Dois directores do Novo Banco passam a arguidos após buscas policiais

As buscas policiais realizadas ontem pela unidade de combate à corrupção da Polícia Judiciária a instalações do Novo Banco, assim como ao local onde agora funciona o antigo BES, resultaram na apreensão de cerca de cinco milhões de documentos e ainda na constituição como arguidos de dois directores do banco presidido por Eduardo Stock da Cunha. O número de arguidos foi confirmado pela Procuradoria Geral da República, adiantando que este caso nada tem a ver com as funções desenvolvidas no Novo Banco.

O jornal PÚBLICO refere ainda que a acção policial foi desencadeada em 41 locais, 34 deles domiciliários, a pedido do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), com base na queixa-crime apresentada pelo Banco de Portugal, após o relatório de auditoria forense contra actos da anterior gestão liderada por Ricardo Salgado. Como resultado foram apreendidos cerca de cinco milhões de documentos parqueados nas instalações informáticas do Novo Banco, no Tagus Park.

É neste local, em Oeiras, explica o PÚBLICO, que está todo o acervo documental do grupo e que permitirá certificar as suspeitas de crimes cometidos por gestores e altos quadros, alguns dos quais transitaram para o Novo Banco, envolvendo ainda clientes da instituição, ou dar novas ênfases aos dados já confirmados pela investigação.

Na sequência, foram constituídos arguidos alguns directores do ex-BES que se mantiveram em funções no Novo Banco. O mandado de buscas do Tribunal Central de Instrução Criminal, assinado pelo juiz Carlos Alexandre, dirigia-se, neste caso, especificamente quer ao antigo BES (que funciona agora na Rua Barata Salgueiro, em Lisboa), quer ao Novo Banco, onde houve buscas na sede, no 14.º andar da Avenida da Liberdade, em Lisboa (além do edifício do Tagus Park). Nestes dois últimos locais, do Novo Banco, a presença dos investigadores prolongou-se por várias horas.

Para além dos indícios de um eventual esquema de financiamento e ocultação de dívida do GES, no valor de cerca de mil milhões de euros, com recurso aos veículos suíços, fornecedores de serviços (do BES e GES), de nome Eurofin, há ainda a suspeita de recurso a um saco azul, o ES Enterprise, que nos últimos anos terá sido usado para movimentar cerca de 300 milhões de euros para pagamentos não documentados dentro do grupo, mas também a terceiros.

Outra operação na mira das autoridades está associada à dívida ao BES do universo empresarial do presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, com créditos no banco liderado por Salgado, em 2012, da ordem dos 600 milhões de euros. O antigo administrador financeiro do BES, Morais Pires, reestruturou a dívida e colocou-a em fundos do BES Vida e da ESAF, o que permitiu retirar pressão sobre Luís Filipe Vieira, que deixou assim de constar na lista dos grandes devedores ao BES exigida pelo Banco de Portugal e pela troika.

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  • Politicalex

    O problema é das notas… estão a fazê-las com muita cola..! Agarram-se muito às mãos..! Se andaram todos nas mesmas escolas, é natural que leiam pelos mesmos livros..!