“Em 2012 os caminhos passam inevitavelmente por Lourosa”

 

Está tudo a postos para o início das comemorações do jubileu e 1100 anos da Igreja de São Pedro, de estilo Moçárabe, localizada em Lourosa e que é exemplar único em Portugal.

Em conferência de imprensa realizada ontem ao final da tarde à entrada do Monumento Nacional – foi classificado em 1916 – foram divulgados os principais momentos das comemorações que arrancam no dia 15 de Janeiro com a realização da Eucaristia Jubilar presidida pelo bispo da diocese de Coimbra.

Em causa está um conjunto de atividades de índole religiosa e cultural, destinado a assinalar, até 2 de setembro, os “1100 anos de fé e de história”. “É do interesse do município que se façam estas comemorações, porque é uma oportunidade única de em 2012 comemorar 1100 anos”, afirmou ontem a vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, destacando a união que foi possível estabelecer entre as áreas religiosa e cultural, permitindo assim presentear os inúmeros visitantes que são esperados com celebrações religiosas e eventos culturais.

Para comemorar “o magnífico património histórico e religioso”, Graça Silva aludiu ao conjunto de atividades programado para cada mês e a todo o trabalho de promoção e divulgação das comemorações e do próprio monumento localizado na freguesia de Lourosa.

A vereadora já deu como certa a colocação de um pórtico no IC6 destinado à divulgação das comemorações, bem como a colocação de outdoors por locais variados. Outra das apostas do município que é parte integrante da comissão promotora das comemorações é uma linha de merchandising destinada aos visitantes e cujos elementos foram ontem apresentados.

Também na fachada do próprio templo religioso vão ser colocadas faixas alusivas às comemorações. Para trás fica também o lançamento do site alusivo à efeméride e apresentação do logótipo.

Pese embora a diversidade associada à programação – prima pela participação de grupos concelhios – a vereadora da Câmara Municipal lamentou a impossibilidade de avançar com um programa mais arrojado e não deixou de revelar o seu descontentamento por as futuras comemorações não terem associada a necessária requalificação do espaço envolvente à igreja moçárabe, no sentido de “receber os turistas num espaço mais dignificante”.

“Aguardávamos por um fundo comunitário para que as obras fossem realidade, mas com pena nossa não foi possível”, referiu Graça Silva, certa porém de que “com estas comemorações se vai dar o pontapé de saída para que o monumento consiga a divulgação desejada e consiga receber mais condignamente os turistas”.

Entre os objetivos de Graça Silva está uma promoção do monumento que não se pode esgotar no ano dos 1100 anos e de jubileu, devendo ter sempre associada a realização de eventos pontuais.

“O que me choca é ter festa e não ter o adro da igreja arranjado”

Inconformado foi o modo como o presidente da Junta de Freguesia de Lourosa se revelou, ontem, perante a certeza de que o espaço envolvente ao templo não tem requalificação à vista.

“O que me choca é ter festa e não ter o adro da igreja arranjado”, desabafou Américo Figueiredo que disse sempre acreditar que “nesta data o projeto e a obra estivessem realizados”. “Se houvesse um bocadinho de esforço, se calhar era capaz de se arranjar”, insistiu o autarca, referindo-se em concreto a “um projeto que já anda há cinco anos na mão”.

Obras à parte, Figueiredo apelou à união das gentes da freguesia com o objetivo de engrandecer as comemorações. “Se nos juntarmos vamos ter aqui um grande jubileu”, frisou.

Em dia de divulgação de comemorações, o desagrado de Américo Figueiredo obrigou à explicação de Graça Silva que esclareceu que o projeto que o atual executivo encontrou era um ante projeto e que nem tinha estimativa orçamental associada. “Fizemos as alterações e reunimos com o Dr. Pedro Pita, mas nós não temos o poder nas mãos para controlar o governo e evitar que a troika apareça”, rematou Graça Silva.

“É um acontecimento que toca a sociedade e Portugal inteiro”

Segundo elemento numa comissão presidida pelo próprio Bispo da Diocese, Higino Tchakala destacou ontem a grandiosidade das comemorações que, em Janeiro, vão arrancar em Lourosa.

“É um acontecimento muito importante para a nossa freguesia e que tem o alcance não só concelhio ou distrital, mas que toca a sociedade e Portugal inteiro porque é um das igrejas primeiras de Portugal”, sublinhou o pároco local, destacando a raridade do seu estilo em Portugal e a classificação nacional que lhe permite ultrapassar a “geografia local e distrital”.

Destacando o empenho de todos os membros da comissão para que “as comemorações tenham dignidade”, Higino Tchakala aludiu aos dois importantes pilares que norteiam toda a programação: a fé e a história. “Há 1100 anos, homens e mulheres uniram esforços para erguer este templo e rezar”, referiu o pároco que, ontem, realçou alguns dos principais momentos das comemorações que vão decorrer em 2012, com destaque para a Eucaristia Jubilar, no dia 15 de janeiro, festa do padroeiro, em 26 de fevereiro, ciclo de conferências em 31 de março e 28 de abril, missa gregoriana, no dia 27 de maio, feira moçárabe, a 18 de agosto, entre outras iniciativas.

Em nome da comissão, Cristina Luís convidou todos os oliveirenses e portugueses em geral a participar nas comemorações dos 1100 anos e jubileu do templo religioso. Por dentro da organização de cada uma das atividades, aquele elemento da comissão destacou a diversidade das iniciativas previstas, na certeza de que as mesmas se revelarão atrativas.

Natural da freguesia de Lourosa, Cristina Luís aludiu à importância de a população passar pela zona história da localidade quer para conhecer, quer também para contribuir para a sua divulgação. “Vamos comemorar 1100 anos de um templo e é uma marca realmente muito importante”, continuou, com a convicção perfeita de que “em 2012, os caminhos passam inevitavelmente por Lourosa”.

Elemento integrante das comemorações e do dia a dia do templo religioso, Patrocínio Nunes terá certamente pela frente dias de maior azáfama. É que caso se venham a confirmar as mais altas expectativas da comissão organizadora não irão faltar visitantes ao templo, cujo acesso está desde há 30 anos sujeito ao toque do sino, como forma de alerta à guardiã da igreja.

“Três toques para o padre e dois para os visitantes” explicou ontem a “Tia China” – como é conhecida na freguesia – contando que a prática consta de tudo o que são escritos sobre o monumento religioso. “Quem vem já sabe que tem que tocar o sino e depois assinar o livro de visitas”, referiu, assegurando que o templo é muito procurado por turistas, sobretudo estrangeiros.

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