Quarta-feira, Março 29, 2017
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Editorial: O narcisismo e arrogância política de Alexandrino!

Editorial: O narcisismo e arrogância política de Alexandrino!

O presidente da Câmara de Oliveira do Hospital tem um problema que parece afectar aqueles políticos que se sentem apoiados por maiorias demasiado confortáveis: tornam-se politicamente arrogantes e narcisistas. A forma como José Carlos Alexandrino exerce o poder é bem revelador de alguém que ganhou um hábito típico em grande parte dos políticos que depois dificilmente perdem que é o de pensar que têm uma influência e importância que lhe permitem por e dispor. Como se sem a sua personalidade política Oliveira do Hospital não fosse tratada com a dignidade que merece. Trata com desdém a oposição, despreza e, de alguma forma, trata mesmo com alguma falta de decoro democrático todos aqueles que discordam das suas ideias e enxovalha os jornais que colocam notícias que não lhe agradam ou que não têm o efeito que ele deseja a junto do público.

Exemplo. Um episódio destes dias – a discussão em torno de um anúncio de um apoio do autarca a uma família que atravessa problemas devido à doença de um dos seus filhos – é revelador de como quem tem o poder não se importa de passar levianamente as culpas dos seus erros para terceiros. Foi verdadeiramente extraordinária a explicação que deu à critica do presidente da Junta de Travanca de Lagos sobre a forma como tratou o assunto e expôs publicamente as agruras que vive aquela gente. José Carlos Alexandrino limitou-se a transferir a responsabilidade para quem deu a noticia daquilo que ele próprio anunciou em reunião pública de Câmara Municipal. A desculpa foi a mais fácil: “Infelizmente apareceu por aqui um jornalista que andava à procura de uma bomba sobre uma carrinha da autarquia. E só por isso surgiu a notícia, porque nós não gostamos de aproveitar a desgraça alheia”.

Como? O presidente da Câmara acha que não é notícia quando anuncia que vai pagar um subsídio de forma extraordinária e promete levar a uma próxima reunião um outro subsídio de mais mil euros para auxiliar as despesas daquele agregado familiar? Considera que não merece destaque a sua declaração de que pretende promover um encontro com o pai da criança para arranjar uma solução para que toda a comunidade pudesse ajudar esta família a que “tivesse um Natal, que será certamente difícil, ligeiramente melhor”. Mais. Se não queria que a notícia viesse a publico porque não pediu para os jornalistas não a noticiarem como o fez em relação à atribuição de pequenos electrodomésticos a associações (o que foi respeitado pelo CBS)? Porquê? Se não era para ser público porque é que o assunto não foi tratado numa reunião de Câmara fechada e não naquela aberta a quem pretendia assistir? Agora, repudia a notícia e procura lançar as responsabilidades para cima do “mensageiro”. Revelador.

É difícil entender que o presidente, numa sala onde se encontram jornalistas, acreditasse sinceramente que tal não seria notícia. Como se esse não fosse o dever dos jornalistas para com os leitores. Por vezes, fica a ideia que alguns políticos agem como se nos tomassem a todos por burros e ignorantes. Por isso podem dizer não importa o quê sem necessidade de assumir responsabilidades e dar explicações. Mais. Voltando à referida carrinha (a tal que o jornalista do CBS procurava como uma bomba), o autarca foi questionado na Assembleia Municipal por duas vezes por eleito socialista se tal era verdade, uma vez que tinha sido abordado por vários munícipes nesse sentido. Em ambos os casos ficou sem resposta. Algo que parece dar razão ao eleito António Lopes que tem acusado sistematicamente o autarca de responder apenas ao que quer e como quer.

Como se tudo isso não fosse bizarro, José Carlos Alexandrino ainda tratou com ar de enfado, a roçar a falta de educação, quem o que o questionou. Aqueles – na verdade apenas um eleito do PSD, Rafael Costa – que não alinharam no coro de elogios de que foi alvo numa Assembleia Municipal em que anunciou muitas obras e verbas para as juntas de freguesia. As criticas de Rafael Costa foram respondidas de forma quase grosseira. Tratando-o quase como um ignorante que vive em Lisboa e vem a espaços a Oliveira do Hospital, ignorando tudo o que se passa no concelho. Quem ocupa o cargo de líder de um município não pode tratar desta forma um homem que foi legitimamente e democraticamente eleito. Mais uma vez aqui ignorando que questionar as decisões do executivo é o dever e um direito da oposição. Ou será que andamos a brincar à democracia?

