não tem o número de salas que seria desejável para o número de alunos que habitualmente a frequenta. Pela exiguidade do espaço interior não é possível ter salas de grande dimensão. Basta olhar para a tipologia do edifício para ser possível perceber que nós não conseguimos ter um auditório internamente, ou um anfiteatro.

CBS – Existem turmas com mais de 100 alunos…
NF –
Na medida em que temos turmas com mais de 100 alunos que se concentram às mesmas horas, com o mesmo professor, no mesmo espaço, é impossível fazer face internamente à necessidade de espaços lectivos.

Um terceiro problema pelo facto de a dinâmica de crescimento do número de alunos se traduzir obviamente em mais professores e mais funcionários que têm que ser acomodados para poderem desempenhar cabalmente o seu serviço. Temos neste momento insuficiência de espaços para professores e para desempenharmos serviços com a maior qualidade. Desafio-vos a espreitarem os serviços académicos, que têm um atendimento com dois postos em poucos metros quadrados e em que aquelas funcionárias atendem o ano inteiro 700 alunos.

Mais do que nunca, estamos constrangidos em termos de espaço para acolher actividades lectivas. Já nem entro sequer em questões que têm mais a ver com a qualidade em termos abstractos que nós temos idealizado para um serviço desta natureza. Se entrar por aí, tenho que elevar a fasquia e referir por exemplo que a escola não tem um espaço social, onde os alunos possam estar, conviver e praticar toda uma série de actividades desejáveis numa instituição de ensino superior.

A biblioteca – apesar de estar equipada com livros que são suficientes face às matérias leccionadas – não tem um espaço que seria desejável para acolher os alunos que todos dias anseiam estudar naquele espaço. A escola não tem uma sala de estudo destinada especificamente para esse feito. Os alunos aproveitam os buracos na ocupação das salas existentes para estudar. Poderão ver alunos a estudar no corredor em mesas que nós disponibilizámos para o efeito. Todos estes constrangimentos são penalizadores para uma instituição que tem demonstrado que tem capacidade de crescer e que se tem afirmado no panorama regional e nacional.

CBS – Não nota alguma decepção por parte dos alunos que chegam aqui pela primeira vez e dão de caras com estas situações?
NF –
Tenho pena de dizer isto, mas acredito que possa haver alguma decepção para quem vem de fora.

CBS – Sabemos de que há alunos que, dando de caras com o panorama, acabam por se transferir para outras instituições e alguns nem chegam a efectuar a matrícula…
NF –
A fachada da escola é de facto um problema. Todos nós temos a certeza de que não proporcionamos uma boa primeira vista. Há alunos colocados que não efectuam a matrícula, por força da aparência das instalações e nem sequer nos dão o benefício da dúvida e experimentam o serviço que nós podemos proporcionar. E há um outro problema relacionado com os alunos que se matriculam e se envolvem na vida da instituição, mas que se transferem da primeira para a segunda fase do concurso nacional de acesso. Numa leitura pessoal, que carece de validação com um estudo, verifico que por força da não existência de actividades lectivas entre a primeira e a segunda fase, o aluno não tem a possibilidade de experienciar o ensino que aqui é proporcionado. Ele pouco mais tem a possibilidade de observar a fachada do edifício, de um pequeno envolvimento com os serviços e aquilo que lhe é contado pelos colegas que encontra. Como resultado desta experiência embrionária, os alunos decidem da primeira para a segunda fase transferir-se da instituição. Estamos a falar de dois fenómenos que não são desejáveis.

CBS – Digamos que a ESTGOH tem uma má montra…
NF – A ESTGOH tem um edifício com uma fachada que não é bonita, moderna e cativante em termos visuais. Apesar de ter boas condições do ponto de vista do equipamento e bons indicadores no que respeita à empregabilidade dos cursos, estes aspectos não são relevados pelo aluno antes de experimentarem os serviços que nós proporcionamos. Temos que resolver este hiato de tempo que vai desde a colocação e o início do período das actividades lectivas.

Se estes constrangimentos internos se mantiverem, apesar de eu acreditar que as condições que proporcionamos são razoáveis para os alunos que temos, o deteriorar destas condições pode levar a que alunos já matriculados e que já tenham frequentado os nossos cursos possam vir a sair por entenderem que há outras instituições que lhes proporcionem um serviço com outros argumentos que nós não temos.

CBS – Tem exposto estas preocupações ao presidente do Instituto Politécnico de Coimbra?
NF –
Naturalmente que tenho. Ele partilha destas preocupações e é solidário com elas.

