Diretor do Brás Garcia de Mascarenhas adivinha um arranque de ano letivo “dos mais complicados dos últimos tempos”

 

… “pensar mais nas crianças e não apenas nas questões económicas”.

É de profunda instabilidade o clima que, por esta altura, se vive nas escolas portuguesas.

Uma situação que o diretor do Agrupamento de Escolas Brás Garcia de Mascarenhas, em Oliveira do Hospital, deixou transparecer por ocasião da apresentação do programa “Escola Feliz”, chamando no imediato à atenção para a ameaça que paira sobre as escolas, no que ao apoio psicológico destinado aos alunos diz respeito.

“Corremos o risco de não ter gabinete de psicologia a funcionar”, alertou Luís Ângelo, prevendo que no próximo ano letivo os alunos “fiquem completamente abandonados”.

Uma situação que leva o diretor do agrupamento de escolas a desafiar o ministério da Educação a proceder a uma correção das medidas que está a implementar e que, tal como estão, vão impossibilitar às escolas assegurar o devido acompanhamento aos estudantes e que, ao contrário do que é defendido pelo ministério de Nuno Crato, não está em condições de ser garantido pelos professores com “horário zero”.

“Quem sabe são os psicólogos. Não tentem remediar com pessoas que não estão habilitadas para tal”, refere Luís Ângelo que, nos últimos anos, tem vindo a assistir à redução daqueles profissionais em ambiente escolar, tendo passado de 200, em anos anteriores para um total de apenas 70, no último ano, no conjunto de todas as escolas da zona centro.

À frente de um agrupamento de escolas frequentado por cerca de 1300 alunos, Luís Ângelo dá conta das dificuldades sentidas no ano anterior, em que o apoio psicológico era assegurado por um único profissional.

Uma situação, que segundo prevê, se vai agravar já a partir do próximo dia 17 de setembro, com a escola a não conseguir apoiar os alunos no âmbito de “situações administrativas complicadas” como sendo, por exemplo, planos de recuperação e de acompanhamento, que carecem de relatórios psicológicos.

“As famílias vão ter que recorrer a psicólogos no exterior”, constata Luís Ângelo que, a somar a todo o problema gerado em torno da reforma curricular, chega a adivinhar que o arranque do próximo ano letivo seja “dos mais complicados dos últimos tempos”.

O diretor referia-se em concreto à decisão do governo de aumentar o número de alunos por turma, que leva ao consequente aumento de professores com horários zero. “Nunca fomos tidos nem achados para emitir parecer sobre isso”, critica o responsável, que não consegue encontrar qualquer vantagem no aumento da carga letiva a alguns professores e o esvaziamento total a outros. “O gasto com salários está feito. Os professores com horário zero vão ficar nas escolas sem componente letiva quando poderiam estar em equilíbrio com os restantes professores, que passaram de 22 para 24 tempos letivos”, explicou o responsável que também se revelou preocupado com a situação dos professores contratados que “dificilmente vão poder continuar a lecionar”.

O que se passa no Brás Garcia de Mascarenhas é transversal a todas as escolas do país. Uma situação que a nível concelhio diz respeito ao serviço educativo prestado a um conjunto de mais de três mil alunos.

“Os problemas a aumentar e as respostas a diminuir”

Depois de o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital já ter expresso a sua solidariedade para com os professores afetados pelos designados horários zero, também hoje o vice-presidente se disponibilizou para reunir com todos os agrupamentos de escolas e secundária do concelho, para analisar o problema em torno do esvaziamento dos gabinetes de psicologia.

“Esta situação é muito grave”, disse José Francisco Rolo, verificando que o Estado não tem sabido dar resposta às necessidades das famílias em fase de “multiplicação”. Rolo referia-se em concreto à extinção do AGIR, TEAR e do projeto “Prevenção da depressão na adolescência” e que deixa as “famílias desprotegidas”.

Uma situação que o também vereador da Ação Social espera que venha a ser ultrapassada a nível concelhio, por via de uma união esforços, no sentido de se encontrarem respostas. “Estamos disponíveis para ser parte da solução”, referiu, falando de uma possível articulação com estabelecimentos de ensino superior, no sentido de em Oliveira do hospital poderem ser desenvolvidos projetos de investigação e de intervenção nas escolas, por parte de alunos em fase de doutoramento e mestrado.

LEIA TAMBÉM

Os pais da exclusão… Autor: Renato Nunes

Biblioteca Nacional de Lisboa, 29 de Setembro de 2017. Depois de mais um dia de …

Coligação liderada pelo CDS preocupada com empreitada da retirada do amianto das escolas de Oliveira do Hospital

A Coligação Construir o Futuro (CDS-PP / MPT / PPM) está “preocupada e apreensiva” com …