Eleições na Caixa de Crédito Agrícola de Oliveira do Hospital geram polémica

Na corrida pela disputa da presidência daquela entidade bancária – as eleições para o triénio 2010/2013, em consequência do novo regime jurídico, realizam-se já no próximo dia 26 de Fevereiro –, estão o actual presidente do conselho de administração, Carlos Vieira Mendes, e um dos seus antigos homens de confiança.

Trata-se de Carlos Jorge Oliveira, um destacado director da CCAM que, nos últimos dez anos, ocupou o lugar de director naquela instituição financeira com funções executivas, e que aparece agora como candidato da lista A. Ao seu lado – e como presidente-candidato à Assembleia Geral – está um dos principais sócios-fundadores da CCAM, António Vaz Patto, que transita assim para a lista adversária a Carlos Mendes.

Ontem, numa conferência de imprensa realizada nas instalações que a Cooperativa Agrícola da Beira Central (CAPBC) possui na zona industrial – a conferência chegou a estar agendada para o auditório da CCAM, mas foi deslocalizada pelo facto de o espaço não ter sido disponibilizado, conforme criticou Carlos Oliveira – , a lista A deu a conhecer o seu projecto à comunicação social e deixou muitas críticas e recados a dois dos principais rostos da lista B: Carlos Mendes e José Vitorino, o actual presidente do conselho fiscal que se recandidata a um novo mandato, mas agora na lista concorrente ao conselho de administração.

“…As pessoas sentem-se incapazes de gerir” a Caixa de Crédito

Carlos Oliveira, que nos últimos anos vem ocupando o lugar de coordenador-geral da CCAM, não poupa a direcção de que ainda faz parte relativamente a um recente pedido do actual presidente da direcção a requerer a intervenção da Caixa Central na administração do crédito agrícola local. “Isto acontece porque as pessoas se sentem incapazes de gerir a caixa…”, sublinha o candidato da lista A, salientando que lhe faz “confusão” que dois membros da CCAM – os presidentes da direcção e do conselho fiscal – tenham subscrito um pedido de intervenção e “apareçam agora como candidatos à gestão da CCAM por mais três anos”.

Outra das questões que está a provocar grandes divisões entre os principais protagonistas da gestão do Crédito Agrícola de Oliveira do Hospital nos últimos anos, refere-se a um projecto de fusão – existem já diversas caixas de crédito no país que se fundiram com outras congéneres –, que a direcção da CCAM pretendia levar a efeito com a Caixa de Crédito Agrícola Mútuo da Beira Centro CCAMBC).

O candidato da lista A classifica todo o processo como uma “trapalhada”, e até refere que o projecto de fusão que estava em cima da mesa “era o desmantelar da Caixa de Oliveira, tal como a conhecemos”.

“Esta fusão era apenas um depósito de directores… comigo, e com a minha lista, nenhuma fusão será um depósito de directores”, afirmou Carlos Oliveira ao correiodabeiraserra.com, salientando ainda que nunca defenderá nenhum projecto de fusão “em que na comissão executiva não esteja ninguém de Oliveira do Hospital”.

Para o ainda director da CCAM, que não enjeita a possibilidade dessa fusão poder vir a acontecer, o processo foi mal conduzido e “não é algo para ser tratado em dois meses”, já que – conforme sustenta – nem sequer se conhece o balanço da CCAMBC, bem como outras questões que “devem ser devidamente explicadas aos sócios” para que, posteriormente, possa haver uma decisão em Assembleia-Geral.

Criticando o facto de apenas ter existido uma reunião para discutir esta matéria, Oliveira é de opinião que, para já, a CCAM deverá procurar “economias de escala com congéneres vizinhas, aproveitando meios humanos e materiais que beneficiem “os clientes e associados daquela entidade bancária.

Aproveitando as novas tecnologias para divulgar melhor o projecto que concorre sob o lema “De e para Oliveira do Hospital”, a lista encabeçada por Carlos Oliveira disponibilizou um blogue na internet – aceda aqui aos seus conteúdos –, onde é bem visível o clima de crispação que se instalou em torno destas eleições.

De forma algo polémica, os signatários daquela lista dizem não querer uma instituição virada para o passado ao invés do futuro” nem que se “cultive o culto da personalidade” ou “que se veja quem nos pede um crédito como quem nos pede um favor”.

Sem especificar, vão ainda mais longe ao insurgirem-se contra uma alegada política social “que só apoie a festa e o foguete procurando dividendos pessoais ou que se pretenda encerrar delegações porque não se gosta de algumas pessoas ou de uma zona do concelho”.

Decididamente apostados em derrubarem o actual presidente do conselho de administração de uma das principais instituições de crédito da praça financeira oliveirense, os membros da lista A dizem posicionar-se “numa óptica de quem quer devolver um sentimento de pertença da CCAM aos seus associados, em que cada um deles se reveja nas decisões da sua direcção e que esta saiba que a caixa é deles, e que não se adquire por usucapião”.

Instado há instantes por este diário digital a comentar as afirmações proferidas pelo candidato da lista A, Carlos Mendes disse não querer “por enquanto prestar qualquer declaração”.

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