“É importante que as pessoas saibam que a Junta tem iniciativas e capacidade própria para executar”

 

… por iniciativa da Junta e, muitas vezes, a “custo zero”. A lamentar tem a incapacidade de colocar um ponto final em problemas – os esgotos, por exemplo – só solucionáveis com o apoio da Câmara Municipal.

Correio da Beira Serra – Ao fim de quase três anos à frente da Junta de Freguesia que balanço faz do trabalho realizado?
Nuno Oliveira –
Este é um executivo em coligação que logo demonstrou a vontade de criação de estabilidade orgânica estrutural. Decidimos rápido e tivemos resposta rápida do elemento do movimento independente “Oliveira do Hospital Sempre”, o Sr. Faria. Uma coisa que nós decidimos desde o primeiro momento foi que não entrássemos em politiquices e que o trabalho realizado pela Junta fosse mais no sentido pro ativo em termos sociais. Devido a esse aspeto, o trabalho tem sido positivo… saudável acima de tudo. O que nos também tem permitido levar a efeito alguns dos nossos objetivos, na expectativa de que até ao final do mandato consigamos concretizar a maioria dos objetivos inicialmente apontados. Ao logo do mandato também surgiram outras necessidades que foram sendo resolvidas. Temo-nos dedicado ao nosso trabalho e tentamos dar o nosso melhor. Vamos sair de consciência tranquila pela nossa entrega e dedicação e pelo que tentámos executar. Há situações que nos ultrapassam e não dependem só de nós diretamente e que nos obrigam a trabalhar e a estar dependentes do município.

CBS – Como é que é ser presidente da Junta da Freguesia sede do município? Não sente que o seu trabalho acaba por ser ofuscado pelo que é desenvolvido pela mão do executivo municipal?
NO
– Em primeiro lugar, para mim ser presidente da Junta de Freguesia de Oliveira do Hospital ou de S. Sebastião da Feira, que é a mais pequena, seria igual. A dedicação seria a mesma. Quanto ao facto de estarmos à frente da freguesia sede de concelho, desde a primeira hora que foi nossa intenção, nas diversas obras e iniciativas, deixar a marca da Junta de Freguesia. Acho que isso tem acontecido com iniciativas próprias que temos vindo a realizar. É importante que pessoas saibam que a Junta tem iniciativas e capacidade própria para executar. A filosofia positiva da Câmara Municipal de distribuição de verbas pelas juntas também nos facilitou o nosso pensar e a passar da teórica à prática. Há obras que são feitas em conjunto por questão de dimensão de verbas. No entanto, há sempre o objetivo de delimitar aquilo que é a ação da Junta . Sempre tivémos a preocupação de lançar a marca Junta de Freguesia.

CBS – Costuma ser ouvida a sua opinião na tomada de decisões maiores?
NO –
Da parte do presidente do município tem havido essa preocupação. Aconteceu isso com as obras que agora vão ser lançadas e com outras anteriores. O presidente da autarquia, por norma, pede-me opinião. Não quer dizer que seja vinculativa. Mas não deixa de nos ouvir.

CBS – Entende que a requalificação da Avenida Dr. Carlos Campos, Centro de Camionagem e Mercado Municipal é oportuna? A requalificação do Centro Histórico não seria de maior urgência?
NO –
Em tudo na vida é preciso tomar decisões. Uns poderão pensar que esta será melhor, outros não. Acho que o que não deve haver é precipitações para evitar custos desnecessários. A central de camionagem há muito que foi pensada e é hora de se passar da teoria à prática. Eu sou a favor. É uma obra que já o anterior executivo tinha em mente e que este vai levar à prática. A própria requalificação da avenida já tarda. Penso que houve erro estratégico por ocasião da grande requalificação da cidade, porque os dois milhões que cresceram do empréstimo poderiam ter sido usados para recuperar esta artéria e outras mais secundárias. É hora de ir avante. A zona histórica da cidade é óbvio que me diz muito e tenho batalhado muito para a sua requalificação. Como toda a gente sabe há uma contenção muito grande de financiamentos às autarquias e neste momento têm que se fazer opções.

“Um concelho onde haja mais do mesmo terá menor capacidade de atração”

CBS – O que é que entende de maior urgência na requalificação da Zona Histórica?
NO
– Tudo. Há muitas obras que têm que ser levadas a efeito. A renovação de saneamento básico e abastecimento de água. Era importante revitalizar os próprios imóveis. Já dei as minhas ideias no sentido empreendedor que poderiam conduzir a um debate, com o objetivo de tirar proveito da zona história em termos turísticos.