CBS – Num horizonte temporal quando é que acha que esta questão deva estar resolvida?
NF –
Eu espero que esta situação seja resolvida num horizonte muito curto, porque temo que no próximo ano lectivo, as condições que nós proporcionamos aos nossos alunos sejam ainda mais constrangedoras. Por força da dinâmica de crescimento do número de alunos e da oferta formativa que queremos imprimir, eu temo que no início do próximo ano lectivo os constrangimentos sejam ainda maiores. Eu espero que no início do próximo ano lectivo exista uma alternativa sólida e perfeitamente estabilizada e que nós possamos perspectivar num horizonte curto a mudança de instalações.

CBS – Indissociável de toda esta questão está o facto de a Câmara Municipal já ter adquirido um terreno para a edificação das futuras instalações da ESTGOH e de há relativamente pouco tempo o Desactivado Centro de Negócios de Lagares da Beira (ACIBEIRA) ser vindo apontando como uma solução para acolher o ensino superior no concelho. Como é que se posiciona em relação a esta matéria, tendo em conta toda a dinâmica que os estudantes têm incutido ao concelho?
NF –
Não tenho uma posição institucional que possa transmitir, até porque a decisão do sítio onde será instalada definitivamente a ESTGOH, é uma decisão política e como tal deve ser deixada aos políticos que estão envolvidos nesta questão. Eu, claramente, que não sou um político. Sou o director de uma escola, com um perfil executivo, e não gostaria de me pronunciar sobre questões que, claramente, estão fora do espectro de actuação.

CBS – Embora tenha a sua opinião pessoal…
NF –
Tenho-a como é óbvio e, sempre que for convidado a manifestá-la no círculo próprio, com certeza que o farei.

CBS – No ano passado, a Câmara Municipal avançou com o programa Empreender +, numa parceria com várias entidades, uma das quais a ESTGOH. O júri seleccionou duas ideais de negócio, com vista à sua instalação na futura incubadora de empresas de Oliveira do Hospital. Volvido um ano, não há sinais de incubadora e nem sequer os projectos premiados (Logic Pulse e Fauna Polis) estão em actividade no concelho. Que avaliação faz desta realidade?
NF –
Tenho dificuldade em pronunciar-me sobre a hipotética incubadora, porque mais uma vez é um assunto que não depende directamente de mim. Certamente que será uma questão a que o presidente do município terá todo o gosto em responder, na medida em que é uma iniciativa promovida pela Câmara Municipal. O que posso dizer acerca das duas empresas premiadas – no meu entender muito justamente – é que ambas partem de iniciativas endógenas da ESTGOH e temos acompanhado o percurso destas empresas. Apesar de elas não estarem instaladas em Oliveira do Hospital, têm projectos aqui e na região e desenvolvem em conjunto com a escola serviços prestados à comunidade que eu creio que são relevantes. Não só com a área laboratorial (Fauna Polis), mas também na área de desenvolvimento de software e soluções informáticas e de electrónica (Logic Pulse). Quer por intermédio da colocação de estagiários, quer pela dinamização de projectos conjuntos e envolvimento dos docentes tem sido possível acompanhar estas duas empresas, cujo percurso é muito interessante face à curta história que elas têm no mercado. Entendo que seria desejável – até para que a parceria com a escola fosse mais efectiva – que elas pudessem estar instaladas mais próximo da escola. Tentamos sempre disponibilizar espaços internamente que possibilitem o desenvolvimento das actividades destas empresas aqui. Como é óbvio, são espaços insuficientes face ao espectro das actividades que pretendem desenvolver.

CBS – A inexistência de uma incubadora de empresas não é limitadora da capacidade empreendedora dos jovens?
NF
– É evidente que a existência de espaços de incubação pode ser facilitadora do surgimento de negócios com potencial. Mas, não podemos esquecer todo o trajecto que é necessário fazer até à instalação da empresa e que não tem rigorosamente nada a ver com a existência de infra-estruturas físicas de apoio ao empreendedorismo. Tem a ver com o surgimento de ideias de negócio, do seu desenvolvimento, da escrita e reescrita das ideais de negócio e o teste do plano de negócio. São actividades que estão a montante da instalação numa incubadora. Todas estas actividades podem ser desenvolvidas em qualquer espaço geográfico onde existem pessoas com capacidade empreendedora. É claro que será interessante que depois de encontrado um conjunto de planos de negócio com potencial de concretização, seja interessante a existência de espaços que permitam a instalação dessas empresas. A existência destes mecanismos facilitadores é importante, mas não é decisiva para que surjam ideias interessantes e possam ser concretizadas com sucesso.

CBS – Neste momento, o que se verifica é que as duas empresas premiadas pelo Empreender + estão sediadas fora do concelho e não há criação emprego. As empresas continuam à espera da incubadora…talvez possamos presumir que o Empreender + não estará no melhor caminho…
NF –
Não tenho dados que me permitam aferir da performance do “Empreeder +”. Creio que a primeira iniciativa teve resultados interessantes, apesar de o número de ideias de negócio que apareceu não ter sido muito significativo, talvez justificado pela juventude do projecto. É verdade que para nós seria importante que este projecto fosse sustentado e tivesse continuidade nos anos vindouros. Acreditamos plenamente que a CM reeditará este projecto e outros concursos de ideais de negócio.

