"Os verdadeiros lutadores são imunes às críticas, porque não se resguardam".

Já se criaram partituras sem notas, filmes sem imagens, quadros sem cor, livros sem palavras – e os artistas que desse modo levaram a imaginação às fronteiras da recriação de sonhos, de fantasias, do tempo e do espaço, ficaram na história como visionários.

Dois textos sem título

Guardiães da palavra e do olhar, assim como o tempo e o seu divino regresso, é mensageiro da memória do mundo, o visionário tenta tirar o homem do nada e do silêncio, para que este possa ter o encontro fantástico do deslumbramento, com a criação de novas obras, por ser impossível (sobretudo), apagar a imaginação do homem.

O problema é que, uma vez assimilada a presumível intenção heróica do gesto, a repetição de obras está fora de causa e: ou se desiste de criar, ou se regressa a formas mais convencionais de expressão artística.

A arquitectura na sua versão pronto-a-vestir para espaços públicos que o Portugal autárquico, de uma maneira geral, adoptou na sua expressão minimalista, é nesta dimensão interpretativa, um bom exemplo. Sem sombra de dúvida, que quem frequenta a cidade reconhece como o Largo Ribeiro do Amaral foi abandonado, se tornou inabitável, mais frágil e, tirando ocasiões especiais, completamente rarefeito da presença humana, e como essas ausências, ao anularem a memória do lugar, criaram um efeito de orfandade nos cidadãos sobre o espaço.

Por isso se impunha uma intervenção autárquica. Que está em curso. E sobre o curso da qual tenho as minhas reservas desde o início. Se entendermos o espaço público, como sendo aquele que dentro do território urbano é de uso comum e posse colectiva (pertence ao poder público), queira Deus que no futuro aquela obra não se venha a mostrar: irrisória, arrogante, e desrespeitadora da cidade e da sua memória.

As intervenções em zonas públicas consolidadas com alto valor patrimonial ou simbólico, devem respeitar o carácter dos locais – e, em qualquer caso, não podem ser decididas de forma autocrática, nem os cidadãos podem demitir-se de exercer os seus laços afectivos com os espaços.

Neste projecto de requalificação, só há pouco mais de duas semanas a cidade acordou aturdida, com o abate cirúrgico das árvores e despertou finalmente para o projecto. Até áquele momento, as pessoas deram provas como aquele espaço era há muito um território de separação, espaço invisível, esquecido pelos agentes da cidade e ignorado pelos seus habitantes.

 

Marx inventou como energia da História uma coisa chamada luta de classes. Mas como dizia Friedman — esqueceu-se do principal motor da História nas sociedades mais atrasadas, que é a luta de invejas. E o que temos em Portugal é uma patologia social profunda que é: a inveja, a delação, a bufaria que impede o que faz progredir uma sociedade: competição, pluralismo, avaliação pelo mérito, e que ganhe o melhor!

Claro está, que perfilhar isto é mentalizarmo-nos, que é preciso descer para subir, e isto compreende um atentado ao comodismo, por vezes à auto-estima. É esta ordem que nos confronta e nos obriga a confirmar na comunicação social, o que devia ser mantido no restolho interno de um partido, até que sobre o assunto o líder tomasse palavra pública.

Após o assunto ter caído na rua, levado aliás pela maioria dos membros que agora ficam com o líder. Só me restou sem tormenta, assumir a este jornal na semana passada, o facto de constituir uma verdade, a apresentação ao presidente da Secção do PSD, da renúncia ao cargo de Vogal para o qual fora eleita.

Por que sou institucionalista, as fundadas razões da minha saída, serão em primeiro lugar expostas ao líder do partido, não obstante há duas semanas atrás tenha em reunião da CPS, deixado explícito, que na condição de liderada de José Carlos, não podia permitir-me, a determinadas derivas internas.

A minha carta de renúncia será em qualquer circunstância pública, se José Carlos Mendes – a quem quero deixar publicamente uma palavra de enorme simpatia pessoal – como líder do partido, considerar essa mesma interpretação.

Convém dizer que sempre tive presente a possibilidade de renunciar, o que naquela posição, constitui seguramente uma prova de liberdade. Mas saio numa altura, em que fica tudo por fazer, mas no momento em que se impunha sem reserva.

Por isso não me importo nada, que outros falem agora na rua, sem a voz da razão, sem a responsabilidade de quem fica, sem a humildade da admissão, de que a circunstância da minha saída se não impuser reconhecimento, deva dispensar invariavelmente, a ingratidão.

Pela circunstância muito delicada que a questão autárquica encerra na CPS, considero que neste exacto momento, não devo exportar mais alarido para um espaço que arde sem se ver, como o fogo de Camões.

*Vogal demissionária da CP de Secção do PSD

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