Era natural de Ervedal da Beira, o jovem de 19 anos que no dia 27 de Dezembro de 2007 ateou fogo a si próprio, no Parque Verde do Mondego, em Coimbra, com o objectivo de pôr termo à vida.

“Ele nunca teve intenção de se matar, mas antes gritar mais uma vez para pedir ajuda”

Imagem vazia padrãoJoão Carlos Piessens Coelho não resistiu às queimaduras de terceiro grau que provocou em 70 por cento do corpo e acabou por morrer, na passada quarta-feira, nos Hospitais da Universidade de Coimbra, onde se encontrava internado.

Segundo informações da PSP de Coimbra, a vítima terá começado por se regar com combustível e de seguida ateou as chamas sobre si próprio, justificando o acto com “uma voz” que o ordenara nesse sentido. Foram populares que, ao início da manhã, alertaram as autoridades. O socorro foi prestado por uma equipa do Instituto Nacional de Emergência Médica que encaminhou o jovem para os HUC, onde foi internado na Unidade de Queimados, em estado considerado “muito grave”. Morreu passada uma semana e o funeral realizou-se sexta-feira, no cemitério de Oliveira do Conde, concelho de Carregal do Sal, onde residia na localidade de Azenha.

Intenção de suicídio já era conhecida
Natural de Ervedal da Beira, João Coelho frequentou durante três anos o Agrupamento de Escolas da Cordinha, onde era já referenciado como um aluno diferente e “não deficiente”. Na altura presidente do Conselho Executivo daquele estabelecimento de ensino, José Carlos Alexandrino recorda o antigo aluno como “uma criança com alguns problemas”, mas a quem “a escola fez um grande esforço em dar atenção”. “O João tinha momentos de alguma alteração, mas era um miúdo extremamente inteligente e com grandes capacidades”, acrescentou aquele professor, sublinhando que durante os três anos, o jovem foi acompanhado por uma psicóloga.

Mas João Coelho nunca escondeu a sua intenção de suicídio. “Ele já falava em se matar, já tinha essa referência”, frisou José Carlos Alexandrino, notando que com a separação dos pais a situação piorou. Na Escola de Ervedal da Beira frequentou um percurso curricular alternativo com equivalência ao 9º ano de escolaridade. “Ele saiu bem da escola e foi trabalhar para uma oficina mecânica de Ervedal da Beira”, contou o professor.

João Coelho deixou Ervedal da Beira – onde morava com a avó – aos 18 anos, e rumou em direcção a Coimbra, onde permaneceu algum tempo na instituição Padre Américo e na Associação Cais, onde ultimamente vivia. Na opinião de José Carlos Alexandrino – professor e “amigo” do jovem, conforme o próprio fez questão de frisar – “ele nunca teve intenção de se matar, mas antes de gritar mais uma vez para pedir ajuda”.

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