CBS – Qual tem sido a aposta da ESTGOH no que respeita à abertura para com a comunidade exterior?
NF –
Nós temos feito um esforço grande de abertura das nossas portas à comunidade, não só auscultando a comunidade por via do envolvimento através de fóruns e contactos junto de instituições regionais que nos permitam aferir as reais necessidades formativas da região, o que para nós é um input fundamental para a criação e reestruturação da oferta formativa. E também pela proactividade que temos vindo a demonstrar na prestação de serviços à comunidade. Esta é uma área onde nós queremos crescer e nos queremos afirmar na região e creio que temos o know-how em termos técnicos, científicos e humanos para prestar serviços diferenciados em áreas que a iniciativa privada não tem capacidade para prestar. Para além disso, esta é também para nós uma fonte de rendimento, daí que seja uma aposta muito firme e muito sólida da escola. Estamos há pouco tempo no mercado e o nosso leque de clientes ainda não é muito diversificado, mas acreditamos que pode ser alargado, transformando este projecto interessante em termos de rentabilidade para a escola.

CBS – Falava há pouco de empregabilidade e do sucesso que a ESTGOH tem tido nesse campo. Mas, em termos locais e regionais, se calhar o tecido empresarial tem uma quota mínima de absorção de licenciados da escola. Isto é, a escola está a gerar recursos, mas a região não estará a tirar proveitos…
NF
– De facto, a região não está a empregar a maioria dos diplomados da escola, nem creio que tivesse capacidade para o fazer face às características do tecido produtivo. Não podemos esquecer que é impossível, num espaço de tempo tão curto, fazer mutações significativas no tecido produtivo. Por outro lado, a economia portuguesa vive há largos anos momentos de crise. Essas dificuldades sentem-se com particular incidência no interior do país. Nós assistimos a um tecido produtivo muito fragmentado com pequenas unidades de pequena dimensão, muitas delas a actuar em sectores tradicionais, com pouca capacidade de diferenciação face às características do mercado cada vez mais globalizado. Não creio que seja possível, num espaço de tempo muito curto, operar transformações muito estruturais no tecido produtivo local e regional. Entendo contudo que a incorporação de quadros altamente qualificados como os que são formados aqui na escola, possa ajudar a que esta mudança se opere com maior rapidez. Também não nos podemos esquecer de que a própria formação de base dos empresários não é muito elevada. Ressalvo, contudo, que este é um discurso pessimista. Eu creio que o tecido económico local e regional tem potencialidades, algumas das quais estão a ser aproveitadas por empresários locais, outras não. A verdade é que existem oportunidades de negócio e sectores de actividade em que, pelo facto de estarmos perante uma região do país interior com acessibilidades algo deficitárias e com um acesso de constrangimentos da mais diversa ordem, ainda assim é possível que as empresas tenham sucesso. Quero acreditar que os diplomados da ESTGOH ao serem absorvidos por essas empresas, ou ao criarem os seus próprios negócios possam ser muito activos na reestruturação necessária deste tecido produtivo.

CBS – Não era intenção da ESTGOH avançar com um curso na área das energias renováveis?
NF –
Nós propusemos no passado ano lectivo uma licenciatura em Engenharia de Sistemas Energéticos Alternativos à Direcção Geral do Ensino Superior, mas não houve qualquer resposta favorável e o curso acabou por não ser aprovado. É uma área em que reconhecidamente a região tem potencial e em que eu gostaria de ver a ESTGOH a actuar a muito curto prazo. Para que isso aconteça, naturalmente, que é necessário que consigamos aprovar este curso, colocá-lo em funcionamento e apetrechar o corpo docente da escola com os melhores docentes, capazes de transmitir aquilo que de mais moderno e mais avançado tecnologicamente existe nesta área.

CBS – Estão previstos outros cursos, pós-graduações ou mestrados para a ESTGOH?
NF –
Estamos precisamente em fase de reflexão sobre a oferta formativa que temos. Temos disponíveis quatro licenciaturas e três cursos de especialização tecnológica, com destaque para Condução de Obra que é um “best seller”, tem tido uma procura extraordinária, face à dimensão da região em que estamos inseridos.

Consideramos que a expansão e diversificação da oferta formativa é fundamental para que a dinâmica de crescimento da escola se mantenha. Estou perfeitamente convicto de que se nos cristalizarmos nas quatro licenciaturas a dinâmica se vai perder a muito curto prazo. Nesse ponto de vista, vamos reestruturar os três CET que estão em funcionamento adequando-os aos referenciais de formação que estão editados pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional e temos ainda hipótese de solicitar o registo de outros CET.