CBS – É para si uma preocupação maior?
NO –
Sim é. E por semelhante motivo também decidimos avançar com a Capital do Cobre e do Latão. Eu identifico importantes potenciais turísticos que nos podem demarcar de outras zonas. Um concelho onde haja mais do mesmo terá menor capacidade de atração. Mas se conseguirmos oferecer algo inovador e que marque quem nos visite, penso que é ponto chave. A marca Serra da Estrela há em vários concelhos e há apenas três zonas do país que martelam o cobre: Oliveira de Azeméis, Oliveira do Hospital e Vieira do Minho . Se nos pudermos antecipar e potencializar aquela arte centenária em Oliveira do Hospital, que é uma profissão em vias de extinção, em que 90 por cento do seu mercado é a exportação… porque não sonhar com a criação de um museu com um restaurante panorâmico centrado nas nossas iguarias locais.

CBS – O que é gostava de ver na Zona Histórica?
NO –
Porque não transformar a Zona Histórica num Hotel ao ar livre. O custo da revitalização da zona histórica logicamente que não será pequeno. Sempre defendi que a Câmara Municipal tenha pessoas atentas aos concursos do QREN para termos projetos prontos a candidatar. Existe um levantamento do anterior executivo que até era um projeto atrativo, mas que não foi à avante. Pode vir a servir de exemplo. O que é certo é que me continuarei a bater, porque o turismo poderá ser uma alavanca para o concelho.

“O dinheiro que a Junta gasta em iniciativas e obras fica em Oliveira do Hospital”

CBS – O que é que mudou na freguesia desde que tomou posse?
NO –
Preocupo-me com o que irei fazer e jamais farei comparações. Nunca ninguém me ouviu , nem me irá ouvir a comparar o que se fazia e o que agora se faz. O que nós esperamos é deixar marca e que as pessoas se lembrem do nosso executivo e encarem o nosso trabalho positivo. Ao querermos isto temos que já ter marcas. Lançámos a festa da zona histórica e o campus de férias. Estamos na fase inicial da Capital do Cobre e lançámos o festival de Tunas Académicas… estamos a dar uma dinâmica nossa, não sei se melhor ou pior. Não vivo de críticas e não farei comparações.

Em relação aos eventos que realizamos, devo dizer que tem havido a preocupação de minimizar ao máximo os custos sobre a Junta de Freguesia. As atividades complementares à festa da zona histórica tem saído a custo zero para a Junta. Tem havido a preocupação de contenção de custos. Nos últimos dois anos, aquando da realização da zona histórica, conseguimos verbas para a festa e para as exposições de fotografias e das profissões, através da ADI, da ADIBER e até do Turismo Centro de Portugal. Temos a preocupação de fazer festas sustentadas, credibilizadas e financiadas Paralelamente, a Junta tem a preocupação de fazer as compras no comércio local. Até conseguimos criar um circuito económico e estamos a apoiar o comércio local. Também na execução de obras damos prioridade às nossas empresas. O dinheiro que a junta gasta em iniciativas e obras fica em Oliveira do Hospital

CBS – Quais entende continuarem a ser os problemas maiores da freguesia?
O
– Às vezes sinto-me inerte em face de obras que não dependem de mim. No futuro próximo espero que o município resolva o problema dos esgotos na Catraia de S. Paio, onde subsistem as fossas séticas. Estamos no século XXI e temos este problema à porta da cidade e que segue toda a linha da EN17 desde Póvoa das Quartas até Vendas de Galizes. Devo notar o entendimento das Juntas de Freguesia em defesa de obras comuns como esta. Hoje os presidentes de junta estão mais pro ativos e unidos na resolução dos vários problemas que vão surgindo. Uma atitude que devemos agradecer ao presidente da Câmara que tudo tem feito para atingir este fim. Outros problema de anos é o saneamento e abastecimento de água em Vale Ferreiro onde as tubagens são insuficientes tendo em conta a recente evolução da população e estão constantemente a rebentar. Também a Rua Dr. Virgílio Ferreira, entre a saída de Sant’Ana até ao Chão da Bispa, carece de passeios e espero que seja requalificada neste mandato. O que se passa em Vale Ferreiro também acontece entre Vendas de Gavinhos e Gavinhos de Baixo. Cabe-me a mim fazer luta junto da Câmara, porque a Junta de Freguesia não tem capacidade para solucionar estes problemas. A requalificação do Parque dos Marmelos e Ribeira dos Cavalos são objetivos que gostávamos de concretizar. Temos ali uma mancha que está a cair no esquecimento. A ideia é requalificar o parque e a ribeira até ao antigo matadouro. É uma situação onde se acumulam lixos e entulhos. Podia-se tornar num espelho porque é um ponto de entrada da cidade. Este ano vamos arrancar com construção de parque de merendas no largo junto ao Chão da Bispa. Também contamos colocar lombas junto ao Mini Preço devido ao elevado número de acidentes que ali tem ocorrido.

CBS – Como avalia o modo de vida da população da freguesia?
NO –
A crise é geral. Logo que tenhamos conhecimento de uma necessidade verdadeira tem havido a preocupação de encaminhar para o gabinete de ação social. É verdade que o número de carências aumentou a todos os níveis. Mas tem havido um grande esforço em matéria de ação social. Há maior articulação e transparência. Sou o primeiro a apoiar estes casos desde que sejam credíveis, porque por vezes há aproveitamento.

