E o Debate de Ontem! Autor: Luís Lagos.

Ontem, confesso, sai do debate entre os candidatos à Câmara Municipal de Oliveira do Hospital com um sentimento de tristeza.

Não pela prestação do candidato da Coligação Construir o Futuro. Daí só me chegou alegria e satisfação. O Nuno Alves foi naquele debate quem garantiu o contraditório, a proposta alternativa e a coragem de afirmar diferente. O Nuno está de parabéns! O Nuno não é político profissional e não quer ser político profissional. Não tem truques. É genuíno. Neste confronto político está muito mais preocupado com a nossa terra do que com o seu futuro ou vaidade política. Não quer saber disso para nada. Quer é deixar o seu contributo cívico, a sua participação e pedir aos eleitores que esse contributo se possa estender por quatro anos com o exercício do cargo de vereador. O Nuno é mesmo um de nós. Não tem lacaios atrás dele, tachistas de serviço, interesses instalados. O Nuno é só ele e a sua circunstância. A pureza absoluta. Ele sozinho sempre em diálogo com a sua vontade de servir a nossa terra. É só isso, o Nuno Alves. Obrigado por isso, Nuno.

A minha tristeza é mesmo pela ausência do candidato do PSD. Isso não pode acontecer! Não podemos, todos, permitir que isso aconteça. É mau demais para o concelho, para o nosso futuro colectivo. Não é só a democracia que perde. E o quanto os políticos se gostam de afirmar democráticos e defensores da liberdade e, depois, rirem de satisfação e contentamento quando estas situações acontecem. Vergonha para essa satisfação e contentamento. Tenham vergonha!

Mas, com esta ausência, são, sobretudo, os oliveirenses que perdem. Como é que um concelho como o nosso, com a grandeza do nosso, com um PSD Oliveirense que era mesmo uma referência regional, chega aqui? Aqui, onde durante quatro anos o PSD presente na Assembleia Municipal não existiu organizado. Onde o primeiro candidato à Assembleia Municipal nas últimas autárquicas desapareceu ao fim de 3 ou 4 Assembleias. Onde a candidata e vereadora eleita nas últimas autárquicas seguiu exactamente o mesmo caminho. Aqui, onde, como maior partido da oposição, com a responsabilidade de organizar uma alternativa, não vai ao debate para discutir Oliveira e confrontar criticamente o actual poder executivo. Aqui, onde revelou um profundo desrespeito pelos seus eleitores, apoiantes de sempre e pela militância social-democrata.

Não posso deixar de dizer, com modéstia e justiça, que, durante estes quatro anos, se não fosse eu próprio, o CDS, e o Sr. António Lopes, pese embora as suas contradições, não tinha existido democracia na sua plenitude em Oliveira do Hospital. Não tinha mesmo. Hoje, o PS tem o poder absoluto no nosso concelho. Só um vereador lhe escapa no executivo e a quase totalidade da Assembleia Municipal e Juntas de Freguesia pertencem-lhe, ao que, hoje, ainda soma um governo do país da mesma cor política. É um poder como nenhum outro partido ou coligação teve, algum dia, em Oliveira do Hospital. Um poder tão grande que não dá oportunidade para que se criem desculpas, onde não existem minorias de bloqueio, onde, acreditem, é muito difícil ser e fazer oposição. Para que todos percebam, pegando numa analogia desportiva, é quase como jogar sempre no estádio do adversário, não poder fazer substituições, ter o árbitro do contra e, quando damos conta, percebemos que a outra equipa está a jogar com mais 3 ou 4 jogadores. Foi assim a vida do CDS na Assembleia Municipal nos últimos quatro anos. Um plenário preenchido na sua quase totalidade por elementos afectos ao PS, com árbitos do PS, onde ao mesmo tempo, sozinhos, tínhamos de os confrontar a todos à vez, propor sozinhos, contraditar sozinhos etc. Não foi fácil, mas deu um prazer enorme. O prazer de perceber que, passe a modéstia, fazia muitas mais vezes a diferença um só deputado do CDS que muitos do PS. E essa é uma vitória, satisfação moral e serviço à nossa terra que já ninguém nos tira.

Chegar aqui para dizer que, nestes últimos quatro anos, sentimos muitas vezes, muitas mesmo, a falta de um PSD organizado, liderante e capaz de construir uma alternativa. Sabemos todos que, em democracia, e é bom que assim seja, a alternância deve ser uma constante. Que num tempo governam uns, noutro tempo governam outros e, pelo meio, existem os fariseus que ora estão com uns, ora estão com outros, consoante quem está no poder. O que nem devemos levar a mal, já que cada um de nós é ele próprio e a sua circunstância e, no final, cada um quer o melhor para si e para os seus. Não podemos exigir a todos que tenham a grandeza de pensar em todos. É assim a vida! Também quantos não estão com a oposição a ver se a seguir sobra para eles? Agora, para sermos um concelho grande, digno da nossa história e marcante tem de existir sempre um grupo de Homens liderantes, desprendidos, soltos e com capacidade de ser livres, mais preocupados em servir a sua terra do que em servir o seu interesse. Os Homens que têm a responsabilidade de construir o futuro, de afirmar a alternativa, de oferecer capacidade de escolha aos oliveirenses. Sem isso, Oliveira do Hospital morreu. E foi isso que o PSD, ontem, com a sua ausência subtraiu aos oliveirenses. Penso que o eleitorado mais esclarecido do PSD não leva a mal as minhas palavras e que as entende. Peço-lhes, mesmo, que, desta vez, ofereça uma oportunidade à Coligação Construir o Futuro, que saberá responder com firmeza, representá-los com grande dignidade, fiscalizar o próximo executivo e ajudar a construir a alternativa de que falo.

