“Eles continuam a não desistir de nos tentar roubar a escola”

Com algumas vozes a defenderem a demissão de Rui Antunes da presidência do Instituto Politécnico de Coimbra, a última Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital, que reuniu em sessão extraordinária no dia 2 de setembro, ficou marcada pela forte união entre os deputados dos diferentes partidos.

A uma só voz votaram favoravelmente o protesto proposto pela Câmara Municipal de Oliveira do Hospital quanto à intenção de encerramento da ESTGOH, bem como uma moção de apoio à manutenção do seu funcionamento, à melhoria da sua oferta formativa e à manutenção e desejável reforço dos apoios sociais.

Numa sessão que serviu, sobretudo, para colocar a nu cada um dos contornos do processo, que teve início no dia 22 de agosto, data em que o Conselho de Gestão do IPC votou favoravelmente uma proposta do presidente do IPC de congelamento da dotação orçamental afeta à ESTGOH e consequente encerramento da escola já no ano letivo 2011/2012. “

Fiquei absolutamente atónito”, confessou na sexta-feira o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital aos deputados, apelidando o episódio protagonizado por quem julgava amigo da ESTGOH como uma verdadeira “tentativa de assalto”. “Talvez o maior roubo que quiseram fazer a Oliveira do Hospital”, chegou a considerar José Carlos Alexandrino, que também apelidou Antunes e os seus pares de “pessoas salteadoras que queriam fechar a ESTGOH para levar alunos, professores e tudo para Coimbra”.

“Está formado um lóbi para fechar a escola”

Pormenorizando cada passo dado desde que, no dia 22 de agosto, o concelho começou a ser ameaçado com o encerramento daquele que é considerado como o principal motor de desenvolvimento da região, o presidente da autarquia oliveirense repudiou igualmente o caminho seguido pela direção do IPC neste processo.

Para além de retroceder até à data de 24 de maio, para recordar as palavras proferidas por Rui Antunes no Salão Nobre da Câmara Municipal onde, apesar do anúncio de extinção de dois cursos, deu como certa a continuidade da ESTGOH, José Carlos Alexandrino garantiu que o presidente do IPC “nunca fez um telefonema ao presidente da Câmara sobre o que estava a acontecer e não comunicou ao presidente da ESTGOH”.

“Foi uma investida forte e concertada”, observou o autarca que não tem dúvidas de que “está formado um lóbi para fechar a escola”.

O presidente, que também não hesitou em se deslocar à sede do IPC para confrontar Rui Antunes sobre todo este processo, não aceita a justificação que lhe foi dada pelo responsável por aquele instituo superior público.

“Ele usou o argumento de que teve corte de 8,5 por cento no orçamento e que para ele e para o IPC o mais fácil é fechar a ESTGOH”, contou o autarca aos deputados, revelando ainda que antes desta proposta final, em reunião do conselho de gestão chegou a ser sugerida, por parte do presidente do ISCAC, a transferência da ESTGOH para a Figueira da Foz.

Numa altura em que, depois de ter participado numa reunião com o secretário de Estado da Educação e ter sido recebido pela Comissão de Educação e Cultura da Assembleia da República, José Carlos Alexandrino sente algum conforto decorrente da posição assumida pelo ministro Nuno Crato – não aceitou proposta do IPC – mas não deixa de se revelar preocupado com o futuro da ESTGOH.

É que, numa espécie de tentativa de dar o dito por não dito, o presidente do IPC já veio referir que a proposta aprovada em Conselho de Gestão de 22 de Agosto só teria efeitos no ano letivo de 2012/2013.

“Eles continuam a não desistir de nos tentar roubar a escola”, observou o presidente da Câmara, consciente de que “ainda não ganhámos nada”. “Ganhámos um ano letivo que nos dá aqui capacidade para lutar”, verificou, contando que depois de já ter acionado duas formas de luta – política e jurídica – continua sobre a mesa uma terceira frente de ação que passa pela “união popular”.

“Se for preciso encetar formas de luta estarei à frente do pelotão”, garantiu no sentido de não permitir a concretização do que apelida por “roubo do século”. Ainda que se revele satisfeito pela manutenção da escola, pelo menos por mais um ano, Alexandrino não deixa de aludir aos “prejuízos” que todos estes episódios estão a causar a Oliveira do Hospital.

“A ESTGOH está ferida e alguém deveria ressarcir o concelho”, frisou o autarca que assiste a um “prejuízo nítido” porque “ninguém vai concorrer para uma escola que vai encerrar”.

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