Eleitos não se entendem na freguesia de Travanca de Lagos (Atualizada)

O recém eleito presidente de Junta de Freguesia de Travanca de Lagos, António Soares, não conseguiu formar executivo. Em reunião de Assembleia realizada no último sábado, independentes (3), socialistas (3) e social democratas(3) não chegaram a entendimento.

“Não consegui formar executivo. Apresentei 11 combinações possíveis e nenhuma foi aprovada”. A afirmação, em jeito de desabafo, foi proferida ao correiodabeiraserra.com pelo independente António Soares que, apesar de ter sido o cabeça de lista que maior número de votos reuniu – 267, contra 244 do PS e 203 do PSD – nas eleições de 29 de setembro, ficou muito aquém da desejada maioria absoluta, acabando o movimento independente “Travanca de Lagos Unida Sorri” por eleger três mandatos, os mesmos também conseguidos pelo PS e PSD, num total de nove.

Uma realidade que, no imediato, colocou o presidente eleito numa situação de algum desconforto. A prová-lo está já o resultado da primeira reunião dos eleitos, realizada no último sábado, e durante a qual não foi possível a António Soares formar o executivo que vai governar a freguesia de Travanca de Lagos, nos próximos quatro anos.

Um cenário que o autarca eleito já receava e de alguma forma antecipava tendo em conta as prévias tentativas de negociação com o cabeça de lista dos socialistas, Tomás Pedro, e que se revelaram “falhadas”. “Já tínhamos encetado negociações e o PS não aceitou”, contou o independente ao correiodabeiraserra.com, informando que a condição imposta pelos socialistas era da presença de um elemento (PS) no executivo e de que a outro da mesma força política fosse entregue a presidência da Assembleia. “Achámos que seria justo que a nossa força (movimento independente) ficasse com a presidência da Assembleia, mas por fim até aceitamos a proposta”, contou ainda António Soares que, para sua surpresa, também viu chamada a combinação que previa tal situação.

Na reunião que durou mais de três horas, António Soares garante ter apresentado várias propostas, as primeiras das quais excluindo o PSD do executivo (2 independentes e 1 PS). “Por uma questão de coerência achamos que quem ganha é que deve governar”, referiu. Propostas sucessivamente chumbadas por 6-3. “Sugeri um intervalo, para que cada bancada reunisse e apresentasse propostas”, pormenorizou ainda António Soares, contando que do lado socialista Tomás Pedro foi sugerida a formação de um executivo com um elemento de cada força. Uma derradeira proposta que o presidente eleito chegou a apresentar e que foi inviabilizada por 9-0. Independentes votaram assim contra um executivo tripartido e socialistas e social-democratas não terão visto de bom grado que entre os três nomes apresentados na proposta não constassem os três cabeças de listas candidatos às autárquicas de 29 de setembro.

“Quais eram as condições de governabilidade numa situação dessas?”, questiona António Soares que, sem reservas, disse a este diário digital que nunca apresentaria uma proposta de executivo que juntasse os cabeças de lista do PS (Tomás Pedro) e PSD (Fernando Viegas) devido a “práticas do passado” que “obstaculizaram o trabalho do anterior executivo”.

Se dúvidas tivesse quanto ao “entendimento prévio entre socialistas e social-democratas”, António Soares acabou por as dissipar na reunião do último sábado, de onde saiu com a clara certeza de que da parte das duas forças menos votadas “não houve interesse em se encontrar uma solução”.

Presidente eleito, mas sem executivo formado, António Soares garantiu ontem a este diário digital já ter reportado a situação ao presidente da Câmara, com quem espera vir a encontrar uma solução para o impasse. “Neste regime democrático há soluções para estes casos”, garantiu, não querendo porém adiantar a este jornal o caminho a seguir. A repetição do ato eleitoral naquela freguesia não estará, porém, em cima da mesa das soluções, até porque “pode vir a acontecer o mesmo e apenas estamos a adiar a resolução do problema”.

Neste processo, António Soares assegura que o problema não reside nas duas forças partidárias que foram menos votadas, mas antes nas pessoas que as representam que dão sinais de “falta de cultura democrática”. “Lamento que as regras da democracia não tenham sido assimiladas por todas as pessoas. Devem aceitar que quando se ganha, ganha-se e quando se perde, perde-se. Eu nunca inviabilizaria uma proposta que fosse apresentada pelo PS”, concluiu.

O correiodabeiraserra.com tentou contactar o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, mas até ao momento ainda não foi possível conhecer o posicionamento de José Carlos Alexandrino relativamente a este caso.

Atualização às 14h35

Já informado pelo presidente eleito da Junta de Freguesia da dificuldade tida na composição do executivo, o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital disse já ter acionado medidas com vista ao necessário consenso para a formação do executivo. “Já marquei reuniões com cada um dos três cabeças de listas e acredito que seremos capazes de encontrar uma solução que seja reflexo do resultado das eleições, porque os eleitores disseram claramente o que queriam”, referiu

Sem querer adiantar pormenores, o autarca municipal informou da existência de um parecer jurídico da Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Centro com vista à resolução de situações como a que se está a verificar em Travanca de Lagos. Ainda assim, Alexandrino prefere que o consenso impere e não seja necessária a aplicação do disposto naquele parecer. Do mesmo modo, o autarca também não encara a repetição do ato eleitoral como um caminho a seguir para a boa resolução do impasse em Travanca. “Não é isso que as força políticas querem. Será um gasto de dinheiro e não passará por aí a solução , mas antes por um equilíbrio de forças”, referiu.

Até à resolução do problema que espera que venha a acontecer no decorrer desta semana, José Carlos Alexandrino esclarece que o independente António Soares tem toda a legitimidade para assumir a presidência da Junta de Freguesia e dar início ao novo mandato autárquico.