Do ponto de vista das licenciaturas vamos reflectir sobre a pertinência da proposta que fizemos ao ministério de abertura do curso de engenharia das energias renováveis. Será uma aposta que o Conselho Cientifico da Escola terá de validar e insistir nessa área.

A um nível mais avançado queremos dar os primeiros passos na área do ensino pós-graduado. Neste momento joga-se em duas frentes no campo do ensino pós-graduado. Não só a possibilidade de criação de pós-graduações que não conferem grau académico e que são abertas a licenciados das mais diversas áreas que queiram reforçar ou diversificar as suas competências. Por outro lado, estamos também a dar os primeiros passos nos mestrados que já conferem um grau e título académico. Numa primeira fase entendemos que temos que ter apostas muito seguras. Todos os primeiros passos mal dados neste nível de ensino vão-se pagar muito caro a curto prazo. Todas as apostas que fizermos têm que ser verdadeiramente diferenciadas daquilo que existe no mercado e ganhadoras. O mercado só vai reconhecer a formação pós-graduada que de facto for uma mais valia. Nesse ponto de vista queremos dar passos seguros. Se nesta fase entendermos que os recursos que a escola tem são insuficientes para arrancar para propostas de mercado com características diferenciadas e ganhadoras, então avançaremos em parceria com outras instituições designadamente no seio do Instituto Politécnico.

CBS – Há possibilidade de a escola avançar com mestrados já no próximo ano lectivo?
NF –
Neste ano lectivo vamos preparar as propostas que submeteremos à apreciação da tutela. Se forem aprovadas, creio que no início do próximo ano lectivo estaremos em condições de iniciar os primeiros cursos de mestrado.

Se entendermos que é pertinente avançarmos com pós-graduações e não com frentes de título académico, fá-lo-emos sempre com as premissas de que serão uma mais valia.

CBS – Qual a origem dos alunos que, actualmente, frequentam a ESTGOH?
NF –
A origem é muito diferenciada. Há uma franja de alunos muito minoritária que é do concelho e da região. Mas, a grande maioria dos alunos vem do resto do país. Temos alunos que vêm do Minho ao Algarve. É curioso verificar que a distribuição geográfica se faz por bolsas. O que acontece, em regra, é que há um pequeno grupo de alunos que é colocado aqui e que depois se encarrega de passar palavra para a sua área geográfica e o contingente vem engrossando nos próximos anos.

CBS – O Minho é um exemplo disso…
NF –
Sim. Temos também uma comunidade interessante da zona do Porto e é também curioso verificar que o número de alunos do Algarve e das ilhas também está a aumentar. O que prova que os nossos cursos são apetecíveis, são cursos com procura não apenas local e regional, mas de todo o país.

CBS – Em termos da região, a procura é insignificante?
NF –
Não é. Os CET são uma realidade local e regional clara. Nas licenciaturas, de facto, a percentagem de pessoas de Oliveira do Hospital e região é diminuta e creio também que seria desejável que fosse maior. Era um sinal muito claro, de que a aposta que nós fizemos em prestar um serviço da máxima qualidade ao concelho e à região, era compensada pela procura que as famílias fazem das nossas ofertas formativas. Estamos apostados em aumentar a percentagem de alunos locais e regionais.

CBS – Há a sensação de que poucos alunos que terminam o secundário na cidade optam por ingressar na ESTGOH…
NF –
Sim. Apesar de não ter dados percentuais que me permitam aferir dessa realidade, parece-me que em valor absoluto serão poucos alunos a optar pela ESTGOH. Creio que são abaixo do que seria desejável, apesar de existir um clima de cordialidade entre as instituições e de grande cooperação e entreajuda. Não tem sido suficiente para captar os alunos. Não nos podemos esquecer – é uma constatação mais empírica do que estudada – de que existe um desejo que é normal no jovem de assim que ingressa no ensino superior, sair da cidade e experimentar outras realidades. Creio que é até salutar. No entanto, entendo que deveria haver uma maior aposta das famílias, local e regionalmente, para que os alunos frequentem as nossas ofertas formativas. Certamente, que acontecem casos de alunos locais e regionais que ingressam no mesmo tipo de formações noutras cidades. Do meu ponto de vista, essa escolha não é racional. Não tenho alguma dificuldade em aceitar que, face aos constrangimentos que as famílias atravessam neste momento, o número de alunos que faça esta opção seja muito grande.

CBS – Também já tem uma comunidade significativa de alunos provenientes dos PALOP…
NF
– Todos os anos, recebemos alunos dos PALOP ao abrigo de contingentes especiais que temos para o efeito. Isso é algo muito gratificante para nós. A ligação a comunidades lusófonas é fundamental para o desenvolvimento das instituições de ensino superior portuguesas.

Henrique Barreto/ Liliana Lopes

 

 

 

 

 

 

 

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