Elisabete Cavaco admite “má gestão” associada à “Casa da 1ª Infância” e ao “KIKAS”

 

Até aqui reservada ao silêncio, a diretora da instituição privada Casa da 1ª Infância e Coordenadora Pedagógica da Associação de Solidariedade Social “O Kikas” admitiu, agora, ao correiodabeiraserra.com a existência de “má gestão” associada à instituição privada, facilmente confundida com “O Kikas”.

Elisabete Cavaco, que garante ser apenas responsável pela Casa da 1ª Infância, instituição privada de que é propietária desde há 17 anos, confessou a sua falta de vocação para lidar com números, situação que ao longo dos anos contribuiu para o estado de fragilidade financeira que afeta a instituição.

“Eu nunca deveria ter presidido à parte financeira da Casa da 1ª Infância”, contou a ainda responsável a este diário digital, garantindo que o seu problema não é o de não saber fazer contas, mas sim o de fazer os cálculos inerentes às mensalidades a pagar pelas famílias, tendo em atenção aquilo que são as dificuldades das mesmas e não a saúde financeira da instituição.

“Nunca consegui ver as crianças como números”, afirmou, admitindo a existência de “má gestão” apenas nesse domínio.

Por outro lado, como adiantou Elisabete Cavaco, a aplicação de mensalidades reduzidas foi a forma que a responsável encontrou, há 17 anos, para conseguir “afirmar a Casa da 1ª Infância enquanto instituição privada”.

Segundo explicou, foi exatamente para fazer face às dificuldades das famílias que, Elisabete Cavaco fez parte, em 2009, de uma comissão instaladora que, absorvendo a valência de creche até então afeta à Casa da 1ª Infância, deu início à atividade da Associação de Solidariedade Social “O KIKAS”.

No entanto, volvido apenas um ano, “O Kikas” entrou no domínio público pelos maus motivos. Em causa estava uma situação de asfixia financeira que, na última semana culminou com a declaração de insolvência da Associação, que foi solicitada ao tribunal pelo dono do imóvel e ex-membro da sociedade proprietária da Casa da 1ª Infância e que é credor em cerca de 70 mil Euros relativos às rendas em atraso.

É sobre todo este processo, que está longe de ficar clarificado que, Elisabete Cavaco se recusa a tecer considerações, alegando nada ter a ver com “o Kikas”, que funciona no 1º piso do edifício onde, no piso inferior, decorrem as valências de jardim-de-infância, ATL e 1º ciclo privado afetas à Casa da 1ª Infância.

Descartando sempre responsabilidades e nunca revelando os nomes dos responsáveis pelo “KIKAS”, agora em processo de insolvência, Elisabete Cavaco limita-se a encarar “O Kikas” como “uma má aposta”, porque também padeceu de “cálculos mal feitos”.

Segundo explicou, a Segurança Social aprovou 10 acordos ao “KIKAS”, mas a direção, certa de que “os mesmo não iriam fazer face às necessidades das famílias” aplicou o mesmo cálculo às restantes crianças. Não demorou, contudo, muito tempo para que os próprios pais das crianças se dirigissem à Câmara Municipal de Oliveira do Hospital para solicitar apoio financeiro para a instituição, que nunca foi consentido.

Sem nunca ficar bem explicito onde começam e terminam as fronteiras do “Kikas” e “Casa da 1ª Infância”, ambas as realidades são facilmente confundidas. Esta é, no entender de Elisabete Cavaco, uma situação que “muito penaliza” a casa da 1ª Infância – é frequentada por 60 crianças – e a sua própria pessoa que, em todo este processo, surgiram associadas ao “KIKAS”.

A prestar a apoio a cerca de 90 crianças – o “Kikas” é frequentado por 30 – ambas as instituições deram início, no dia 1 de setembro, ao considerado novo ano letivo. Segundo Elisabete Cavaco, ainda que sem direção, o “Kikas” funciona com quatro funcionárias ao serviço, sendo que desde a declaração de insolvência, as orientações são dadas pela direção da Casa da 1ª Infância, que tem associada uma dezena de funcionárias.

“Está na altura de alguém dar maior dignidade financeira a este projeto”

Ainda que tenha garantido a este diário digital que a “Casa da 1ª Infância” não tem o pagamento de salários e rendas em atraso, Elisabete Cavaco entende ser hora de entregar o projeto “a pessoas que lhe dêem continuidade de forma mais fria”.

A responsável não vê com maus olhos a possibilidade de a Fundação Aurélio Amaro Diniz pegar no projeto, mas ao correiodabeiraserra.com garante nunca ter reunido com o presidente do Conselho de Administração, Álvaro Herdade, acerca do assunto.

Seja qual for o fim a seguir, Elisabete Cavaco garante que não obstaculizará qualquer oportunidade que surja. “Não sou orgulhosa ao ponto de dizer que antes quero que acabe”, confessou, não colocando de lado a possibilidade de, em caso de convite, poder continuar a integrar a vertente pedagógica do projeto.

Em claro momento de despedida de um projeto que a própria iniciou, Elisabete Cavaco confessa-se a “pessoa mais alta do mundo” por carregar na bagagem as inúmeras pegadas de crianças e familiares que, ao longo de 17 anos, lhe depositaram total confiança.

A responsável não deixa, contudo, de lamentar que “muitas pessoas vivam com o mal dos outros”. “Vivemos numa conjuntura tão difícil que, só se uníssemos esforços seria possível ultrapassar barreiras”, alertou.

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