CBS – Partilha da cor política da Câmara Municipal, como é que avalia as relações? Nota algum privilégio?
NO –
Penso que tem havido preocupação do município de tratar de igual modo todas as Juntas de Freguesia. E também não é por sermos da mesma cor que devemos ter tratamento diferente.

Oliveira do Hospital tem seis localidades e se me perguntar se o trabalho mais visível do executivo é na cidade, digo-lhe que não, porque a nossa intervenção acaba por ser mais intensa nas periféricas, onde tenho defendido a defesa do património, fontes e brasões.

Na Junta de Freguesia também tem predominado o diálogo e o consenso. Nós sabemos ouvir e se achamos que devemos resolver uma necessidade, executamos. Até ao momento todas as decisões aqui tomadas foram votadas por unanimidade. Não se trata de fazer favor a ninguém. Tem havido uma abertura gratificante. Já levámos a efeito obras e ações propostas por membros do PSD e independentes. O que nos une é Oliveira do Hospital e isso tem-se constatado na Assembleia de Freguesia. Há três elementos de cada força e a parte política tem ficado lá fora. Aqui debatemos as ideais para as levar à prática, porque todos nós somos oliveirenses.

“Não estou agarrado ao poder e devo defender quem  necessita mais”

CBS – A extinção de freguesias é o assunto do momento. Mantém a sua oposição à lei da reforma administrativa?
NO –
É um assunto que não deveria ser generalizado a todos o país. Não fomos nós que criámos a lei e a votámos, porque quem o fez foi sem conhecimento de causa da realidade. Em segundo lugar, cada vez mais temos menos serviços disponíveis: CTT, tribunais, escolas e agora as Juntas de Freguesia. Os grandes pontos de apoio e de abertura social estão todos a fechar. Se acabarmos com os pontos sociais é a nossa morte. Não poderia estar a favor de uma lei que vai isolar as pessoas com necessidades diárias de apoio, como os idosos e deficientes. O que não se tem revelado é a importância da instituição em termos sociais. Dizem que vão fechar devido ao baixo número de eleitores e não pode ser. Como é que é possível quererem fechar as Juntas de Freguesia, quando há localidades que distam 10 e 15 km da sede da Junta de Freguesia e não existe uma rede rodoviária, nem serviços como a loja do cidadão, por exemplo….

CBS – Seria mais fácil extinguir a sede de município? Causaria prejuízos menores?
NO
– Não estou contra as reformas. Devem é ser devidamente sustentadas e credibilizadas. Se algum dia me perguntassem, entre Oliveira do Hospital e, por exemplo, S. Gião, Alvôco de Várzeas, Aldeia das Dez…, qual é que deveria fechar, eu daria preferência a Oliveira do Hospital. Não estou agarrado ao poder e devo defender quem necessita mais. Não estou preocupado em defender a minha Junta de Freguesia porque sou autarca da mesma. Tenho que ser realista e sensível à realidades e necessidades. Querem comparar grandes freguesias que são autênticos municípios com as nossas freguesias do interior. Estou de consciência tranquila porque elevo os interesses da população. Irei defender sempre a manutenção das 21 freguesias. A minha luta não é interna.

CBS – Uma questão antiga prende-se com a sede da Junta de Freguesia que é manifestamente reduzida. Qual o ponto de situação?
NO
– A sede não é prioritária. Há outras necessidades. E tendo em conta as reduções de financiamento não tem lógica priorizar obras e deixar necessidades humanas e sociais para trás. Prefiro fazer o campus de férias e fazer investimento humano e contributo social à comunidade do que estar aqui. É claro que não temos as melhores condições. Temos as possíveis para o serviço diário e administrativo e para nós executivo também vai dando.

CBS- Equaciona uma recandidatura à Junta de Freguesia?
NO –
Quero acabar este mandato e tentar concretizar os objetivos a que nos propusemos. Deram-me a oportunidade de ser presidente de Junta. O que mais me preocupa diariamente é levar a efeito ideias que eu sinto que possam ser uma mais valia para a sociedade. Tem sido um mandato desgastante para mim, mas também gratificante. Desgastante porque eu sou assim e me dedico às causas e gosto de participar nelas. Sou pormenorista e gosto de marcar a diferença. Quero deixar uma marca positiva. Não quero apenas ter a ideia, gosto de estar lá e dar a cara para o bem e para o mal. Cabe às pessoas avaliar o meu trabalho.

Ainda não pensei na recandidatura. Até porque hoje me deparo com um grande crise de valores na política. Neste momento não há uma figura política que nos transmita credibilidade. Talvez por isso, nos últimos anos tenham abundado as listas independentes e eu próprio não seja muito dado a politiquices.

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