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  • INDIGNADO OU TALVEZ NÃO

    E A HISTÓRIA DE HÁ QUATRO ANOS REPETE-SE EM TRAVANCA DE LAGOS, PORQUE SERÁ?!

  • Erasmo de Roterdão

    Porque, pelos vistos, há quem não concorde com o método de hondt…

    • João 8:32

      Esclareçamos o seguinte, uma vez que estamos a falar aqui da Freguesia de Travanca, penso eu: O método de Hondt foi aplicado na distribuição de mandatos para a Assembleia de Freguesia, tal como a lei obriga. Como resultado, foram atribuídos 3 mandatos para cada lista, para a assembleia de freguesia.
      Depois, e como certamente deverá saber, Sr, Erasmo de Roterdão (se tiverem dúvidas poderão confirmar; a internet terá certamente imenso sítio onde possam fazê-lo), o cabeça da lista mais votada será o presidente da junta. E este é que escolhe quem quer para o seu executivo, seja de que lista for. Para isso, apresenta as pessoas à assembleia de freguesia, que vota sim ou não a quem ele escolhe. Ele faz as propostas que quiser e entender. Se não forem aceites, fica com os vogais anteriores e a junta pratica actos de gestão corrente.
      O engraçado – eu estive nessa assembleia e assisti – foi a proposta em que são propostos para o executivo o 2.º da lista do PS com o 1.º da lista do PSD ter sido rejeitada por 8-1… Se as pessoas do PS e PSD tivessem pensado um bocadinho, teriam votado “sim” e depois o 2.ª do PS diria que não queria fazer parte do executivo, o que obrigava a entrar o seguinte, melhor posicionado da sua lista, que era o cabeça de lista do PS…

      Seja como for, o método de Hondt não tem nada a ver com a formação do executivo mas sim e apenas com a constituição da assembleia de freguesia. Vejam a lei eleitoral.

      Seja como for, e como já deverão ter percebido, SEI como tudo se passou. E não foi como alguns têm dito, especialmente à jornalista que fez o artigo.
      Vejamos: até ao dia da assembleia de freguesia, o PS quis fazer um acordo com o movimento independente. foi o PS que roeu a corda, porque não aceitava ficar sem a presidência da assembleia de freguesia, mesmo que ficasse com um lugar no executivo.
      E manteve não fazer acordo mesmo quando o presidente da junta lhes dava o lugar de presidente da assembleia da freguesia.
      Depois, percebeu-se na assembleia de freguesia que PS e PSD tinham feito um acordo entre si. Viu toda a gente que lá esteve.

      Não percebo aqui porque é que do PS concelhio ninguém fez nada, porque supostamente o PS não queria acordo com o PSD. O Presidente da Câmara disse-o várias vezes em comícios. Apenas saiu o Francisco Rolo, que eram um dos responsáveis pelas negociações falhadas. Coincidências…

      Entretanto,o Presidente da Câmara reuniu-se com os 3 cabeças de lista e na reunião (sei-o porque sou amigo de vários dos intervenientes na reunião e de outras pessoas),os cabeças de lista do PS e do PSD disseram ter um acordo entre si e ameaçaram renunciar ao mandato se não fizessem parte do executivo, o que levava a eleições. A parte mais engraçada é que SEI que se do PS quiserem renunciar em bloco, isso não vai acontecer porque há pessoas da própria lista do PS descontentes com toda a situação e postura do PS que não querem nem irão renunciar. E SEI que ninguém do PS ou do PSD irá fazer isso porque ambos os cabeças de lista querem “tacho”.

      O presidente da junta não se comprometeu com nada perante ninguém e nesse mesmo dia à noite reuniu com todas as pessoas da sua lista para decidirem se aceitavam ou não um de cada lista no executivo.

      Como a resposta unânime foi “não”, foi essa que transmitiu aos cabeças de lista do PS e do PSD.
      E melhor ainda: pessoas das listas do PS e do PSD além de virem fazer desinformação e dizer – no caso do cabeça de lista – que o presidente da junta voltou atrás numa decisão, que nunca tomou – andam agora a fazer “campanha” na freguesia, com ameaças ao presidente da junta e a difamá-lo junto de outras, como se isso viesse fazer com que houvesse mais vontade em fazer um executivo a três…

      Assim, com quem o presidente da junta faria um executivo? Com aqueles que vêm dizer coisas que não são verdadeiras acerca do que se passou? Ou com aqueles que o ameaçam, que o difamam? Ou com aqueles que têm na sua lista a antiga Presidente da Assembleia de Freguesia de Travanca de Lagos que até actas rasgou em plena assembleia?

      “Os maiores males infiltram-se na vida dos homens sob a ilusória aparência do bem”, não é, Sr. Erasmo?

      • Qwerty

        Oh Sr. António deixe-se de tretas… tanto texto pra dizer NADA, não forma executivo porque não lhe reconhecem competência para isso!

        • João 8:32

          Sr António??? Quem? Eu?

          Qwerty anda muito enganado…Nem me chamo António nem tenho nada a ver com os independentes….

        • João 8:32

          E quanto a tretas que possa escrever, são a minha opinião…A sua não me parece que tenha qualquer razão…Só falar por falar não chega…
          Se não reconhecessem competência ao Presidente, ele não tinha sido eleito, não é?

  • Ricardo Araujo

    Ouvi dizer que os problemas não são as politiquices que só servem para promover o perdigoteiro e comunistas. O problema é as sedes do partido socialista e da família pessoal do perdigoteiro como por exemplo a FAAD… É uma pouca vergonha!!!!