Editorial do Boletim Municipal fez agitar as águas entre Alves e Maria José Freixinho

A reunião de anteontem terá sido fatal para a aparente cordialidade, até aqui, mantida entre o presidente da Câmara, Mário Alves, e a vereadora da oposição Maria José Freixinho.

Na base da contenda esteve o reparo de Freixinho a propósito da parte final do editorial do último Boletim Municipal, onde – de acordo com a vereadora, Alves terá trocado o papel de presidente, pelo de candidato pelo PSD ao órgão autárquico a que ainda preside.

“Concebo um boletim como um documento informativo e, entendo que não foi descontextualizado o teor final do seu editorial”, referiu Freixinho, clarificando que na sua intervenção não a move qualquer outra questão com fins eleitoralistas, já que não é candidata – “porque não quero”, sublinhou – a nenhum órgão autárquico.

Contudo, o reparo não caiu bem junto do autor do editorial que, na primeira apreciação ao assunto começou logo por arremessar em direcção ao governo que – como disse – “é só propaganda e folclore”.

Sem conseguir esconder o incómodo causado pela socialista, Alves não hesitou em disparar na direcção de Freixinho, por entender que o PS “pode fazer tudo”, mas não pode ver os outros a fazer nada.

“A senhora não pode vir para aqui pensar que está no papel de santa, porque a senhora não é santa”, afirmou Mário Alves, mostrando-se também muito crítico relativamente à forma como a socialista interpela o chefe do executivo. “As questões que coloca são sempre insinuosas e muito bem trabalhadas”, verificou Alves, notando que essa é a “pior” forma de o fazer.

“Gosto mais dos políticos que são mais directos”, confidenciou o autarca, criticando a modo “indelével” e de “tentar tocar” usado pela vereadora. Mas, avisou: “vai ser difícil tocar”.

“Procuro a santidade, mas não sou santa”

Visivelmente afectada pela argumentação do presidente da Câmara, Maria José Freixinho colocou-se à margem do folclore referenciado por Alves – “embora goste muito de folclore e até participei num rancho infantil”, frisou – e clarificou que tinha dito “directamente, sem caminhos sinuosos, que o senhor presidente, mal, teria usado o Boletim Municipal para falar enquanto candidato”.

Sobre a santidade, Maria José Freixinho assumiu-se “católica, apostólica romana” que tem “a imagem de Jesus Cristo como um modelo a seguir”, mas disse não ser santa.

A troca de arremessos entre Alves e Freixinho seguiu-se por mais algum tempo, com o autarca a lembrar à vereadora que o Boletim Municipal foi instituído pelo executivo PS-CDS.

Frequentemente, Mário Alves rejeitou as acusações de usar o editorial do boletim para fins eleitoralistas, já que para isso dispõe de “meios de campanha normais” e que “estão a chegar ao eleitorado”.

E, tal como tinha escrito no editorial, e em outros anteriores como fez questão de ler, Mário Alves voltou anteontem a manifestar a sua “total disponibilidade para trabalhar por Oliveira do Hospital”. “Quer isso doa, quer não doa”, observou.

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