Outro dos problemas políticos de Alexandrino revelou-se durante a apresentação daquele que é o maior orçamento da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital e que, provavelmente, conseguirá melhorar significativamente a imagem da cidade: a falta de modéstia. Não conseguiu resistir (como é recorrente em situações semelhantes) em atribuir a maior parte dos méritos dos fundos conseguidos às suas relações pessoais ao mais alto nível. Às negociações que travou com quem gere os fundos, mesmo em Bruxelas. Para demonstrar as boas afinidades que ajudaram nisto tudo, lembrou que na sala se encontrava um jornalista que o acompanhou à capital da Bélgica, onde aquele teve hipótese de presenciar o tipo de relação que o autarca tem “com conjunto de presidentes e de pessoas que mandam nas verbas comunitárias”. Esse jornalista, continuou, até percebeu a intimidade que o autarca mantém com essas figuras, ao afirmar “que à meia-noite, uma hora” até iam “beber umas cervejas”. Este despautério ridiculariza quem assim fala de si próprio como político e é mais um sinal que, porventura, nos toma por tontos.

Manuel Mendes

  • Alexandre Pais

    Se bem me lembro na altura o senhor presidente chegou a falar na campanha mediática que foi feita para ajudar o filho do Carlos Martins. E não queria que se soubesse? Saiu-lhe foi o tiro pela culatra. A família não gostou e vai daí atirou as culpas para o jornalista. Assumir as responsabilidade é bonito e digno. Empurrar as culpas para terceiros é sinal de…. Como diz o jornalista, e bem, José Carlos Alexandrino deve pensar que somos todos parvos.

  • António Lopes

    Manuel Mendes: Como disse o Altíssimo: Perdoe-lhe lá que ele, não sabe o que diz.Tem estado com sorte, que tenho andado ocupadíssimo.Mas tal como prometi, um dia destes já lhe “descasco” o maior e melhor orçamento de sempre.Pudera.No início de um novo quadro comunitário..! Mas começou em 7 milhões depois já só eram , são, 80% depois atrasou a AM para o ultimo dia,sim só faltava passar o ano a discutir na AM,”porque houve uns cortes e é preciso ajustar”.Todos os anos apresenta 18 milhões e mais, executa quatorze.Este ano apresenta 28 milhões vamos ver se executa, ao menos, o mesmo do costume.Já foi pedir os dois milhões, vai pedindo todos os anos 250 para ir confortando a tesouraria e, andamos nisto.O papel aguenta tudo.Bola, diz o PSD a triplicar.Acho que não é tanto assim mas como disse passei só de relance.Costumo fazer essa comparação mas é o capitulo todo.Aí a diferença e bem menos mas não desculpa a opção há muito tomada.Por exemplo o apoio ao ensino superior foi cortado há 3 anos e veio a mesma verba.Neste “grande orçamento”. Iden para a natalidade etc.Cortar no IMI e abolir o IRS isso nem pensar.Numa palavra.Falácia para adormecer..! Quanto ao eu, e os amigo e os copos, pode haver maior prova de problemas de afirmação e de um narcisismo bacoco..?

  • João Tilly

    Independentemente do assunto em si, aqui em Seia não haveria NINGUÉM com coragem para escrever um editorial destes, nem órgão público onde o fazer.
    Porque se tornariam – autor e director do jornal – inimigos do Presidente para toda a vida.
    Parabéns pela lição de Cultura Democrática que dão à região

    • António Lopes

      Acredito que sim sendo que tenho outra imagem do Senhor Presidente de Seia.Mas, aqui em Oliveira, como é a “Cidade da Moda” estamos sempre avançados. O Presidente de cá, que foi eleito, também, graças a este jornal, faz tempo que o marginalizou. Ao jornal, ao jornalista, e ao gerente.Isso de cultura democrática anda um pouco arredia dos meios autárquicos, onde ela devia estar presente, por excelência, dada a proximidade aos eleitores…

  • AntónioAntónio Lopeslopes

    “Sem jornalismo estável, forte e independente não há democracia sólida e de qualidade em Portugal ou em qualquer outra sociedade livre e plural. Nunca esquecer que o jornalismo só tem poder se nunca se vergar aos poderes políticos, económicos e sociais formais ou informais vigentes. Nunca cedam, nunca desesperem, nunca abdiquem da vossa missão”, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Para os que acusam o CBS por não ser como alguns escrevinhadores a soldo que envergonham a profissão, fica aqui opinião de gente mais avalizada: https://uploads.disquscdn.com/images/9950f4fb63731a3c812caf890e05c9489914e6ad541c47160bac68892499b12d.jpg