Economia: “Dos Lobos” prossegue na vanguarda da produção regional

 

… no que ao queijo, vinho, azeite e mel diz respeito.

Mais do que o exemplo de um negócio de base familiar que tem vingado de década para década, “Dos Lobos” é hoje uma marca distintiva no concelho, na região e em Portugal. A prová-lo está a qualidade dos seus afamados produtos, com particular destaque para o Queijo Serra da Estrela DOP e os vinhos brancos e tintos e a recente aposta no vinho rosé. Apostas ganhas que surgem a par de outros produtos regionais igualmente apreciados como o azeite e o mel.

Falar da marca “Dos Lobos” é falar de qualidade. Uma realidade logo confirmada pela presença assídua dos produtos oriundos da Quinta “dos Lobos” em espaços gourmet. “É uma forma de diferenciar os nossos produtos” , explica o principal rosto do projeto de base familiar, justificando também a fraca presença dos produtos nas grandes superfícies comerciais com a reduzida quantidade de produto. Um argumento que também justifica a ausência da marca “Dos Lobos” no mercado externo. “Temos qualidade, mas não temos produto suficiente”, conta António Vaz Patto que garante estar mais preocupado em manter todas as áreas de produção, do que apostar em apenas uma, em detrimento de outras.

A produção de leite destinado ao Queijo Serra da Estrela e seus derivados está praticamente ligada à história da Quinta “Dos Lobos”. Mas foi com a chegada do conhecido cirurgião à liderança da propriedade, no final da década de 60 do século passado, que aquela atividade ganhou expressão maior.

Tal decorreu da preocupação de Vaz Patto no apuramento da raça bordaleira, tendo estado na fundação da Associação Nacional de Criadores de Ovinos Serra da Estrela (ANCOSE). Do mesmo modo Vaz Patto colaborou com a Estrelacoop na definição dos procedimentos entendidos como obrigatórios para a produção do verdadeiro Queijo Serra da Estrela.

Passos que levaram a Quinta “Dos Lobos”, detentora de um rebanho composto por 250 ovelhas, a montar a própria queijaria que hoje leva longe o afamado produto e a sua marca. Um queijo que brilha pelos concursos por onde tem passado, tendo recentemente recebido a medalha de Ouro do Queijo Serra da Estrela Velho, em Santarém. Distinções que demonstram a qualidade de um produto que foi eleito como uma das sete Maravilhas da Gastronomia Portuguesa e que “Os Lobos” bem sabem valorizar.

Acima de tudo a qualidade…

Falar “Dos Lobos” é também falar de produção vinícola. Uma aposta que tem a assinatura de António Vaz Patto que, ao tomar as rédeas do negócio familiar, entendeu por bem revitalizar as áreas de vinha. Uma aposta que nos últimos anos se tem revelado ganhadora, resultante em especial da preocupação em fazer “bom vinho”.

“Produzimos só com qualidade”, garante António Vaz Patto, contando que para além dos vinhos brancos e tintos, a Quinta “Dos Lobos” avançou na última campanha para a produção do vinho Rosé que é já entendido como uma “aposta ganha”. Os vinhos “Dos Lobos” DOP estão disponíveis em garrafa nos vários espaços comerciais, mas também em bag in box com a marca “Safrel”. Um produto que resulta da exploração dos 13 hectares de vinha, responsáveis por uma produção média anual que se situa entre os 60 e os 70 mil quilos de uvas.

“Dos Lobos” é também uma referência na área da olivicultura. Em tempos proprietária de um lagar de Azeite, nas Caldas de S. Paulo, a Quinta não deixou cair a tradição e continua a produzir azeite no Lagar do Cobral, registando uma média de produção anual na ordem dos mil litros.

O gosto particular de António Vaz Patto pelo mundo das abelhas, levou o empresário a entrar na apicultura. “Comecei a montar os primeiros apiários em vários sítios, desde Santa Comba de Seia até ao Alva”, recorda, contando que as 50 colmeias propriedade da Quinta “Dos Lobos” possibilitaram, este ano, a produção de 800 litros de mel. “O mel da nossa zona é muito bom”, assegura o produtor e apreciador de mel, contando que o seu produto é muito procurado no concelho e em todo o distrito de Coimbra.

A exploração de lenha e de madeira é outra das áreas de atividade da Quinta dos Lobos que assim rentabiliza a extensa área florestal de que é proprietária.

“Dos Lobos” é um projeto rural de base familiar que, ao longo dos anos se tem adequado às exigências dos novos tempos. Exemplo disso tem sido a aposta em maquinaria que facilita os processos de produção “sem que se perca o princípio artesanal”.

Num mundo de constantes exigências e de crise dos mercados, a Quinta dos Lobos tem conseguido superar obstáculos numa contínua afirmação da qualidade dos seus produtos. Coloca-se, contudo, a questão: Qual o segredo?. A resposta não tarda – “o gosto pelo trabalho”, responde António Vaz Patto.

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