Desta vez, o voto útil é na Coligação Construir o Futuro (CDS-PP / MPT / PPM).

Autor: Luís Lagos (candidato à presidência da Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital pela coligação Construir o Futuro (CDS-PP / MPT / PPM)

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  • António Lopes

    Caro Doutor Luís Lagos.Subscrevo na integra o seu artigo, até quando refere as minhas contradições. A minha única “contradição” é gostar muito deste Concelho.Se á coisa que eu tenho, é uma linha de coerência. O meu erro, pode ter sido, tentar resolver “contradições” com uma “contradição”.Mas como pode haver coerência, num Concelho e num País, onde tudo é uma contradição? Como poso eu, compreender e justificar a “geringonça”? Como posso eu compreender um Partido “Socialista” a meter o “Socialismo na Gaveta”? Como posso eu compreender um PS que já governou com todos? Como posso compreender um Governo PS/CDS em 1978?

    Como posso eu compreender, “descendo à terra”, isto é, ao nosso Concelho,que na mesma freguesia e no mesmo ato eleitoral, o PSD não apresente lista e ganhe com maioria absoluta para a Câmara, e a CDU ganhe com maioria absoluta, para a junta? (mãe das minhas “contradições”..? Como podia eu compreender certos apoios e complacências? Como se combate isto..? Como posso eu compreender o discurso do meu substituto e do secretário da mesa, comparado com quando eram oposição? Quer maior contradição?

    A primeira contradição política, advém quando um trabalhador com o salário mínimo vê no CDS uma solução.Não menos contradição advém quando um denominado “caga milhões” encontra a solução no PCP…

    Mas, se calhar, nem há contradição nenhuma..! Argumentando, já alguém disse que não há problema que não se resolva. Afinal, se não houver determinadas contradições, de que e para quê,servem as eleições? Se não houver mudanças, a sua candidatura terá os mesmos votos, menos os que emigraram e faleceram. Ora, as eleições, são para premiar quem governa bem.São para castigar quem governa mal. A utilizar-se a contradição, e se não houver “vira casacas” fica tudo na mesma..? Afinal o discurso da contradição, não é uma contradição? É por isso que espero uma derrota do nosso executivo.A meu ver ele governou mal.Muito mal.Logo, tem que ser castigado.! À parte os sorrisos não lhe reconheço mais nada, antes pelo contrário, relativamente a Mário Alves, que tinha outro respeito pelo dinheiro público e outra postura de Estado.

    Há dias, um dos nossos vereadores, fazia uma profissão de fé que era do PS, ainda no ventre da mãe..! “Do PSD era o pai”. Era para ir não sei para onde, ficou por aqui, empregou a esposa e não há contradição nenhuma… De resto, 5 vereadores a receber ordenado da Câmara, sem um mínimo de respeito por quem paga impostos e ainda reclamam sete zero..! Será que este Concelho ensandeceu..?

    Há oito anos, sabe quem era o Speaker dos carros de som do PSD? O mesmo que foi do PS à quatro anos. Prémio? A esposa está no Museu. Convirá, que é muito difícil manter uma coerência no meio disto tudo.Quanto mais combati, mais proporcionei do mesmo..!

    Quando eu pensava que tinha conseguido princípios e moralidade,desabrocha , em catadupa, tudo o que se combateu..! Como se resolvem estas situações? Como é que do “Cavaquistão” há 12 anos, se chega à situação que descreve?Os presidentes de junta, de sempre PSD, onde estão?Estive a dar uma vista de olhos ao que se prometeu nas juntas, há oito anos.Não sei se tem algum programa.Veja que mais de 80%, ainda hoje está por realizar.Onde andou a oposição? Ouviu mais alguém a combater isto? Sabe quantas vezes levei o presidente aos locais para que se cumprissem as promessas?

    Conhece-me outra atitude que não seja combater esta forma de estar e fazer política? Venha ela de onde vier..? E , comecei pelo meu..! Vá lá saber-se porque, o partido que conheço com mais coerência política não passa dos oito por cento.Vá lá saber-se, é como quem diz. ! Acho que acabei de explicar.O problema, é que o nosso bom Povo critica os políticos mas, anda sempre na “pesca á linha”..! Vota em quem mais der, pessoalmente..!

    E se precisar de melhor exemplo aponto-lhe o Isaltino de Morais.Depois de condenação por factos provados, que não abonam um político nem um cidadão, está junto da maioria absoluta nas sondagens..! Afinal, parece, o Povo gosta que o enganem e o roubem.Vai daí, se calhar, até vamos ter uma maioria confortável dos mesmos, que tudo isto fizeram, que enganam despudorada e continuamente. Quer maior contradição? O “Ruizinho” disse o que disse no Seixo.Pelos vistos, ainda vou ter que ser eu (a caminho da reforma), que terei que fazer a queixa no Ministério Público..!

    Quando candidato independente, eleito com a maior maioria de sempre, foi o que sabe, há coerência que resista? Felizmente que há incoerência e contradição.No caso quero chamar-lhe, generosamente, tomada de consciência.Vai ser por isso que vai ter um vereador e um Grupo Municipal..!

    Votos de um bom resultado. Com adversários fortes e moralizados o debate tem mais sabor. Mais uma “contradição” minha. Um grande abraço.